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    Onyx diz que campanha de Bolsonaro não se deixará levar por pesquisas eleitorais

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - O deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), indicado para ser ministro da Casa Civil, caso o líder nas pesquisas Jair Bolsonaro (PSL) vença o segundo turno da eleição presidencial no dia 28 de outubro, disse que a campanha do ex-capitão do Exército não se deixará levar pelos resultados de pesquisas que mostram ampla vantagem dele sobre o petista Fernando Haddad.

    Segundo Onyx, desde antes do primeiro turno havia uma desconfiança da campanha do PSL com o resultado das pesquisas de intenção de voto, e não vai ser agora, quando os levantamentos mostram vantagem sobre Haddad no segundo turno, que eles irão enaltecer os números das sondagens.

    Pesquisa Ibope divulgada na segunda-feira mostrou Bolsonaro com 59 por cento dos votos válidos, contra 41 por cento de Haddad.

    “Não ganhamos nada e trabalhamos em toda campanha com princípio, valores e muita humildade. Todos os dias botamos o joelho no chão, agradecemos e pedimos proteção. Vamos vencer a eleição se for a vontade do povo brasileiro”, disse Onyx a jornalistas.

    “Assim como nós tínhamos críticas nas primeiras pesquisas, não é agora que a gente não sabe se elas estão sendo ajustadas ou não que vamos valorizar”, acrescentou.

    Mais cedo, após visitar a sede da Polícia Federal, no Rio de Janeiro, Bolsonaro deu um tom mais otimista e afirmou que já estava com a mão na faixa presidencial. Disse que dificilmente Haddad conseguiria reverter uma diferença tão grande faltando tão pouco tempo para a votação de 28 de outubro.

    “Nós estamos com uma mão na faixa, é verdade. Pode até não chegar lá, mas estamos com uma mão na faixa. Ele não vai tirar 18 milhões de votos de agora até daqui a dois domingos”, disse Bolsonaro a jornalistas.

    Lorenzoni pediu para que todos os eleitores de Bolsonaro trabalhem pela candidatura do ex-capitão do Exército que a a eleição dele se concretize.

    (Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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    Onyx indica que Bolsonaro não deve participar de debates no segundo turno

    BRASÍLIA (Reuters) - O deputado federal reeleito e cotado para assumir o Ministério da Casa Civil no eventual governo de Jair Bolsonaro (PSL), Onyx Lorenzoni (DEM-RS), indicou nesta terça-feira que o presidenciável não deve participar de debates neste segundo turno, devido a complicações das cirurgias por que passou para se recuperar do atentado à faca no início de setembro.

    Ao ser perguntado sobre o fato de Bolsonaro ter feito agendas de campanha ao mesmo tempo em que evitava participar de debates, Onyx --um dos coordenadores da campanha do ex-capitão do Exército-- saiu em defesa do candidato e destacou que uma coisa é falar por 20 minutos, outra por duas horas.

    'Quer que eu fale em bom português? Um cara colostomizado peida, fede, no meio de um debate político, acha adequado isso?', afirmou a jornalistas na Câmara dos Deputados. 'Viu o laudo médico? Já entrou no Google pra ver o que é colostomizado? Então olha e pergunta pra ti mesmo se uma pessoa assim pode ir a um debate televisivo', completou.

    A facada sofrida por Bolsonaro causou lesões em seus intestinos grosso e delgado e em uma veia abdominal. Ele passou por uma colostomia, procedimento em que uma bolsa externa é atrelada ao intestino do paciente. Posteriormente, o ex-capitão terá de passar por nova cirurgia para reverter a colostomia.

    O adversário do presidenciável do PSL, o petista Fernando Haddad, tem criticado duramente Bolsonaro ao avaliar que ele foge dos debates.

    Segundo Onyx, Bolsonaro está há três anos e meio expondo suas ideias e propostas Brasil afora, visitando locais onde a imprensa não tem ido. 'Conquistou tudo que conquistou, tem que dizer mais o quê?', questionou.

    Para o deputado reeleito, a participação em debates televisivos perdeu relevância no país.

    'Está todo mundo aqui fazendo uma conversa no sentido de que desumanamente um cidadão que escapou da morte, já fez dois procedimentos cirúrgicos, tem que ir a um debate televisivo que não resolve nada. Acabou! O jeito normal de se fazer política no Brasil, televisão, partido, palanque estadual, dinheiro e debate televisivo, acabou, não resolve mais eleição', avaliou.

    Onyx destacou ainda que Bolsonaro tem aparecido rapidamente em eventos e que não deve deixar o Rio de Janeiro até o dia do segundo turno das eleições, no dia 28 de outubro.

    (Reportagem de Ricardo Brito)

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    ENTREVISTA-Eventual governo Bolsonaro terá novo modelo de Orçamento, diz Onyx

    Por Maria Carolina Marcello e Anthony Boadle

    BRASÍLIA (Reuters) - Uma vez vitorioso nas urnas, Jair Bolsonaro (PSL) implantará um governo “constitucional”, com equilíbrio fiscal e adotará o conceito do Orçamento base zero para 2020, afirmou nesta terça-feira o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), futuro ministro da Casa Civil no eventual governo.

    “Para o orçamento de 2020 nós vamos tentar construir com base no orçamento base zero”, disse o deputado à Reuters, explicando que atualmente o orçamento é constituído a partir de dados do ano anterior.

    “Nós vamos trazer o objetivo de ter meta, de ter métricas para medir se o desempenho foi bem feito, e vamos revisar a forma de constituição do exercício do orçamento, diferente do que é hoje”, afirmou, sem dar detalhes de como isso será feito.

    O conceito do orçamento zero determina que os gastos têm de ser justificados do zero a cada ano. Atualmente, o orçamento é programático com elementos incrementais. Isso significa que, na prática, são feitos cortes ou acréscimos em destinações já instituídas no passado, o que tende, na visão de críticos, a eternizar programas mesmo quando há uma mudança drástica de cenário econômico ou quando eles perdem a razão de ser.

    O parlamentar, que participou das articulações e contagem de votos para o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), calcula que o governo de Bolsonaro poderá contar, já de início, com uma base entre 310 e 320 deputados.

    Braço direito de Bolsonaro, Onyx explica que em julho seu candidato contava com o apoio de 110 deputados. Pouco dias depois, ainda antes do recesso parlamentar, a lista já havia crescido para 142. Depois, com a adesão da Frente Parlamentar Mista da Agropecuária (FPA), trouxe ainda mais de 200 de seus integrantes, segundo ele.

    Onyx admite que pode haver contagem “dobrada” de nomes que já apoiavam o candidato e integram a FPA. As frentes parlamentares são extintas ao fim de cada legislatura, mas podem ser recriadas na seguinte, com os novos integrantes do Congresso.

    A estratégia, explica o deputado, será construir maiorias a partir de demandas de determinados grupos, como as bancadas do agronegócio, a religiosa e a ligada à segurança pública. Também utilizará projetos locais que rendam dividendos políticos aos apoiadores.

    “Vamos construir uma maioria muito parecida com o que é feito na Alemanha, na Espanha e na Inglaterra. Claro, são países parlamentaristas, que tem partidos sólidos, é diferente. Mas normalmente a maioria, ela também se reforça em cima de projetos estruturantes estaduais ou demandas de grupos específicos, como por exemplo a agricultura, que quer o respeito ao direito de propriedade no Brasil”, afirmou.

    “Então com base nesses projetos estruturantes para o Estado, como por exemplo uma grande rodovia, ou uma hidrelétrica, ou um porto, ou um aeroporto, os parlamentares aliados ao governo serão reconhecidamente como aqueles que são os padrinhos daquela obra.”

    Uma das ideias a ser implementada deve agradar, justamente, a bancada do agronegócio e diz respeito à desburocratização. Segundo o parlamentar, será conferida fé pública ao cidadão brasileiro.

    “O que o cidadão disser é verdadeiro. Nós vamos acabar com certidão, credencial, autorização. O cidadão passa a ter fé pública até que o Estado prove que ele está errado. A gente inverte uma prática mais do que secular na América Latina.”

    IRRELEVANTE

    Ao fazer uma leitura do tsunami de votos que Bolsonaro e seus apoiadores angariaram no primeiro turno das eleições, Onyx avaliou que as urnas mandaram um recado claro e levaram por água abaixo o “manual” eleitoral tradicional para se vencer uma eleição.

    Segundo ele,  Bolsonaro desconstruiu a lógica segundo a qual seria necessário ter muito dinheiro, coligações amplas e tempo de televisão para produzir uma candidatura vitoriosa, assim como negou a necessidade de um marqueteiro de renome ou de estruturas partidárias com boa capilaridade no país.

    “No manual de como ganhar uma candidatura presidencial no Brasil, todos os alunos e professores de Ciência Política, de Marketing, de Publicidade e Propaganda e Jornalismo, vão ter que revisar os seus conceitos, porque ele derrubou todos eles”, sustentou.

    Sobre a participação de Bolsonaro em viagens e debates nestes últimos dias de campanha, Onyx lembrou da condição de saúde do candidato, colostomizado após um ataque a faca no início de setembro em Juiz de Fora (MG). A segurança do presidenciável também preocupa sua equipe.

    O deputado defendeu que os debates presidenciais não têm a influência que se imagina na definição da eleição e argumentou que Bolsonaro vem fazendo campanha há mais de três anos.

    “Os debates perderam relevância. Debates no Brasil, o primeiro turno provou que eles não têm relevância na definição”, disse. “Eu já fui candidato majoritário. Ganhei os debates, mas perdi a eleição. Isso resolve o quê? Nada.”

    “Ele gosta de debate, ele quer ir. Agora, nós temos que primeiro pensar na saúde dele. Como faz um homem que tem uma bolsa onde literalmente as fezes vão para a bolsa. E se ele está no meio do debate? Como faz? Como isso fica emocionalmente para quem está debatendo? Sai uma flatulência que é captada pelo microfone... como faz?”, argumentou.

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