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Recuo da Petrobras em leilão de gás de cozinha foi parcial, dizem distribuidoras

Recuo da Petrobras em leilão de gás de cozinha foi parcial, dizem distribuidoras

Reuters

10/04/2026

Placeholder - loading - Refinaria Gabriel Passos (REGAP) da Petrobras no estado de Minas Gerais 20 de março de 2026 REUTERS/Washington Alves
Refinaria Gabriel Passos (REGAP) da Petrobras no estado de Minas Gerais 20 de março de 2026 REUTERS/Washington Alves

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO, 10 Abr (Reuters) - A Petrobras recuou ​parcialmente de um aumento nos preços dos volumes de gás de cozinha leiloados em 31 de março, afirmou nesta sexta-feira em nota o sindicato que representa as distribuidoras do combustível, o Sindigás, ao rebater anúncio feito pela petroleira na véspera.

A Petrobras afirmou na quinta-feira que decidiu 'neutralizar' os efeitos de preço do leilão -- depois de o presidente Lula ter dito que iria cancelar o certame dois dias após a sua realização por conta dos altos ágios, argumentando que a população não teria condições de arcar com esse custo.

Parte da demanda do Brasil é completada com o gás de cozinha importado, cujos preços subiram por conta dos efeitos da guerra no Irã. O tema preocupa o governo federal pelo impacto no custo ⁠de vida da ⁠população, especialmente para os mais pobres, atendidos por ​um programa ‌subsidiado.

'O movimento anunciado (pela Petrobras) não implica anulação dos leilões, tampouco a eliminação integral dos efeitos de preço observados, mas sim um ajuste parcial nos valores praticados', disse o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de GLP (Sindigás).

Os preços médios do botijão de 13 kg do gás de cozinha registraram alta de 1,7% nesta semana aos consumidores, ⁠em relação ao período anterior, para R$112,42, segundo pesquisa divulgada pela reguladora ANP nesta sexta-feira. Na ​comparação com o valor registrado antes da guerra, iniciada ao final de fevereiro, a alta é de 2,32%.

A ​entidade ressaltou que a petroleira indicou no mesmo comunicado de quinta-feira ‌que devolveria valores que superam ​o limite ⁠da paridade de importação (PPI), sinalizando, portanto, 'a manutenção de ágio em valores adicionais relevantes nas operações'.

A Petrobras também informou na véspera que, caso confirme sua adesão ao programa de subsídio ao GLP importado, anunciado pelo governo federal após o certame, também devolveria ​aos clientes os valores suportados pela subvenção.

Procurada nesta sexta-feira, a Petrobras disse que o ressarcimento de valores pagos em leilão ocorrerá por meio de ajustes nos próximos faturamentos, sem detalhar o mecanismo.

O leilão teve como objetivo principal assegurar o atendimento à crescente demanda por GLP destinado a usos industriais.

A petroleira ressalvou ainda que 'não exerce controle sobre a destinação final ​do GLP comercializado, tampouco sobre os preços praticados ao consumidor final'.

'Eventuais efeitos comerciais decorrentes dessa operação inserem-se na dinâmica de mercado e são definidos exclusivamente pelos agentes da distribuição e da revenda', afirmou.

A Petrobras tem realizado leilões de gás de cozinha a distribuidores para completar a oferta no mercado, enquanto os contratos tradicionais não sofrem reajustes desde o fim de 2024.

Segundo especialistas e agentes do mercado, essa estratégia tem permitido à companhia recuperar aportes feitos para importar parte de sua oferta, já que o Brasil não é autossuficiente na produção de GLP e precisa comprar no exterior cerca de ​20% do seu consumo.

O certame ao final de março seguiu esta lógica. No entanto, os resultados desagradaram o governo diante da ‌disparada dos preços pelo efeito da guerra no Irã, ⁠que elevou os custos de derivados de petróleo.

Após Lula afirmar que cancelaria o leilão, o conselho de administração da Petrobras, que tem maioria do governo, também aprovou, na segunda-feira, o encerramento antecipado do mandato do diretor-executivo de Logística, ⁠Comercialização e Mercados, Claudio Schlosser.

O Sindigás reforçou ainda em nota que não ⁠comenta preços, projeções ou estimativas de mercado, tampouco dispõe de ⁠informações além daquelas tornadas ⁠públicas. 'A ​entidade também não interfere nas estratégias comerciais ou políticas de preços das empresas associadas', acrescentou.

(Por Marta Nogueira; edição de Roberto Samora)

Reuters

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