Rei Charles defende unidade entre EUA e Reino Unido em meio às tensões com o Irã
Rei Charles defende unidade entre EUA e Reino Unido em meio às tensões com o Irã
Reuters
28/04/2026
Por Patricia Zengerle e Nandita Bose
WASHINGTON, 28 Abr (Reuters) - O rei Charles, do Reino Unido, disse nesta terça-feira ao Congresso dos Estados Unidos que, apesar de uma era de incertezas, e de conflitos na Europa e no Oriente Médio, Reino Unido e EUA sempre serão aliados firmes e unidos na defesa da democracia, em um momento de profundas divisões entre os dois países sobre a guerra com o Irã.
'Quaisquer que sejam nossas diferenças, quaisquer que sejam os desacordos que possamos ter, estamos unidos em nosso compromisso de defender a democracia, de proteger todos os nossos povos e de saudar a coragem daqueles que diariamente arriscam suas vidas a serviço de nossos países', disse Charles a parlamentares norte-americanos durante um raro discurso em uma reunião conjunta do Senado e da Câmara dos Deputados dos EUA, e após uma prolongada ovação de pé durante sua entrada com a rainha Camilla.
Charles proferiu o discurso no segundo dia de uma visita de Estado aos EUA, em um momento de tensão nas relações entre os dois países, após o presidente norte-americano, Donald Trump, criticar repetidamente o primeiro-ministro do Reino Unido, sir Keir Starmer, pelo que Trump considera falta de ajuda na condução da guerra contra o Irã.
'Venho aqui hoje com o maior respeito pelo Congresso dos Estados Unidos -- essa cidadela da democracia criada para representar a voz de todo o povo norte-americano para promover direitos e liberdades sagrados', disse Charles.
Trump afirmou que Starmer, que recebeu alguns aplausos em seu país por não aderir à ofensiva contra o Irã, não era nenhum Winston Churchill, e menosprezou uma oferta posterior de assistência militar para defender aliados na região.
Antes do discurso, Charles se reuniu com os principais parlamentares republicanos e democratas após uma visita matinal à Casa Branca com Camilla, que incluiu uma reunião a portas fechadas entre o rei e Trump.
Os eventos fazem parte de uma visita aos EUA destinada a reforçar os laços forjados entre o Reino Unido e sua ex-colônia ao longo dos 250 anos desde a independência norte-americana.
O rei foi apenas o segundo soberano britânico a discursar no Congresso dos EUA. Sua mãe, a rainha Elizabeth, discursou para as duas Casas em 1991.
AMIZADE
Mais cedo, durante uma cerimônia de recepção ao ar livre na Casa Branca, Trump enfatizou a amizade que se desenvolveu entre britânicos e norte-americanos desde seus dias como adversários durante a Guerra da Independência e as 'feridas de guerra' que ela causou.
'Os soldados que antes se chamavam de casacas vermelhas e ianques se tornaram os Tommies e os GIs que, juntos, salvaram o mundo livre como irmãos de armas e irmãos na eternidade', disse o presidente em uma referência à Segunda Guerra Mundial, enquanto centenas de convidados se reuniam no gramado sul com o Monumento a Washington à distância.
Depois de acompanhar o rei e a rainha até sua limusine para deixarem a Casa Branca, Trump disse a jornalistas: 'Foi um encontro muito bom. Ele é uma pessoa fantástica. Eles são pessoas incríveis e é uma verdadeira honra'.
(Reportagem de Nandita Bose e Patricia Zengerle, em Washington; reportagem adicional de Steve Holland, em Washington, e Michael Holden e William James, em Londres)
Reuters

