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Setor de serviços do Brasil fica quase estagnado em maio em meio à alta da inflação por guerra, mostra PMI

Setor de serviços do Brasil fica quase estagnado em maio em meio à alta da inflação por guerra, mostra PMI

Reuters

03/06/2026

Placeholder - loading - Homem recebe massagem enquanto sua barba é feita em barbearia em São Paulo 11 de março de 2017 REUTERS/Paulo Whitaker
Homem recebe massagem enquanto sua barba é feita em barbearia em São Paulo 11 de março de 2017 REUTERS/Paulo Whitaker

Por Camila Moreira

SÃO PAULO, 3 Jun (Reuters) - A atividade ​de serviços no Brasil ficou quase estagnada em maio, contida pela falta de novos pedidos conforme o forte aumento dos preços cobrados em meio aos impactos da guerra no Oriente Médio reduziu uma demanda já frágil, mostrou a pesquisa Índice de Gerentes de Compras nesta quarta-feira.

O PMI de serviços, compilado pela S&P Global, caiu a 50,4 em maio, de 52,3 em abril, aproximando-se da marca de 50 que indica estagnação da atividade.

“Os dados do PMI de maio soam como um alerta, já que o papel do setor de serviços como amortecedor da fraqueza da indústria parece estar perdendo força. Muitos ⁠esperam que ⁠essa desaceleração seja temporária e que uma ​recuperação no ‌próximo mês possa sustentar os resultados do segundo trimestre”, disse Pollyanna De Lima, diretora associada de Economia da S&P Global Market Intelligence.

Várias empresas relataram queda da produção devido a pressões competitivas, questões financeiras e um ambiente cada vez mais desafiador para a demanda.

Os novos ⁠pedidos feitos aos fornecedores de serviços no Brasil ficaram, de modo geral, estagnados em ​maio, com o respectivo índice ficando pouco abaixo do nível neutro de 50,0.

O segmento de ​transporte, informação e comunicação foi o único setor monitorado ‌a registrar aumento na ​produção, tendo ⁠ainda o melhor desempenho em termos de vendas, apesar de o crescimento ter recuado para o menor nível em cinco meses.

A estagnação das vendas em maio coincidiu com um forte aumento nos preços cobrados ​pela prestação de serviços. Apesar de ter recuado em relação a abril, o ritmo de inflação foi o segundo mais alto em 15 meses, com os participantes da pesquisa citando o repasse do aumento de custos aos clientes.

Os preços dos insumos subiram no ritmo mais forte desde fevereiro ​de 2025, com as empresas indicando que a guerra no Oriente Médio elevou os custos de combustíveis e materiais. Elas relataram ainda aumento de preço em itens como materiais de construção, produtos químicos, componentes eletrônicos, energia, alimentos, metais e embalagens.

'Fissuras estão surgindo na economia de serviços do Brasil, à medida que empresas e consumidores enfrentam a inflação', disse De Lima. 'Orçamentos apertados levaram os consumidores a cortar gastos não essenciais, impactando setores como entretenimento, hotelaria e lazer'.

O aumento dos custos e a fragilidade da ​demanda prejudicaram os esforços de contratações em maio, que aconteceram no ritmo mais lento dentro do atual ‌período de quatro meses de geração de ⁠vagas.

Além disso, as pressões de preços, aliadas à forte concorrência e às difíceis condições operacionais, reduziram a confiança empresarial, com queda no nível de otimismo em relação à perspectiva de produção para ⁠o próximo ano.

Diante do enfraquecimento do setor de serviços e ⁠da contração do setor industrial, já reportada, o ⁠PMI Composto do Brasil ⁠voltou ​ao território de contração ao cair a 49,5 em maio, de 52,4 em abril.

(Edição de Isabel Versiani)

Reuters

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