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Presidente do BC do Japão promete continuar aumentando juros de olho em conflito no Oriente Médio

Presidente do BC do Japão promete continuar aumentando juros de olho em conflito no Oriente Médio

Reuters

04/03/2026

Placeholder - loading - Presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda 23/01/2026. REUTERS/Kim Kyung-Hoon
Presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda 23/01/2026. REUTERS/Kim Kyung-Hoon

Por Leika Kihara

TÓQUIO, 4 Mar (Reuters) - O presidente do ​Banco do Japão, Kazuo Ueda, afirmou que o banco central continuará a aumentar a taxa de juros se suas previsões econômicas se concretizarem, mas alertou para o potencial impacto do conflito no Oriente Médio sobre o crescimento global.

Os preços das ações globais caíram uma vez que o agravamento do conflito no Oriente Médio aumentou a demanda por refúgios seguros e elevou drasticamente os preços do petróleo, exacerbando as preocupações dos investidores com a inflação.

Em discurso no Parlamento, Ueda disse que os acontecimentos no Oriente Médio podem ter ⁠um enorme ⁠impacto na economia global, incluindo a ​do Japão, ‌por meio do aumento dos custos de energia e dos movimentos do mercado.

“O aumento dos preços do petróleo bruto pioraria os termos de troca do Japão e prejudicaria a economia, o que, por sua vez, poderia exercer pressão de ⁠baixa sobre a inflação subjacente”, disse Ueda na quarta-feira.

No entanto, se ​o aumento do preço do petróleo persistir, isso também pode elevar a inflação subjacente, ​aumentando as expectativas de inflação de médio e ‌longo prazo das famílias ​e ⁠empresas, acrescentou.

As falas destacam o desafio que o Banco do Japão enfrenta para definir o momento da próxima alta na taxa de juros, já que a incerteza sobre o conflito ​no Oriente Médio afeta as perspectivas para a economia.

“Continuaremos a aumentar a taxa de juros se a economia e os preços evoluírem de acordo com nossas projeções trimestrais”, disse Ueda quando questionado se as condições para outro aumento dos juros estavam se ​concretizando.

O banco central elevou a taxa de juros para 0,75% em dezembro, o maior nível em 30 anos, dando mais um passo histórico para encerrar décadas de enorme apoio monetário, em um sinal de sua convicção de que o Japão está progredindo para atingir de forma duradoura a meta de inflação de 2%.

Autoridades do Banco do Japão sinalizaram que estão prontos para continuar aumentando os juros ainda baixos, embora tenham dado poucas ​indicações sobre quando o próximo aumento poderá ocorrer.

Fontes disseram à Reuters que a nova volatilidade ‌do mercado provocada pelo conflito no ⁠Oriente Médio aumentou a chance de o banco central adiar o aumento dos juros em março.

O Japão depende quase inteiramente das importações de combustível, o que torna sua ⁠economia vulnerável ao impacto do aumento dos custos do ⁠petróleo. Preços mais altos dos combustíveis ⁠aumentariam a pressão inflacionária ⁠causada ​pelo iene fraco, que eleva o custo das importações de matérias-primas.

(Reportagem adicional de Makiko Yamazaki)

Reuters

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