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    Autoridades da Nicarágua mataram, prenderam e torturaram pessoas, diz ONU

    Por Stephanie Nebehay

    GENEBRA (Reuters) - A polícia e autoridades da Nicarágua mataram e prenderam pessoas sem o devido processo legal e cometeram torturas, denunciou o escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira, pedindo o fim dos episódios de violência que deixaram estimados 280 mortos desde abril.

    Em abril foram deflagrados protestos contra um plano do presidente Daniel Ortega de reduzir benefícios dos aposentados. O governo recuou, mas sua reação violenta às manifestações provocou um protesto mais amplo contra a gestão Ortega.

    O presidente é um ex-líder guerrilheiro marxista que está no poder desde 2007, também tendo governado o país entre 1979 e 1990.

    'Uma ampla gama de violações de direitos humanos está sendo cometida, inclusive execuções extrajudiciais, torturas, detenções arbitrárias e a recusa ao direito de livre expressão das pessoas', disse o porta-voz de direitos humanos da ONU, Rupert Colville, em um boletim à imprensa.

    O saldo incluiu ao menos 19 policiais, disse, acrescentando que os relatos vêm de agentes de direitos humanos no país e que têm como pano de fundo a ausência do Estado de Direito.

    'A grande maioria das violações é do governo ou de elementos armados que parecem estar trabalhando conjuntamente com ele', disse Colville à Reuters, acrescentando que os manifestantes são em sua maioria pacíficos, mas que alguns andam armados.

    Na segunda-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que grupos ligados ao governo da Nicarágua estão usando força letal 'inaceitável' contra os cidadãos, e pediu o fim da violência.

    O escritório de direitos humanos da ONU exortou o governo da Nicarágua a prestar informações sobre dois ativistas desaparecidos desde que foram detidos no aeroporto na semana passada e a abrir todas as prisões para monitores.

    Os ativistas Medardo Mairena e Pedro Mena foram detidos pela polícia no aeroporto de Manágua na sexta-feira, e as autoridades não disseram às suas famílias onde eles estão, apesar de solicitações judiciais, disse Colville.

    Mais tarde nesta terça-feira, autoridades de direitos humanos da ONU tiveram acesso a uma prisão da capital, La Modelo, o que pode ser 'um pequeno avanço', afirmou. Mas elas querem visitar a prisão de El Chipote, também na capital, onde estão sendo mantidos muitos dos detidos, segundo ele.

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    Ex-chefe de campanha de Trump é mandado para prisão por juíza dos EUA

    Por Sarah N. Lynch e Warren Strobel

    WASHINGTON (Reuters) - Uma juíza federal dos Estados Unidos condenou Paul Manafort à prisão, depois de ele ser acusado de adulteração de testemunhas, no mais recente episódio da queda de um homem que comandou a campanha do presidente dos EUA, Donald Trump, em 2016.

    Manafort, um operador político de longa data e empresário, tem sido foco da investigação do procurador especial Robert Mueller sobre o papel da Rússia na eleição presidencial de 2016 nos EUA.

    Manafort foi indiciado em Washington e na Virgínia por uma série de acusações principalmente financeiras, incluindo conspiração para lavar dinheiro e fraudar os Estados Unidos.

    Ele estava em confinamento domiciliar em Alexandria, na Virgínia, e fora obrigado a usar dispositivo de monitoramento eletrônico. Mas na semana passada Mueller fez uma nova acusação, de adulteração de testemunhas.

    Manafort se declarou inocente dessa acusação nesta sexta-feira, mas a juíza distrital norte-americana Amy Berman Jackson, em Washington, revogou sua fiança, mandando-o para a cadeia.

    Eu não tenho desejo disso , disse a juíza. Mas no final, eu não posso fechar os olhos. Você abusou da confiança depositada em você , acrescentou.

    Manafort virou-se brevemente para acenar para sua esposa na primeira fila antes de sair por uma porta nos fundos do tribunal, segundo testemunhas da corte.

    Mueller, cuja investigação tem ofuscado a Presidência de Trump, está investigando se a campanha do presidente em 2016 colaborou com Moscou e se Trump tentou ilicitamente obstruir a investigação. Trump chamou a investigação de Mueller de uma caça às bruxas e nega ter cometido erros.

    Especialistas jurídicos disseram que Mueller quer continuar a pressionar Manafort para se declarar culpado e ajudar os promotores com a investigação.

    Manafort presidiu a campanha de Trump por apenas dois meses, antes de renunciar em agosto de 2016, após uma reportagem de que recebeu pagamentos possivelmente ilegais do partido político do ex-presidente pró-russo da Ucrânia.

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    'Isolamento total': parlamentar de oposição conta sobre tempo em prisão venezuelana

    Por Fabian Cambero e Angus Berwick

    CARACAS (Reuters) - Um ano e meio no temido sistema prisional venezuelano, privado de comida e água, levaram o parlamentar de oposição Gilber Caro a perder 18 quilos, cerca de um quinto de seu peso total, segundo relato do próprio.

    Em um determinado momento, Caro diz ter usado agulha e linha para costurar seus lábios para uma greve de fome de cinco dias, em protesto contra as péssimas condições. Autoridades prisionais negam esse relato, que não pôde ser confirmado independentemente pela Reuters.

    Agora, o político de 43 anos, que foi libertado da prisão no início de junho juntamente com outros ativistas de oposição, disse que pretende denunciar as táticas empregadas pelo governo do presidente Nicolás Maduro, apesar dos libertados serem proibidos de falarem com a imprensa. 

    Maduro libertou dezenas de membros da oposição em um gesto de paz após sua reeleição para um novo mandato de seis anos no mês passado, fato que foi condenado pela maioria dos países ocidentais como uma farsa não democrática. Os Estados Unidos impuseram novas sanções à fundamental indústria de petróleo venezuelana. 

    Em entrevista, Caro, um membro da liderança do partido de oposição Vontade Popular, contou como as autoridades venezuelanas o transferiram entre solitárias em diferentes prisões para impedir que ele se sentisse acomodado. 

    Caro diz que recebeu pouca comida e água e foi impedido de ver membros de sua família ou advogados. Em sua primeira prisão na cidade de San Juan de Los Morros, no Estado de Guarico, Caro disse que ficou quatro meses sem poder falar com ninguém. 

    O que eu experimentei foi isolamento total , disse Caro, com seu rosto abatido pela perda de peso. 

    Grupos de direitos humanos e de oposição dizem que o governo Maduro está mantendo centenas de presos políticos sob acusações falsas com a intenção de reprimir as correntes divergentes no país de 32 milhões de pessoas. O sistema judiciário também é acusado de assumir um viés governamental. 

    O governo nega que os detidos são prisioneiros políticos dizendo que eles foram justamente presos por cometerem crimes violentos durante os protestos. 

    Enquanto outros detidos reclamaram do tratamento recebido, os comentários de Caro à Reuters foram os relatos mais detalhados sobre as condições de detenção desde que o governo começou a libertar dezenas de prisioneiros no dia 1º de junho. 

    Caro disse que manteve sua greve de fome em outra prisão no Estado central de Carabobo ao costurar seus lábios depois de nove meses atrás das grades. A experiência o deixou com problemas nos rins, afirmou. 

    Caro pesava menos de 58 quilos ao sair da prisão, segundo seu advogado Ramon Carmona. Um oficial na prisão de Carabobo disse que não estava autorizado a falar e pediu que os comentários fossem requisitados ao Ministério das Prisões. 

    Um porta-voz para o Ministério das Prisões da Venezuela, Franklin Suárez, negou que Caro e outros presos tivessem sido mal-tratados na prisão, descrevendo o relato de Caro como completamente falso . 

    Suárez confirmou que Caro fez uma greve de fome mas disse que ele parou depois de quatro dias por ter visto que era absurda . Ele negou que Caro tenha costurado os lábios e disse que não há agulhas na prisão. 

    As prisões superlotadas e sem lei da Venezuela são conhecidas pelo fácil acesso a contrabando de drogas, armas, computadores e telefones celulares, dizem grupos de direitos humanos. Centenas morrem todos os anos em rebeliões e brigas de gangues.

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