Relatório da ONU diz que abusos de direitos em Belarus podem equivaler a 'crime contra a humanidade'
Relatório da ONU diz que abusos de direitos em Belarus podem equivaler a 'crime contra a humanidade'
Reuters
17/03/2023
GENEBRA (Reuters) - Especialistas em direitos da ONU acusaram Belarus de abusos sistemáticos, incluindo a repressão de manifestantes e dissidentes que podem constituir crimes contra a humanidade, em um relatório publicado nesta sexta-feira.
O documento emitido pelo Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos cobriu um período que antecedeu a disputada eleição presidencial de 9 de agosto de 2020 e uma repressão a manifestantes e críticos nos meses seguintes.
O presidente Alexander Lukashenko, um fiel aliado da Rússia que garantiu seu sexto mandato na votação, rejeitou as acusações de violações e acusou potências estrangeiras de apoiar os protestos.
O Ministério das Relações Exteriores de Belarus não respondeu imediatamente a um pedido de comentário nesta sexta-feira.
'Há motivos suficientes para acreditar que violações sistemáticas, generalizadas e grosseiras dos direitos humanos foram e estão sendo cometidas em Belarus', disse o relatório.
'Algumas das violações também podem constituir crimes contra a humanidade', acrescentou.
As violações incluíram 'uso generalizado desnecessário e desproporcional da força' pelos serviços de segurança, tortura, prisões arbitrárias e impunidade, disse o relatório.
Os abusos 'parecem fazer parte de uma campanha de violência e repressão' contra os críticos do governo, acrescentou o relatório.
'Lamentamos que o governo de Belarus não esteja disposto a reconhecer o mandato, a se envolver positivamente com nosso exame e a conceder acesso ao país', disse a jornalistas Elizabeth Throssell, porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Lukashenko governa o ex-país soviético com mão de ferro desde 1994.
Centenas foram detidos e espancados durante as manifestações depois que Lukashenko foi declarado vencedor da eleição presidencial de 2020, um resultado que a oposição e os países ocidentais disseram ser fraudulento.
(Reportagem de Gabrielle Tétrault-Farber)
Reuters

