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    STF confirma por unanimidade prisão de deputado que atacou ministros da Corte em vídeo

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    Estátua da Justiça em frente ao STF em Brasília 23/11/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino

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    Por Ricardo Brito

    BRASÍLIA (Reuters) - Com um forte discurso em defesa da instituição, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira confirmar por unanimidade a decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou na véspera a prisão do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) por ter divulgado um vídeo em que, entre outras coisas, fez ataques aos ministros da Corte.

    Todos os ministros votaram para manter a prisão, em uma rápida votação. Havia a expectativa de apoio amplo entre os ministros do STF, conforme relatado mais cedo reportagem da Reuters.

    Na abertura da sessão, o presidente do STF, Luiz Fux, deu o tom da defesa institucional que iria ser feita pela Corte.

    'O Supremo Tribunal Federal mantém-se vigilante contra qualquer forma de hostilidade à instituição. Ofender autoridades além dos limites permitidos pela liberdade de expressão exige necessariamente uma pronta atuação da Corte', disse Fux.

    Em seu voto, Moraes disse que as manifestações de Silveira revelam-se como 'gravíssimas' e que tinham 'claro intuito' de impedir o exercício do Judiciário. Destacou que ele está cometendo crime em flagrante delito por crime inafiançável, o que permite a prisão dele.

    Segundo o ministro, as declarações do parlamentar visavam criar animosidade entre o poder civil e os militares. Destacou ainda que, pela Constituição, não se permite propagar ideias contrárias à ordem democrática vigente.

    'As suas manifestações, declarações, sua incitação à violência não se dirigiu apenas aos diversos ministros do Supremo... mas muito mais do que isso, suas manifestações dirigiam-se diretamente a corroer as estruturas do regime democrático, do estado de direito, por várias e várias vezes fazendo apologia da ditadura, do AI-5, do fechamento do Supremo, incitando a violência física nos limites da morte física porque não concorda com posicionamentos', disse.

    No duro voto, Moraes citou que Silveira continuou a cometer crimes mesmo após a ordem de prisão ao continuar fazendo incitação à violência e ainda desacatar uma autoridade ao se negar a usar máscara no momento da realização do exame de corpo de delito.

    O decano da Corte, Marco Aurélio Mello, disse que agora deve se aguardar o pronunciamento da Câmara dos Deputados, que, segundo ele, 'certamente não faltará ao povo brasileiro'.

    A decisão foi encaminhada para a Câmara que vai decidir se mantém ou revoga a determinação do STF.

    'Jamais imaginei vivenciar o que eu vivenciei, jamais imaginei que uma fala seria tão ácida, tão agressiva e tão chula no tocante às instituições', disse Marco Aurélio, ao sublinhar ter 74 anos.

    O decano disse que Moraes está agora com as 'costas largas' porque não se trata mais de um ato individual do STF, mas 'do colegiado que imagino formalizado a uma só voz'.

    Escrito por Reuters

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