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    Promessa do Brasil sobre Amazônia é necessária para acordo UE-Mercosul, diz embaixador europeu

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    Área desmatada da Amazônia perto de Porto Velho, em Rondônia 14/08/2020 REUTERS/Ueslei Marcelino

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    Por Anthony Boadle

    BRASÍLIA (Reuters) - Até que o Brasil assuma o compromisso político de conter o desmatamento na Amazônia, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul não caminhará para uma ratificação na Europa, disse o embaixador do bloco em Brasília.

    Ignacio Ybáñez disse em uma entrevista concedida na noite de sexta-feira que há conversas em andamento para acrescentar este compromisso ao tratado concluído no ano passado e que o governo do Brasil está ciente da necessidade dele para salvar duas décadas de negociações.

    O desmatamento na Amazônia brasileira atingiu uma alta de 12 anos em 2020, de acordo com dados oficiais do governo, e a destruição se acelerou desde que o presidente Jair Bolsonaro tomou posse e enfraqueceu o cumprimento das leis ambientais.

    Isto fortaleceu a oposição ao acordo UE-Mercosul na Europa a ponto de a comissão executiva da UE estar adiando a apresentação do pacto ao conselho de chefes de governo dos 28 países-membros antes de ele poder ser submetido ao Parlamento Europeu.

    'Neste momento, não há condições de fazer isso, mas estamos trabalhando para obter compromissos claros do Brasil que restaurarão a confiança', disse Ybáñez à Reuters.

    A embaixada da UE iniciará uma conferência em Brasília na terça-feira para impulsionar o tratado e explicar seu capítulo sobre desenvolvimento sustentável, que trata do desmatamento da Amazônia e da aderência ao Acordo de Paris contra a mudança climática.

    Ybáñez disse que o Brasil deu passos positivos, como a criação do Conselho da Amazônia sob o comando do vice-presidente, Hamilton Mourão, que coordenará as ações ambientais governamentais na Amazônia.

    O país também prometeu estabelecer um método de rastreamento de corte ilegal de madeira da floresta tropical substituindo um certificado de origem que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aboliu em março, disse Ybáñez. Sem ele, os importadores de madeira da UE não conseguem provar de onde a madeira veio, explicou ele.

    Mourão convidou embaixadores de nações europeias e outras para irem à Amazônia no mês passado para lhes mostrar o que o Brasil está fazendo na frente ambiental.

    'Mourão reconheceu que o Brasil tem um problema e que precisa encontrar uma solução para lidar com o desmatamento, o corte ilegal de madeira e a mineração ilegal na Amazônia', disse o embaixador.

    Os diplomatas não estiveram em áreas mais impactadas pelo desmatamento e gostariam de ter tido mais contato com a sociedade civil, em particular as comunidades indígenas, disse.

    Escrito por Reuters

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