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    Bolsonaro nomeia militares que estiveram no Haiti para governo e pode repetir estratégia de segurança

    Por Gabriel Stargardter

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - O general brasileiro Augusto Heleno comandou centenas de soldados da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2005 em uma missão em uma favela do Haiti em busca de um criminoso poderoso.

    Ao longo de uma luta armada de sete horas, as tropas dispararam mais de 22 mil balas em Cité Soleil, um bairro pobre da capital haitiana, Porto Príncipe. Seu alvo, um líder combatente conhecido como Dread Wilme, foi morto.

    A operação, batizada de 'Punho de Ferro', coroou a cruzada de Heleno para restaurar a ordem no país depois que o presidente haitiano foi deposto por insurgentes. Heleno declarou a ação uma sucesso.

    Mas vários grupos de direitos humanos a classificaram como um 'massacre', alegando que dezenas de civis morreram no fogo cruzado, muitos deles mulheres e crianças.

    O episódio, quase esquecido fora do Haiti, pode ser um esboço da estratégia de segurança do presidente eleito Jair Bolsonaro para enfrentar a violência no Brasil.

    Ele escolheu Heleno como ministro do Gabinete de Segurança Institucional e quer que o general da reserva e outros militares que atuaram no Haiti combatam a violência no Brasil com métodos empregados em Porto Príncipe.

    O Brasil teve um recorde de 64 mil assassinatos no ano passado, a maior cifra do mundo. Bolsonaro prometeu não ter clemência com infratores da lei.

    'Estamos em guerra. O Haiti também estava em guerra', disse Bolsonaro em uma entrevista recente à televisão. '(No Haiti) a regra era: você encontra um elemento com uma arma, você atira, e depois vê o que aconteceu. Você resolve o problema'.

    O Haiti tem grande destaque no gabinete de Bolsonaro.

    Seu futuro ministro da Defesa, o general da reserva Fernando Azevedo e Silva, serviu no país como chefe de operações subordinado a Heleno. O próximo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, foi engenheiro militar sênior da ONU no Haiti, chegando pouco depois de Heleno partir em 2005. O general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, o novo ministro da Secretaria de Governo, liderou tropas da ONU na nação caribenha em 2007.

    Nem Heleno nem Azevedo responderam a pedidos de comentário sobre a operação em Cité Soleil.

    Ainda não se sabe o quão rígida poderá ser a abordagem de Heleno no Brasil, particularmente no Estado do Rio de Janeiro, mas outras ações repressivas não produziram resultados duradouros.

    Entre estes esforços estão uma grande ofensiva de segurança em algumas favelas do Rio antes da Olimpíada de 2016 e mais recentemente uma intervenção militar iniciada em fevereiro. As mortes violentas aumentaram 1,3 por cento durante os primeiros nove meses da ocupação quando comparados ao mesmo período do ano passado, e o número de pessoas mortas por forças de segurança aumentou mais de 40 por cento -- cerca de quatro morrem diariamente.

    A atual intervenção no Rio está programada para terminar pouco antes de Bolsonaro tomar posse no dia 1º de janeiro de 2019, mas nem Heleno nem Azevedo e Silva descartaram prorrogá-la.

    Nas últimas semanas Heleno expressou apoio a uma estratégia radical de combate ao crime defendida pelo próximo governador fluminense, Wilson Witzel, que envolve a mobilização de atiradores de elite em helicópteros para eliminar traficantes com fuzis nas favelas.

    Heleno afirmou em uma entrevista recente a uma rádio que suas regras de engajamento no Haiti eram semelhantes às propostas por Witzel, acrescentando que partes essenciais da intervenção militar no Rio 'podem servir de modelo para o resto do país'.

    Essas opiniões preocupam alguns membros das Forças Armadas, que temem que uma guerra urbana prolongada mine o moral das tropas e provoque uma rejeição do público contra uma das instituições mais respeitadas do Brasil.

    Elas também preocupam alguns especialistas em segurança pública, que receiam que os novos líderes do país intensifiquem uma estratégia fracassada.

    'O Rio é um laboratório que ilustra que este tipo de diretriz não funciona', disse Ignacio Cano, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) que escreveu diversos artigos sobre questões de segurança.

    'BALAS ATRAVESSAVAM PAREDES'

    A Reuters entrevistou mais de uma dúzia de pessoas a par da operação de 6 de julho de 2005, inclusive diplomatas, funcionários de ONGs, autoridades haitianas e moradores de Cité Soleil.

    A Reuters também analisou relatórios da ONU, telegramas diplomáticos divulgados pelo Wikileaks, artigos de imprensa e as próprias declarações de Heleno à época. Juntos, esses documentos pintam um quadro detalhado das pressões que Heleno sofreu para ser rígido no Haiti.

    O Brasil assumiu o controle militar da missão da ONU para estabilizar o Haiti, conhecida como Minustah, em meados de 2004. Heleno, o primeiro comandante militar brasileiro da Minustah, chegou pouco depois da deposição e da partida do então presidente Jean-Bertrand Aristide para o exílio. O general foi encarregado de estabilizar o país para a realização de eleições pacíficas.

    Em seu caminho ele encontrou gangues criminosas poderosas que mantinham esquemas violentos de sequestros de pessoa e carros e de corrupção. À medida que os meses passavam, os Estados Unidos, em particular, expressavam impaciência com o progresso de Heleno.

    'A Minustah foi incapaz de estabelecer segurança e estabilidade aqui', disse James B. Foley, então embaixador dos EUA no Haiti, em um telegrama de 1º de junho de 2005 a Washington. 'Por mais que posamos pressionar a ONU e os brasileiros a adotarem a abordagem mais vigorosa que é necessária, não acredito que eles estarão à altura da tarefa no final das contas'.

    Cinco semanas depois Heleno ordenou que 440 soldados da ONU, apoiados por 41 veículos e helicópteros blindados, entrassem em Cité Soleil para deter Wilme, que telegramas dos EUA descreviam como o criminoso mais poderoso do Haiti.

    Inicialmente a equipe de Heleno disse que Wilme e alguns aliados morreram, o que resultou no máximo em cinco ou seis fatalidades, de acordo com relatos da imprensa -- mas relatos de mortos e feridos civis logo surgiram.

    'Temos informação crível de que tropas da ONU, acompanhadas pela polícia haitiana, mataram um número indeterminado de moradores desarmados de Cité Soleil, inclusive vários bebês e mulheres', disse na ocasião Renan Hedouville, chefe da organização local sem fins lucrativos Advogados Comprometidos com o Respeito aos Direitos Individuais.

    O então diretor da missão dos Médicos sem Fronteiras no Haiti disse a repórteres que seus médicos trataram 27 pessoas de ferimentos de bala, a maioria mulheres e crianças.

    Diplomatas dos EUA também questionaram a versão dos eventos da Minustah. Um telegrama de 26 de julho de 2005 disse que '22 mil cartuchos é uma quantidade grande de munição para ter matado só seis pessoas', e observou que alguns grupos de direitos humanos estimaram o saldo de mortes em até 70.

    Um porta-voz do atual governo haitiano não respondeu a um pedido de comentário sobre a operação ou a liderança brasileira das tropas da Minustah.

    Mas alguns moradores de Cité Soleil não conseguem se livrar da lembrança daquele dia. A ambulante Anol Pierre disse que estava em casa quando o ataque começou.

    'Eu me escondi debaixo da cama com meus filhos enquanto as balas atravessavam as paredes', contou. 'Só rezamos para Jesus. Lembro de uma mulher grávida com dois filhos que morreu. Muitas famílias foram vítimas'.

    SEM REMORSOS

    Juan Gabriel Valdés, chefe civil da Minustah no Haiti à época, disse que as regras de pacificação da ONU permitiam que os soldados de Heleno reagissem a disparos ao serem atacados. A Minustah disse que Cité Soleil continuava tão volátil que era impossível realizar uma investigação completa para determinar o saldo de mortes.

    Respondendo a alegações de força excessiva, um relator especial da ONU pediu esclarecimentos do que aconteceu à Minustah. Seu relatório sustentou que a explicação da missão para suas ações foi 'essencialmente satisfatória'.

    Heleno expressou desdém por aqueles que questionaram suas ações, segundo Seth Donnelly, ativista de direitos humanos que estava no Haiti à época. Em um relatório escrito sobre o ataque, Donnelly afirmou que Heleno disse a ele e a seus colegas ativistas que 'eles só pareciam se importar com os direitos dos 'fora da lei''.

    As opiniões de Heleno sobre a segurança pública não se suavizaram desde que ele deixou o Haiti. Em 2008, ainda na ativa, ele criticou publicamente diretrizes brasileiras que garantem a autonomia de tribos indígenas em terras ancestrais por vê-la como uma ameaça à soberania nacional.

    Ao se aposentar, em 2011, Heleno defendeu a ditadura militar que vigorou no Brasil de 1964 a 1985, dizendo ter sido um bastião contra a 'comunização do país'.

    Em uma entrevista a uma rádio neste mês, Heleno disse que os direitos humanos deveriam ser reservados a 'humanos decentes'. Ele disse que facções criminosas estão transformando o Brasil em um 'narcopaís' e que medidas agressivas precisam ser usadas para detê-los.

    'É um absurdo tratar isso como situação normal. É situação de exceção que merece tratamento de exceção'.

    (Reportagem adicional de Robenson Sanon e Andres Martinez Casares, em Porto Príncipe; Anthony Boadle, em Brasília; e Michelle Nichols, em Nova York)

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    Reajuste do STF não é derrota de Bolsonaro, mas há preocupação, diz Heleno

    Por Ricardo Brito

    BRASÍLIA (Reuters) - O futuro ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general da reserva Augusto Heleno, afirmou nesta quinta-feira que não considera uma derrota do governo do presidente eleito Jair Bolsonaro a aprovação pelo Senado de uma proposta que aumenta o salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal, mas destacou que há uma preocupação com o impacto da medida para os cofres públicos.

    'Não é derrota, é preocupação. É preocupação até pelos gastos que foram anunciados, mas isso tem que ser bem estudado, não dá para fazer essa avaliação aqui, tem que avaliar principalmente o doutor Paulo Guedes (futuro ministro da Economia), avaliar qual é o impacto', disse Heleno ao chegar ao apartamento funcional de Bolsonaro, que ainda é deputado federal, em Brasília, para uma reunião com parlamentares.

    O reajuste dos ministros do STF e da Procuradoria-Geral da República, aprovados na noite de quarta pelo Senado, tem impacto bilionário para os cofres públicos, uma vez que gera um efeito cascata em toda a magistratura e Ministério Público da União e também porque aumenta o teto de quanto um servidor público pode ganhar no país.

    Os vencimentos, reajustados em 16,38 por cento, serão elevados dos atuais 33,7 mil reais por mês para 39,2 mil reais a partir de 2019, já no governo Bolsonaro. Horas antes da aprovação da medida no Senado, o presidente eleito chegou a alertar que 'não é o momento' para conceder aumentos salariais, apontando que o país atravessa grave crise fiscal.

    Um dos auxiliares mais próximos de Bolsonaro, o general Heleno não quis opinar sobre a decisão do Senado. 'Está fora do meu espectro, prefiro não me pronunciar, fica no nível presidente da República. O próprio presidente Temer parece que tem que sancionar', limitou-se a dizer.

    Heleno foi questionado sobre se Bolsonaro terá de atuar como uma espécie de moderador em relação a Paulo Guedes, que chegou a defender dar uma 'prensa' no Congresso para tentar aprovar a reforma da Previdência ainda em 2018. Posteriormente, o presidente eleito disse que Guedes deveria ter falado em 'convencimento' e citou a inexperiência política do auxiliar.

    'Eu acho que eles vão trabalhar juntos, têm um relacionamento muito bom, então são muito francos um com o outro, isso é muito importante. Acho que essa transparência, essa lealdade das pessoas, isso constrói muito. A pior coisa que tem é você ter uma equipe de governo em que um fica com preocupação do que vai falar para o outro. Acho que esse jogo aberto é muito importante', disse.

    DEFESA

    Heleno também afirmou que seria desejável que a escolha do futuro Ministro da Defesa ocorresse logo, embora tenha ressaltado que não é 'indispensável' que saia ainda nesta quinta-feira.

    'Não é indispensável que saia hoje, mas é bom que saia mais cedo. Primeiro que vocês ficam mais tranquilos e eu também. É importante, é o tal negócio, vai ter que acontecer e se acontecer logo melhor', disse ele, que anteriormente chegou a ser confirmado para ocupar a Defesa e depois foi deslocado para o GSI, pasta que tem gabinete no Palácio do Planalto.

    O general da reserva disse que não está determinado que o próximo ministro da Defesa será de outra Força Armada que não o Exército -- origem do atual ocupante da pasta, o também general Joaquim Luna e Silva. 'O que se busca é esse equilíbrio, porque essa diversidade de opiniões é importante. As Forças têm visões diferentes, até estratégicas. Então quando há um problema que chega e tem que ser discutido pelas três Forças, se o ministério da Defesa estiver presente facilita a discussão', avaliou.

    Heleno afirmou que à frente do GSI deverá dar continuidade ao trabalho desenvolvido e que não vai 'inventar a roda'. 'Estou tomando pé, ainda não vi minha mesa, meu gabinete. Não vi nada ainda. Estou no vestiário, botando camisa, chuteira, para poder entrar em campo. Então, não tenho muito o que comentar', disse.

    (Edição de Pedro Fonseca)

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    General Heleno assumirá Gabinete de Segurança Institucional no governo Bolsonaro

    BRASÍLIA (Reuters) - O general da reserva do Exército Augusto Heleno foi confirmado nesta quarta-feira como ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro, e outro militar será escolhido para ocupar o Ministério da Defesa, como previsto inicialmente, informou nesta quarta-feira a equipe de transição do governo de Jair Bolsonaro.

    Mais cedo, o vice-presidente eleito, general da reserva Hamilton Mourão, havia dito que Bolsonaro deve escolher um nome da Marinha para ocupar a Defesa, hoje comandado pelo general da reserva do Exército Joaquim Silva e Luna.

    “O general Heleno é uma cabeça brilhante que não pode ser desperdiçada”, disse Mourão ao chegar para uma reunião no Centro Cultural do Banco do Brasil, onde trabalha a equipe de transição.

    Ao ser questionado sobre possíveis nomes, Mourão informou que Bolsonaro está pensando em “alguém da Marinha” para ter equilíbrio entre as forças.

    Atualmente, os generais que compõe a equipe do governo são todos do Exército. Além de Mourão e Heleno, estão o general da reserva Oswaldo Ferreira, que deve ser indicado ministro da Infraestrutura. Além do próprio Bolsonaro, capitão da reserva.

    Mourão afirmou ainda que o presidente eleito irá trocar os comandantes das três forças ao assumir a presidência. Segundo ele, um movimento normal com a mudança de governo.

    Segundo o general, o presidente eleito irá manter a tradição de indicar o oficial mais velho de cada força para o cargo.

    Apesar de essa não ser uma regra, tem sido normalmente a norma desde o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi quebrada em 2015 pela então presidente Dilma Rousseff, que optou por nomes que não tivessem envolvimento com a ditadura de 1964. Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército, era, por exemplo, o terceiro mais velho na força.

    Nivaldo Rossato, comandante da Aeronáutica, era o quarto mais antigo, e o almirante Eduardo Bacellar Leal, da Marinha, o segundo mais antigo.

    (Por Lisandra Paraguassu; Reportagem adicional de Ricardo Brito)

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    Bolsonaro não vai a debate por ameaça de 'atentado terrorista', diz general Heleno em vídeo

    Por Ricardo Brito

    BRASÍLIA (Reuters) - O general da reserva do Exército Augusto Heleno afirmou em vídeo divulgado na tarde desta quinta-feira no Twitter que o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, não vai comparecer a debates antes do segundo turno das eleições porque há uma ameaça de ele ser alvo de um 'atentado terrorista' que estaria sendo articulado por uma 'organização criminosa'.

    O vídeo com a fala de Heleno foi divulgado no Twitter numa conta intitulada 'General Mourão', em referência ao candidato a vice-presidente da chapa, o também general da reserva do Exército Hamilton Mourão. A Reuters, contudo, não conseguiu contato com o candidato a vice para atestar que a conta é dele.

    Segundo Heleno, um dos principais integrantes da campanha de Bolsonaro e já anunciado por ele como futuro ministro da Defesa, caso eleito, há uma 'recomendação de que toda vez que fosse sair de casa fizesse um vasculhamento no entorno da casa dele e jamais saísse de casa com hora marcada'.

    'Então, o comparecimento ao debate, que muita gente está vinculando ao medo de ele sair ou de debater com o (Fernando) Haddad, não se trata disso. Ele está realmente ameaçado, não é um mero tiro de snipper, é um atentado terrorista onde tem uma organização criminosa --que não vou citar o nome por motivos óbvios-- envolvida, comprovada por mensagens, por escutas telefônicas, então isso é absolutamente verídico', disse.

    O debate da TV Globo --líder de audiência no país --estava previsto para ocorrer na sexta-feira, mas foi cancelado diante do anúncio do não comparecimento de Bolsonaro, líder com folga das pesquisas de intenção de voto.

    Além de Mourão, a Reuters também tentou entrar em contato com o general Heleno a fim de obter detalhes sobre as declarações, mas também não conseguiu.

    INVESTIGAÇÃO

    No início do mês passado, Bolsonaro foi alvo de um atentado à faca em uma agenda de campanha em Juiz de Fora (MG) e ficou três semanas hospitalizado se recuperando de cirurgias às quais foi submetido.

    Após investigações feitas pela Polícia Federal, o Ministério Público Federal denunciou Adélio Bispo de Oliveira por crime previsto na Lei de Segurança Nacional pela prática de 'atentado pessoal por inconformismo político'.

    O presidente do PSL, Gustavo Bebianno, já disse publicamente que o relatório das investigações sobre o atentado ao presidenciável indica a ligação do crime com a facção criminosa PCC. Um novo inquérito foi aberto para apurar ligações de outras pessoas com o atentado.

    “Todos os dias recebemos informes, em relação ao PCC, há uma investigação que está sendo feita. Há fortes indícios. A investigação corre em sigilo. O pouco de informações que nós temos já são informações suficientes para que haja um cuidado redobrado”, disse ele, na terça-feira.

    O presidente do PSL também já afirmou haver riscos de Bolsonaro sofrer novos atentados, por isso a decisão de não permitir que o candidato participe de eventos de campanha.

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    Bolsonaro vai ter que tomar 'algumas medidas impopulares', diz general aliado

    Por Ricardo Brito

    BRASÍLIA (Reuters) - O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, vai ter que tomar 'algumas medidas impopulares' caso seja eleito para o comando do país e já há um diagnóstico na campanha de que será necessário propor reformas para o país sair da atual situação em que se encontra, disse nesta segunda-feira o general da reserva do Exército Augusto Heleno.

    'Se Bolsonaro se eleger, vamos ter que adotar algumas medidas impopulares. Qualquer um que se eleja presidente vai ter que fazer reformas', disse Heleno à Reuters.

    O general, que chegou a ser cotado para vice do candidato do PSL, atualmente tem ajudado na formulação de propostas para a campanha de Bolsonaro. Ele reuniu-se na manhã desta segunda em Brasília com o economista Paulo Guedes, cotado para ser o ministro da Fazenda do presidenciável do PSL.

    Heleno não quis revelar detalhes da conversa com Guedes, mas afirmou que está sendo feito um diagnóstico da situação econômica do país, que acaba por ter impacto em várias outras áreas, como educação e infraestrutura. Disse que o grupo, no momento, tem trabalhado na coleta de números para se chegar a uma verdadeira radiografia da situação, lançando dúvidas sobre os dados atuais.

    'O governo todo está aparelhado. Os números que saem do governo não são confiáveis. O PT aparelhou desde o faxineiro até o presidente da República', afirmou.

    SEGUNDO TURNO

    Heleno disse ser 'natural' que a candidatura de Bolsonaro receba apoio de partidos que atualmente estejam coligados com a campanha do candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Disse que não sabe se já há conversas nesse sentido, ao destacar que tem cuidado da parte de elaboração de propostas de um eventual governo.

    'Isso é natural, é histórico, na hora que se está no segundo turno, cada um cuida para ficar debaixo da árvore', disse ele, numa referência a um eventual apoio de outros partidos à chapa de Bolsonaro, atualmente composta apenas por dois partidos pequenos, o PSL, de Bolsonaro, e o PRTB, do candidato a vice e também general da reserva do Exército, Hamilton Mourão.

    Heleno disse também que foi consultado sobre a participação de Mourão no lugar de Bolsonaro em debates televisivos, mas destacou que uma decisão sobre isso depende da condição física do candidato do PSL, que se recupera após duas cirurgias de uma atentado a faca em um ato de campanha em Juiz de Fora (MG).

    'A recuperação é lenta, apesar de ele ser muito forte', disse o general, ao destacar que não há 'nada planejado'.

    Contido, Heleno não quis falar sobre os resultados de recentes pesquisas de intenção de voto que mostram Bolsonaro ampliando a liderança isolada na corrida presidencial. Ao contrário de outros aliados de Bolsonaro, ele também preferiu não vaticinar uma eventual vitória de Bolsonaro ainda no primeiro turno.

    'Difícil prever, se você prevê e erra, vão te sacanear para o resto da vida', brincou.

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    Mourão vai acabar sendo 'protagonista' durante recuperação de Bolsonaro, diz general aliado

    Por Ricardo Brito

    BRASÍLIA (Reuters) - O general da reserva do Exército Augusto Heleno afirmou nesta segunda-feira à Reuters que o candidato a vice-presidente de Jair Bolsonaro (PSL), o também general da reserva do Exército Hamilton Mourão (PRTB), vai acabar sendo 'protagonista' na atual fase da corrida eleitoral até que o cabeça de chapa se recupere do esfaqueamento e volte a participar da campanha.

    'Naturalmente, o general, sendo candidato a vice, ele vai acabar sendo protagonista dessa fase da campanha até que o Bolsonaro possa participar disso aí', disse Heleno.

    'Natural que o Mourão tenha participação ativa', acrescentou Heleno, que chegou a ser cotado para vice do candidato do PSL, mas atualmente tem ajudado na formulação de propostas para a campanha de Bolsonaro.

    O candidato do PSL --líder das pesquisas de intenção de voto ao Palácio do Planalto nos cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, barrado pela Lei da Ficha Limpa-- está hospitalizado desde quinta-feira para se recuperar das lesões que sofreu após ter sido esfaqueado em ato de campanha em Juiz de Fora (MG).

    Não há previsão, entretanto, de alta médica para Bolsonaro, o que começou a suscitar discussões sobre quem vai representá-lo nas agendas de campanha.

    Questionado se seria o caso de o candidato a presidente ser substituído pelos filhos em eventos, Heleno disse considerar que é 'natural' alguma participação deles. Ele citou o fato de que os filhos de Bolsonaro são políticos e também foram 'emocionalmente' afetados com o atentado.

    'Não acho difícil administrar isso não (quem vai representar Bolsonaro). Os interesses serão conciliados', disse, ao considerar que seria 'muita baixeza' haver disputa sobre essa questão no momento.

    Heleno disse estar trabalhando com uma espécie de plano de intenções sobre um possível governo Bolsonaro, contendo linhas mestras sobre tópicos que poderiam ser discutidos por futuros ministros. Mas ele ressalvou que isso não vai ser imposto a ninguém. Nos próximos dias, ele deve se reunir com Mourão para discutir essas sugestão.

    'HISTÓRIA NÃO FECHA'

    O general da reserva afirmou que confia plenamente nas investigações que estão sendo feitas pela Polícia Federal sobre o atentado contra Bolsonaro. Disse haver indícios de que não teria sido uma iniciativa individual do autor ao exemplificar o fato de o autor ser representado por quatro advogados mesmo sem aparentar ter condições financeiras para custear a defesa.

    'A história não fecha. A Polícia Federal tem todos os meios para confirmar ou não essa versão', disse Heleno, para quem, no momento, considera 'especulação' a versão de que ele seria desequilibrado e agiu sozinho.

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    PRP barra indicação de general Augusto Heleno para vice na chapa de Bolsonaro

    Por Ricardo Brito

    BRASÍLIA (Reuters) - O general da reserva do Exército Augusto Heleno afirmou nesta quarta-feira, em entrevista à Reuters, que o Partido Republicano Progressista (PRP) barrou a indicação dele para ser o candidato a vice na chapa encabeçada pelo pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro, do PSL.

    Bolsonaro chegou a afirmar, em evento público no interior paulista na noite de terça-feira, que até esta quarta-feira iria anunciar o nome de Heleno como seu colega de chapa, segundo relato feito pelo presidente do PSL em São Paulo, o deputado federal Major Olímpio.

    No entanto, Heleno disse que na noite de terça-feira a cúpula do PRP, ao qual é filiado, se reuniu com ele em Brasília e definiu que o plano principal da legenda para a eleição de outubro é eleger deputados federais como forma de aumentar o tamanho do fundo partidário e o tempo de rádio e TV que o partido tem.

    Segundo o general, não houve qualquer mal estar pelo fato de o pré-candidato do PSL tê-lo anunciado antecipadamente e não foi colocada nenhuma restrição ao nome dele, mas, segundo a decisão da legenda, ser companheiro de chapa de Bolsonaro não iria acrescentar em nada aos objetivos do PRP.

    'O partido não tem interesse em abraçar uma candidatura a vice', disse Heleno à Reuters.

    O general afirmou que, logo após a decisão da cúpula do PRP, telefonou para Bolsonaro avisando-lhe que não seria companheiro de chapa dele. Heleno disse que não se sentia frustrado com a decisão da legenda.

    'Não tirou um minuto do meu sono. Era uma missão que poderia ou não acontecer', disse. 'Tenho a minha vida construída em cima de cargos conquistados pelos meus méritos', completou.

    Heleno é filiado ao PRP do Distrito Federal e ficou nacionalmente conhecido por ter sido o primeiro comandante da força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, missão de paz que teve a liderança militar do Brasil.

    O general disse que não vai se candidatar a outro cargo eletivo em outubro, mas pretende continuar a ajudar na campanha de Bolsonaro. Questionado se assumiria um eventual ministério na gestão dele --foi cotado para a pasta da Defesa--, ele disse que não adianta pensar nisso agora. 'Tem que ganhar antes', afirmou.

    A pré-candidatura de Bolsonaro --líder nas pesquisas de intenção de voto nos cenários sem a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que está preso e deve ser barrado de concorrer pela Lei da Ficha Limpa-- não conta com nenhum partido aliado até o momento.

    Por enquanto a legenda de Bolsonaro vai dispor de apenas 8 segundos do tempo do rádio e TV em um bloco na campanha eleitoral de 12 minutos e 30 segundos. Aliados do candidato, contudo, minimizam essa ínfima presença na TV e apostam na forte presença dele nas redes sociais durante a campanha.

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    Bolsonaro deve anunciar na 4ª general da reserva como candidato a vice, diz deputado

    BRASÍLIA (Reuters) - O pré-candidato do PSL ao Palácio do Planalto, o deputado federal Jair Bolsonaro (RJ), deve anunciar até a quarta-feira o general do Exército da reserva Augusto Heleno (PRP) como seu companheiro de chapa na disputa, afirmou à Reuters o presidente do PSL em São Paulo, o também deputado federal Major Olímpio.

    Segundo Olímpio, Bolsonaro afirmou nesta terça-feira, durante evento no Vale do Ribeira, no interior paulista, que 'ainda hoje ou amanhã' Heleno será anunciado como o vice.

    O pré-candidato do PSL ao Planalto tentou nos últimos dias fechar um acordo para ter o senador Magno Malta (PR-ES) como companheiro de chapa a fim de aumentar o tempo de rádio e TV a que terá direito na propaganda eleitoral.

    Sozinho, o PSL de Bolsonaro tem apenas 8 segundos durante a campanha em blocos de 12 minutos e 30 segundos. O PRP não tem deputado federal e, dessa forma, sua contribuição para o tempo de TV de Bolsonaro deve ser praticamente nula.

    Olímpio disse que Malta não aceitou ser vice de Bolsonaro --optou por buscar mais um mandato ao Senado-- e também o partido dele, o PR, quis impor condicionantes para fechar uma aliança formal com o PSL.

    Segundo Olímpio, o PR queria que, nas disputas a cargos proporcionais no Rio e em São Paulo (disputa a deputado federal, por exemplo), houvesse um acerto que privilegiasse as candidaturas dos membros do PR em detrimento dos nomes do PSL. Lideranças do PR pretendiam usar essa aliança com Bolsonaro para aumentar o tamanho da bancada no Congresso.

    Olímpio afirmou que ninguém da direção do PSL topou esse acerto. 'Se o problema for ter tempo de TV e abandonarmos os nossos, não terá valido a pena a eleição. Vamos vencer com 10 segundos, do jeito que for, mas com dignidade', disse.

    Heleno é filiado ao PRP do Distrito Federal e ficou nacionalmente conhecido por ter sido o primeiro comandante da força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, missão de paz que teve a liderança militar do Brasil.

    (Reportagem de Ricardo Brito)

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