POR QUE BRIAN MAY CRITICOU A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
GUITARRISTA DO QUEEN VOLTOU A QUESTIONAR O AVANÇO DA TECNOLOGIA E APONTOU RISCOS PARA ARTISTAS E PARA O MEIO AMBIENTE
João Carlos
13/08/2026
Brian May voltou a manifestar preocupação com o avanço da inteligência artificial. Desta vez, o guitarrista do Queen partiu de uma experiência curiosa: pediu à Meta AI que mostrasse a capa de The Game, clássico álbum da banda lançado em 1980.
O resultado passou longe do original. Em vez dos quatro integrantes do Queen, Freddie Mercury, Brian May, Roger Taylor e John Deacon, a ferramenta apresentou cinco figuras com rostos bastante diferentes dos músicos.
May compartilhou a imagem em 11 de agosto e ironizou o resultado. Em seu site oficial, questionou se aquele seria o tipo de inteligência que poderia, no futuro, “governar o mundo” e concluiu: “Talvez seja hora de perceber que NÃO PRECISAMOS DE IA!”
A brincadeira, porém, rapidamente deu lugar a uma discussão mais séria.
Uma preocupação que vai além da música
Brian May aproveitou a publicação para voltar a questionar os custos associados à expansão da inteligência artificial. Um de seus principais alvos são os grandes centros de dados, estruturas necessárias para sustentar serviços digitais e sistemas de IA.
O músico pediu ao primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, que impedisse a construção de novos complexos desse tipo no Reino Unido. May argumentou que o preço ambiental desse desenvolvimento pode ser alto demais e afirmou temer seus efeitos sobre o país.
A preocupação ocorre em meio ao rápido crescimento da infraestrutura digital. A Agência Internacional de Energia estima que o consumo mundial de eletricidade dos centros de dados poderá praticamente dobrar entre 2025 e 2030.
Brian May já havia alertado sobre a IA
A imagem de The Game foi apenas o capítulo mais recente de uma discussão que acompanha Brian May há alguns anos.
Em 2023, o guitarrista afirmou à revista Guitar Player que temia um futuro no qual seria cada vez mais difícil identificar se determinada música havia sido criada por uma pessoa ou por uma máquina. Apesar das críticas, reconheceu que a IA também poderia trazer benefícios quando utilizada para ampliar as capacidades humanas.
Outro ponto de preocupação é o direito autoral. Em 2025, May criticou duramente propostas discutidas no Reino Unido sobre a utilização de músicas e outras obras protegidas no treinamento de sistemas de inteligência artificial. Para ele, artistas precisam ter controle sobre suas criações e receber remuneração quando elas forem utilizadas.
O músico também já sentiu outro problema da tecnologia na própria pele. Em 2024, alertou seus seguidores sobre um vídeo falso que utilizava sua imagem para divulgar supostos ingressos VIP e acesso aos bastidores por US$ 800.
Agora, uma capa do Queen com um integrante a mais pode até render uma situação curiosa. Para Brian May, porém, o erro serve como ponto de partida para uma questão muito maior: até onde a inteligência artificial deve avançar sem que existam limites claros para seu uso?


