Taxas dos contratos de DI caem no Brasil com chances maiores de BC antecipar corte dos juros
Taxas dos contratos de DI caem no Brasil com chances maiores de BC antecipar corte dos juros
Reuters
15/03/2023
SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros recuaram no Brasil, em meio à expectativa de que o Banco Central poderá ser levado a reduzir a Selic mais rapidamente do que o esperado em função da crise que atingiu bancos norte-americanos e, nesta quarta-feira, o europeu Credit Suisse, elevando os receios de contágio para todo o sistema.
Após os norte-americanos Silicon Valley Bank e Signature Bank serem liquidados, nesta quarta-feira foi a crise do Credit Suisse que disparou a busca por ativos de menor risco em todo o mundo.
Nos Estados Unidos, um dos efeitos foi a queda dos retornos dos Treasuries, com a leitura de que, para evitar danos maiores ao setor bancário, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) será obrigado a eventualmente não subir os juros básicos ou mesmo a cortá-los na semana que vem segundo algumas apostas minoritárias, a despeito da inflação.
No Brasil, agentes do mercado avaliaram que, assim como o Fed, o Banco Central pode ser levado a reduzir a Selic mais cedo para conter eventual crise. A princípio, a expectativa majoritária do mercado era de que o BC começasse a reduzir a taxa básica apenas nos últimos meses do ano.
'Os investidores estão vendo uma chance real de o BC antecipar o ciclo de corte de juros, que se espera mais para o fim do ano. Isso ocorre por conta da preocupação com a crise no setor bancário mundial, que começou nos EUA e agora está surgindo também na Europa, embora por motivos distintos”, comentou o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno.
As ações do segundo maior banco da Suíça chegaram a afundar mais de 30% nesta sessão, após o seu maior investidor, o Saudi National Bank, afirmar que não poderia fornecer mais assistência financeira por restrições regulatórias.
A crise do Credit Suisse revigorou os temores de que o mundo possa enfrentar uma crise de crédito, o que teria como resultado uma forte contração da economia. Neste cenário, conforme Rostagno, o BC poderia antecipar o corte da Selic, atualmente em 13,75% ao ano
“É pouco provável um corte da Selic já na próxima semana, mas tudo depende de como o cenário vai evoluir. Se este nível de estresse perdurar até a semana que vem, o BC pode ser compelido a agir imediatamente”, ponderou.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2024 estava em 12,96%, ante 13,057% do ajuste anterior. Já a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 12,06%, ante 12,221%. A taxa para janeiro de 2027 estava em 12,515%, ante 12,581% do ajuste anterior.
A curva de juros precificava, perto do fechamento, 10% de chances de a Selic ser cortada em 0,25 ponto porcentual, para 13,50% ao ano, no encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC da semana que vem. Havia ainda 90% de chances de a Selic seguir em 13,75% ao ano.
Nos EUA, os retornos dos Treasuries seguiam em baixa neste fim de tarde.
Às 16:45 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 15,10 pontos-base, a 3,4847%.
(Por Fabrício de Castro)
Reuters

