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Prefeito francês flagrado em vídeo viral de confronto diz que estudantes manifestantes “podiam ser meus filhos”

Prefeito francês flagrado em vídeo viral de confronto diz que estudantes manifestantes “podiam ser meus filhos”

Reuters

07/10/2026

Placeholder - loading - Bally Bagayoko, prefeito de Saint-Denis, dá entrevista à Reuters em seu gabinete na prefeitura de Saint-Denis, nas proximidades de Paris 7 de outubro de 2026 REUTERS/Sarah Meyssonnier
Bally Bagayoko, prefeito de Saint-Denis, dá entrevista à Reuters em seu gabinete na prefeitura de Saint-Denis, nas proximidades de Paris 7 de outubro de 2026 REUTERS/Sarah Meyssonnier

Por Layli Foroudi

SAINT-DENIS, FRANÇA, 7 Out (Reuters) - Em ​um vídeo que se tornou viral nas redes sociais, Bally Bagayoko, prefeito da cidade francesa de Saint-Denis, aparece de frente para a polícia durante uma marcha em Paris na terça-feira, protegendo jovens manifestantes e gritando “parem”.

Bagayoko disse que vem apoiando os estudantes em seu subúrbio parisiense de classe trabalhadora e que, na terça-feira, pediu à polícia que não avançasse.

“Eles decidiram avançar e, de fato, perseguir os estudantes, muitos dos quais não haviam demonstrado qualquer comportamento agressivo em relação aos policiais”, disse Bagayoko, que faz parte do ⁠partido ⁠de extrema-esquerda França Insubmissa (LFI), à Reuters em ​uma ‌entrevista nesta quarta-feira em seu gabinete na prefeitura de Saint-Denis, na periferia norte de Paris.

No fim, a polícia lançou gás lacrimogêneo contra o grupo, incluindo o prefeito, disse ele.

A onda de protestos estudantis, que começou nos subúrbios marginalizados ⁠de Paris, já dura mais de duas semanas e revelou uma ​indignação pública generalizada a seis meses das eleições para substituir o presidente francês, ​Emmanuel Macron.

Houve mais de 6.000 prisões e dezenas ‌de estudantes feridos desde ​o ⁠início dos protestos. Grupos de direitos humanos e sindicatos acusam a polícia de usar táticas repressivas contra menores, incluindo o uso de cassetetes, gás lacrimogêneo e armas não letais do ​tipo “flashball”. As autoridades afirmam que centenas de policiais também ficaram feridos, escolas foram incendiadas ou saqueadas, e professores e cidadãos foram atacados.

A cidade de Saint-Denis, onde os índices de pobreza são mais do que o dobro da média nacional, foi ​um dos primeiros locais dos protestos estudantis no final de setembro contra salas de aula superlotadas e insalubres, falta de professores e desigualdade de oportunidades.

“Os protestos não são novidade por aqui, acontecem sempre no início do ano letivo”, disse Bagayoko. “A promessa republicana (de igualdade) — especialmente para os bairros da classe trabalhadora e também para as áreas rurais — não está sendo respeitada.”

Ele afirmou que o governo deveria priorizar o investimento em educação ​e cobrar impostos mais pesados dos bilionários.

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, disse nesta quarta-feira que ‌o governo analisaria as reivindicações dos ⁠estudantes e apresentaria propostas no final de outubro, mas não deu detalhes.

O governo sugeriu que políticos do LFI estariam por trás dos protestos, uma acusação que ⁠Bagayoko rejeitou como insultuosa aos jovens manifestantes.

Pai de quatro ⁠filhos, ele disse que “os alunos do ensino ⁠médio que estavam ⁠nas ​ruas poderiam ser meus filhos... é minha responsabilidade estar ao lado deles”.

(Reportagem de Layli Foroudi)

Reuters

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