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SONO APARECE COMO FATOR IMPORTANTE PARA ADOLESCENTES

Estudo com jovens de 10 a 13 anos encontrou relação mais forte com o bem-estar emocional do que com outros hábitos avaliados

Bruna Valle

21/09/2026

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Pesquisa relaciona qualidade do sono a indicadores de saúde mental e rotina escolar entre adolescentes

Entre os diferentes hábitos que fazem parte da rotina de adolescentes, um deles chamou especialmente a atenção dos pesquisadores: o sono. Uma nova análise indica que a qualidade das noites de descanso está mais relacionada a indicadores de saúde mental e funcionamento escolar do que fatores como alimentação, atividade física e tempo de tela.

O trabalho foi publicado na revista científica Psychological Medicine e utilizou informações de participantes do estudo Adolescent Brain Cognitive Development, que acompanha crianças e adolescentes nos Estados Unidos.

Os pesquisadores analisaram dados de jovens entre 10 e 13 anos e observaram a relação entre hábitos cotidianos, sintomas de depressão e ansiedade, experiências semelhantes à psicose e desempenho acadêmico.

Uma diferença que surpreendeu os pesquisadores

O sono foi o fator que mais se destacou entre os quatro comportamentos investigados.

Na análise, a qualidade do descanso esteve relacionada a 36,3% da associação envolvendo ansiedade, enquanto representou 18,5% da relação observada com depressão. No caso das experiências semelhantes a sintomas psicóticos, a participação foi de 8,3%.

Para os autores, a força dessa relação foi maior do que a esperada.

Isso não significa, porém, que dormir mal seja a causa desses problemas. O estudo observou como determinados hábitos poderiam ajudar a explicar associações encontradas nos dados, e não estabeleceu uma relação direta de causa e efeito.

E as telas?

O tempo de exposição às telas também apareceu entre os fatores analisados, mas teve uma participação menor no modelo da pesquisa.

O hábito correspondeu a 5% da associação entre ansiedade e funcionamento acadêmico, 6,3% da relação envolvendo depressão e 6,2% daquela ligada a experiências semelhantes à psicose.

Atividade física e alimentação tiveram influência ainda mais discreta nas associações observadas.

Os números não significam que esses hábitos sejam irrelevantes. Eles mostram apenas como cada fator apareceu dentro da análise estatística realizada pelos pesquisadores.

O que o estudo pode ajudar a entender

A adolescência envolve mudanças importantes no desenvolvimento do cérebro e no comportamento, ao mesmo tempo em que podem surgir os primeiros sinais de problemas de saúde mental.

Por isso, os pesquisadores consideram que hábitos modificáveis, como manter horários mais regulares para dormir, podem ser uma maneira acessível de contribuir para o bem-estar dos jovens.

Mas existe uma diferença importante entre cuidar da rotina e tratar um transtorno.

Uma noite de sono melhor não substitui avaliação ou tratamento profissional quando um adolescente apresenta sintomas persistentes de ansiedade, depressão ou outras alterações psicológicas.

A próxima etapa apontada pelos pesquisadores é investigar, por meio de estudos de intervenção, se mudanças concretas nesses hábitos conseguem melhorar de fato o desempenho escolar, a vida social e a saúde mental dos jovens.

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