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Setor de soja do Brasil acompanha com 'preocupação' dificuldades para exportação à China

Setor de soja do Brasil acompanha com 'preocupação' dificuldades para exportação à China

Reuters

12/03/2026

Placeholder - loading - Grãos de soja. REUTERS/Dan Koeck/Archivo
Grãos de soja. REUTERS/Dan Koeck/Archivo

Atualizada em  12/03/2026

SÃO PAULO, 12 Mar (Reuters) - A Associação Brasileira ​das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) afirmaram nesta quinta-feira que estão acompanhando, 'de forma atenta e com preocupação, os recentes desdobramentos relacionados aos embarques de soja destinados ao mercado chinês'.

O comunicado das duas entidades representativas das tradings e processadoras de grãos foi divulgado após o presidente da Cargill no Brasil, Paulo Sousa, ter afirmado à Reuters, na véspera, que a empresa suspendeu operações de exportação de soja brasileira à China devido a mudanças na inspeção fitossanitária pelo governo ⁠brasileiro, ⁠que têm dificultado a emissão de um ​certificado ‌exigido para desembarque.

Diante desse cenário, a Abiove e a Anec reafirmam que seguem atuando com autoridades 'para buscar soluções que garantam a fluidez do comércio, a previsibilidade das operações, prezando pela segurança jurídica e fortalecimento das relações comerciais ⁠internacionais e pela garantia dos requisitos de fitossanidade'.

Segundo Sousa, o Ministério da ​Agricultura do Brasil adotou uma inspeção mais rigorosa para soja destinada à China, ​após solicitação do governo chinês, e a ‌nova fiscalização está dificultando ​cumprimento de ⁠normas pelos comerciantes.

A Cargill foi, em 2025, a principal embarcadora de soja para a China, com quase 14 milhões de toneladas, segundo dados da agência marítima Cargonave divulgados anteriormente.

A ​China, maior importador global de soja, foi destino de 80% das 108,7 milhões de toneladas que o Brasil exportou no ano passado, segundo dados da Anec.

Procurado pela Reuters desde quarta-feira, o Ministério da Agricultura não se manifestou.

Mas o ministro da ​Agricultura, Carlos Fávaro, falou sobre o assunto em uma entrevista para a CNN Brasil, e disse considerar que a Cargill não teria sido 'correta' ao atribuir a situação a mudanças de procedimento do Ministério da Agricultura.

O ministro disse ainda que 'não irá precarizar o sistema sanitário brasileiro' por uma postura empresarial, que classificou como 'irresponsável'.

Fávaro explicou que o cumprimento do protocolo restringe sementes de ervas daninhas que não existem do lado comprador.

Ele ​disse ainda que a solução passa por negociações dos exportadores e compradores, além de ‌diálogo dos dois países sobre eventuais ajustes ⁠no protocolo.

Segundo Sousa, da Cargill, a situação atual tem feito com que navios, antes programados para a China, tenham que descarregar em outros países.

A situação acontece ⁠em momento em que o Brasil está no pico ⁠de escoamento de sua safra de ⁠soja, que deverá ⁠atingir ​um recorde de cerca de 180 milhões de toneladas.

(Por Roberto Samora; edição de Letícia Fucuchima)

Reuters

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