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Programa Mundial de Alimentos reduz ajuda a 500 mil palestinos em Gaza e cita falta de recursos

Programa Mundial de Alimentos reduz ajuda a 500 mil palestinos em Gaza e cita falta de recursos

Reuters

19/10/2026

Placeholder - loading - Carl Skau, diretor-executivo interino do Programa Mundial de Alimentos (PMA), visita escola em Deir Al-Balah, na região central da Faixa de Gaza  18 de outubro de 2026   REUTERS/Mahmoud Issa
Carl Skau, diretor-executivo interino do Programa Mundial de Alimentos (PMA), visita escola em Deir Al-Balah, na região central da Faixa de Gaza 18 de outubro de 2026 REUTERS/Mahmoud Issa

Por Nidal al-Mughrabi e Mahmoud Issa

CAIRO/GAZA, 19 Out (Reuters) - O ​Programa Mundial de Alimentos da ONU afirmou que a escassez de recursos está forçando cortes significativos em seu programa de assistência em Gaza, deixando cerca de 500 mil pessoas sem o apoio alimentar mensal em um território onde dois terços da população enfrentam dificuldades para conseguir comida suficiente.

O PMA informou que está reduzindo o número de beneficiários de sua assistência mensal de 1,6 milhão para 1,1 milhão de pessoas.

Além disso, as rações alimentares foram reduzidas pela metade, a assistência em dinheiro foi cortada para 75 mil famílias e o número de refeições quentes diárias para aqueles que não têm condições de cozinhar caiu de 250 mil para ⁠150 mil, ⁠com algumas famílias em áreas de difícil acesso ​recebendo agora ‌uma refeição quente apenas a cada dois dias.

O PMA informou que cerca de 1,4 milhão de pessoas, ou dois terços da população de Gaza, enfrentam níveis de insegurança alimentar que chegam a uma crise ou pior, incluindo aproximadamente 200 mil pessoas em condições de emergência.

O cessar-fogo em Gaza, ⁠mediado pelos EUA no ano passado, prevê a eventual reconstrução do território. No entanto, ​houve pouco progresso na implementação de um acordo para pôr fim ao conflito que inclui cláusulas ​para o desarmamento do Hamas e a retirada das tropas ‌israelenses.

“Já faz um ano ​desde o ⁠acordo deste cessar-fogo. Bem, a vida ainda é brutal aqui. Não há abrigo adequado... Não há serviços básicos. Não há segurança, nem proteção”, disse o diretor-executivo interino do PMA, Carl Skau, à Reuters em Gaza.

“Esses cortes estão ​ocorrendo justamente quando estamos enfrentando o quarto inverno. Sabe, já passei pelos invernos aqui, que são absolutamente brutais”, acrescentou ele.

O PMA afirmou que precisa urgentemente de US$450 milhões nos próximos seis meses para manter operações essenciais em Gaza e na Cisjordânia ocupada por Israel.

“Dizemos ao mundo que agora não é hora de ​desviar o olhar. Este é o momento de nos mobilizarmos para manter esse apoio, para proteger o progresso que foi alcançado, mas também para impulsionar uma recuperação rápida”, disse Skau.

As forças israelenses ainda controlam mais de 60% do território e realizam ataques aéreos quase diariamente, enquanto o Hamas controla a maior parte da área onde vivem mais de dois milhões de palestinos, principalmente em abrigos temporários com o que as agências humanitárias chamam de suprimentos de ajuda inadequados.

O escritório de imprensa do governo de Gaza, administrado pelo Hamas, descreveu ​o anúncio do PMA como “catastrófico” e afirmou que isso poderia acelerar a fome no enclave, pedindo mais recursos ‌para as agências humanitárias a fim de evitar ⁠essa situação.

“Além das circunstâncias e da vida difícil, vocês querem tornar tudo ainda mais difícil para nós”, disse a palestina Sabrine Kuhail, ao lado de uma barraca em um local de acolhimento no campo ⁠de refugiados de Nuseirat, na região central da Faixa de Gaza.

“Vocês ⁠nos deixaram com fome por três anos com ⁠a guerra, a destruição, ⁠o ​cerco e o derramamento de sangue que não para. O que vocês querem de nós? Chega, chega, estamos cansados.”

Reuters

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