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ROBÔS AJUDAM CIENTISTAS A ACELERAR A BUSCA POR NOVOS MEDICAMENTOS

Plataforma desenvolvida na Coreia do Sul automatiza etapas da produção e da análise de moléculas, reduzindo o trabalho repetitivo em laboratório

Bruna Valle

21/10/2026

Placeholder - loading - Robôs e luz estão ajudando cientistas a produzir moléculas de forma automatizada, em uma pesquisa que pode tornar a busca por novos medicamentos mais ágil
Robôs e luz estão ajudando cientistas a produzir moléculas de forma automatizada, em uma pesquisa que pode tornar a busca por novos medicamentos mais ágil

Encontrar novas substâncias que possam dar origem a medicamentos exige uma série de experimentos. Mesmo quando os cientistas identificam uma molécula promissora, ainda é necessário produzi-la, testar suas propriedades e avaliar se ela pode ser usada com segurança. Uma nova tecnologia desenvolvida na Coreia do Sul busca tornar parte desse processo mais rápido e automatizado.

Pesquisadores do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia (KAIST) criaram uma plataforma que combina robôs, luz visível e equipamentos de análise para executar diferentes etapas da síntese química. O sistema prepara os ingredientes, conduz a reação e verifica o resultado sem exigir que os pesquisadores façam manualmente cada transferência de material. O estudo foi publicado na revista científica JACS Au.

Um laboratório que trabalha de forma automatizada

A plataforma reúne um robô responsável por dosar os ingredientes, bombas que movimentam as soluções, um sistema de iluminação e equipamentos que analisam as substâncias produzidas.

O processo utiliza uma técnica chamada fluxo contínuo. Em vez de colocar todos os componentes em um recipiente grande e realizar a reação de uma só vez, o sistema conduz a mistura por um tubo estreito, enquanto a luz visível estimula a transformação química.

Esse formato facilita a distribuição da luz pela solução e permite manter a produção em andamento por períodos mais longos. Ao final, o material segue automaticamente para análise, que verifica se a molécula desejada foi obtida e em qual quantidade.

A tecnologia foi testada em mais de 20 compostos

Para avaliar o funcionamento do sistema, a equipe utilizou uma reação que permite substituir um átomo específico em uma estrutura molecular, preservando o restante de sua organização.

O método foi aplicado a mais de 20 compostos derivados do furano, uma substância usada como ponto de partida em síntese química. Os pesquisadores conseguiram realizar a modificação desejada inclusive em moléculas mais complexas, derivadas de produtos naturais.

O objetivo é ampliar as possibilidades de produção de estruturas químicas que possam ser investigadas no desenvolvimento de medicamentos. Pequenas mudanças na composição de uma molécula podem alterar, por exemplo, sua interação com proteínas do organismo, uma característica relevante na avaliação de possíveis candidatos a fármacos.

Como isso pode ajudar na descoberta de medicamentos?

Antes de chegar a um tratamento, uma substância precisa passar por diversas etapas de pesquisa, incluindo testes de eficácia, segurança e toxicidade. Para comparar diferentes candidatos, os cientistas frequentemente precisam produzir versões semelhantes de uma molécula e avaliar como cada uma se comporta.

A automação pode reduzir o tempo dedicado a tarefas repetitivas e facilitar a reprodução das mesmas condições experimentais. Com isso, os pesquisadores podem ganhar eficiência na obtenção dos compostos necessários para os testes e ampliar o número de possibilidades investigadas.

Um avanço de laboratório, não um novo remédio

Apesar do potencial, a plataforma ainda representa uma ferramenta para pesquisa química, e não um medicamento pronto para uso. A tecnologia demonstrou a capacidade de automatizar uma etapa importante da produção de moléculas, mas qualquer substância identificada como promissora ainda precisa passar pelas avaliações necessárias para determinar sua eficácia e segurança.

O avanço também aponta para uma tendência crescente na ciência: combinar equipamentos automatizados e métodos químicos mais controlados para tornar os experimentos reproduzíveis e ampliar a capacidade dos laboratórios.

Se aplicada a diferentes processos de síntese, a abordagem poderá ajudar cientistas a investigar mais rapidamente uma variedade maior de compostos. A expectativa é que essa eficiência contribua para as primeiras etapas da descoberta de medicamentos, sem eliminar a necessidade de testes rigorosos antes que qualquer novo tratamento chegue aos pacientes.

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