Capa do Álbum: Antena 1
A Rádio Online mais ouvida do Brasil
Antena 1

Rei Charles vai ao Caribe em meio a pedidos por reparações pela escravidão

Rei Charles vai ao Caribe em meio a pedidos por reparações pela escravidão

Reuters

27/10/2026

Placeholder - loading - Reo Charles, do Reino Unido, em Cardiff, no País de Gales 15 de outubro de 2026 REUTERS/Mathieu Willcocks
Reo Charles, do Reino Unido, em Cardiff, no País de Gales 15 de outubro de 2026 REUTERS/Mathieu Willcocks

Por Michael Holden

LONDRES, 27 Out (Reuters) - O rei britânico ​Charles viaja para o Caribe nesta semana em uma viagem que ocorre em um contexto de demandas cada vez mais veementes da região para que o Reino Unido pague reparações por seu papel no comércio de escravos.

Charles e sua esposa, a rainha Camilla, visitarão primeiro as Bahamas e a Guiana, antes de seguirem para Antígua e Barbuda para a Reunião de Chefes de Governo da Commonwealth (CHOGM), o encontro bienal da organização internacional que ele preside. A viagem ocorre de 27 de outubro a 4 de novembro.

Em uma reunião anterior, em 2022, dos ⁠líderes da ⁠Commonwealth — um grupo de 56 nações que ​eram, ‌em sua maioria, ex-colônias britânicas —, Charles expressou profundo pesar pessoal pela escravidão, e a questão certamente voltará a ter destaque.

No mês passado, a Comunidade do Caribe (Caricom), um grupo de 23 Estados-membros e membros associados que inclui as Bahamas, Barbados e a ⁠Jamaica, afirmou que pressionaria para que as reparações fossem incluídas na agenda da ​CHOGM.

“O Caribe tem afirmado consistentemente que as reparações dizem respeito, fundamentalmente, à justiça”, disse ​a secretária-geral da Caricom, Carla Barnett, em um ‌discurso no mês passado.

“Trata-se ​de reconhecimento, ⁠responsabilização e transformação, e de construir um futuro justo e equitativo para os descendentes daqueles que, como propriedade dos senhores coloniais, suportaram sofrimentos indescritíveis, perda de vidas e de liberdade.”

Embora o Palácio ​de Buckingham tenha afirmado que o monarca não se esquivaria do envolvimento do Reino Unido no comércio transatlântico de escravos durante sua viagem, ele não se desculparia formalmente por isso, como alguns desejavam, em consonância com a política do governo britânico, que também exclui a ​concessão de quaisquer reparações financeiras.

“É importante destacar aqui o trabalho que Sua Majestade vem realizando há muitos anos, tanto para reconhecer os erros do passado quanto para encontrar formas criativas de corrigir as desigualdades que persistem”, afirmou um porta-voz do palácio.

Shirley Botchwey, secretária-geral da Commonwealth, que abrange cerca de 2,7 bilhões de pessoas, disse na semana passada que havia chegado a hora de discutir reparações, sejam elas financeiras ou de outra forma, como a devolução de artefatos.

Quanto ​a um pedido de desculpas do rei, que continua sendo o chefe de Estado de várias ‌nações caribenhas, incluindo as Bahamas e ⁠Antígua e Barbuda, ela disse à Sky News: “Não faria mal algum que isso acontecesse”.

Entre os Séculos 15 e 19, pelo menos 12,5 milhões de africanos foram sequestrados e vendidos ⁠como escravos por comerciantes europeus, sendo o Reino Unido responsável ⁠pelo transporte de cerca de 3,2 milhões ⁠de pessoas, o que ⁠a ​torna a segunda nação europeia mais ativa nesse sentido, atrás apenas de Portugal.

(Reportagem de Michael Holden)

Reuters

Compartilhar matéria

Mais lidas da semana

 

Carregando, aguarde...