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'Rest in Power': Milhares se reúnem em Londres para vigília em homenagem ao acadêmico Arday

'Rest in Power': Milhares se reúnem em Londres para vigília em homenagem ao acadêmico Arday

Reuters

17/08/2026

Placeholder - loading - Jason Arday, ex-professor da Universidade de Cambridge 9 de outubro de 2020 Cortesia do Royal Borough of Greenwich via YouTube/via REUTERS
Jason Arday, ex-professor da Universidade de Cambridge 9 de outubro de 2020 Cortesia do Royal Borough of Greenwich via YouTube/via REUTERS

LONDRES, 17 Ago (Reuters) - Milhares de pessoas participaram de ​uma vigília no centro de Londres nesta segunda-feira em homenagem a Jason Arday, ex-professor de sociologia da Universidade de Cambridge encontrado morto na sexta-feira após semanas de intenso escrutínio em torno de acusações de plágio e outras alegações.

Arday, que já foi aclamado como o professor negro mais jovem de Cambridge, renunciou ao cargo em 5 de agosto, depois que um ex-pesquisador o acusou de plágio em sua tese de doutorado. O primeiro-ministro britânico Andy Burnham descreveu sua morte como “uma tragédia em muitos níveis”.

Arday negou a acusação, mas reconheceu ter cometido erros.

As acusações de plágio atraíram enorme interesse da mídia, levando a questionamentos ⁠sobre outros ⁠aspectos de sua vida, incluindo afirmações sobre sua ​carreira, vida ‌pessoal e condições de saúde.

Sua família afirmou na sexta-feira que ele havia sido vítima de desinformação e assédio.

O grupo de campanha Stand up to Racism organizou a vigília nesta segunda-feira para homenagear Arday. Pessoas carregavam flores e cartazes -- alguns com os dizeres “Rest in Power (em referência ⁠ao movimento negro), professor Jason Arday” -- enquanto se reuniam na Trafalgar Square, centro ​histórico de protestos na capital britânica.

PONTO FOCAL

Antes de sua morte, Arday havia se tornado um ponto ​focal para comentários frequentemente polêmicos sobre o estado da ‌sociedade britânica, incluindo questões raciais, ​rigor ⁠acadêmico, interferência policial e intromissão da mídia.

A Universidade de Cambridge se comprometeu, na quarta-feira, a investigar as circunstâncias de sua nomeação e seu trabalho acadêmico.

Críticos argumentaram que a universidade estava tão empenhada em contratar um ​acadêmico negro que não verificou adequadamente as credenciais de Arday e não reagiu de forma apropriada quando surgiram as acusações de plágio.

O chanceler da universidade, Chris Smith, defendeu a abordagem da instituição nesta segunda-feira.

“Acredito que seja possível manter dois princípios ao mesmo tempo: acreditar na importância da integridade acadêmica e, quando ​surgirem críticas de plágio contra qualquer acadêmico, seja quem for, garantir que elas sejam rigorosamente investigadas”, disse ele à BBC.

“E também recusar-se a participar de uma caça às bruxas racista contra um acadêmico específico.”

A Polícia Metropolitana do Reino Unido pediu desculpas a um jornalista por ter investigado uma denúncia contra ele, após o profissional de imprensa entrar em contato com Arday para obter comentários sobre as acusações de plágio um ano antes de a matéria ser divulgada.

O escrutínio, uma vez que as acusações foram ​publicadas, se estendeu a questionamentos sobre os relatos de Arday sobre suas dificuldades na infância com o autismo ‌e suas conquistas esportivas -- incluindo o fato ⁠de ele ter corrido 30 maratonas em 35 dias.

“Ele estava sendo submetido a um escrutínio implacável, incluindo ridicularização, que desacreditava absolutamente todos os detalhes de sua vida”, disse Simon Baron-Cohen, professor de ⁠Cambridge e apoiador de Arday, à rádio da BBC no ⁠sábado.

Ele afirmou que Arday era uma pessoa vulnerável ⁠desde a infância e ⁠merecia ​proteção e apoio, acrescentando que as investigações sobre o caso deveriam atribuir responsabilidade “em vários níveis”.

(Reportagem de Chris Ratcliffe)

Reuters

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