Taxas futuras curtas de juros caem após IPCA elevar expectativa de corte da Selic em agosto
Taxas futuras curtas de juros caem após IPCA elevar expectativa de corte da Selic em agosto
Reuters
07/06/2023
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros de curto prazo fecharam a quarta-feira em queda, na esteira dos dados de inflação abaixo do esperado no Brasil, que reforçam a perspectiva de início de corte da Selic em agosto, enquanto as taxas dos vértices longos encerraram a sessão em alta, em sintonia com o avanço dos rendimentos dos Treasuries.
Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,23% em maio, depois de ter avançado 0,61% em abril. O resultado é o mais fraco desde setembro de 2022 (-0,29%) e ficou bem abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters, de avanço de 0,33%.
Com isso, o IPCA passou a acumular em 12 meses até maio taxa de 3,94%, contra 4,18% antes.
O dado do IPCA somou-se a um conjunto de outros indicadores de inflação que, recentemente, apontaram para o arrefecimento dos preços: IPCA-15, IGP-M e IGP-DI.
Em reação, a curva a termo precificava, na tarde desta quarta-feira, cerca de 80% de chances de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em sua reunião de agosto, cortar a taxa básica Selic em 0,25 ponto percentual. Os outros 20% precificam manutenção da taxa em 13,75% ao ano em agosto.
Para a reunião de junho, há apenas 10% de probabilidade de corte de 0,25 ponto.
“As opções de Copom já mostram uma nova perspectiva do mercado para a reunião de agosto, que antes projetava uma manutenção da taxa, porém agora já se precifica um corte de 0,25 ponto. Movimento este de corte que estava sendo precificado apenas para a reunião de setembro”, comentou Rodrigo Caetano, analista da Toro Investimentos, em mensagem a clientes.
O viés de baixa para as taxas futuras, trazido pelo IPCA, acabou sendo amenizado pelo exterior, onde os rendimentos dos Treasuries subiam após o Banco do Canadá elevar sua taxa básica de juros, pouco tempo depois de o BC da Austrália fazer o mesmo para conter a inflação.
No mercado, a leitura foi de que o Federal Reserve também poderá ser obrigado a subir novamente os juros para conter a inflação, ainda que os mantenha na faixa de 5,00% a 5,25% neste mês de junho.
“Após abrir pesada de ponta a ponta em reação ao IPCA de maio abaixo do esperado, a curva de juros passou a precificar não apenas o fortalecimento das apostas para corte na Selic em agosto, com consequente inclinação da curva, mas também o parrudo leilão do Tesouro, que ofertou montante expressivo em prefixados -- entre demais modalidades -- no dia de hoje”, disse Cleber Alessie Machado, gerente da mesa de Derivativos Financeiros da Commcor DTVM, em análise enviada a clientes.
“Paralelamente, potencializa a reviravolta nos vértices intermediários e longos dos juros a aceleração nos yields (rendimentos) dos Treasuries”, acrescentou.
Neste cenário, no fim da tarde a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para outubro de 2023 estava em 13,48%, ante 13,505 do ajuste anterior, enquanto a taxa para janeiro de 2024 estava em 13,1%, ante 13,132% do ajuste anterior. A taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 11,265%, ante 11,241%. Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2026 estava em 10,64%, ante 10,531% do ajuste anterior, e a taxa para janeiro de 2027 estava em 10,645%, ante 10,514%.
No exterior, os rendimentos dos Treasuries seguiam em alta no fim da tarde.
Às 16:42 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 9,30 pontos-base, a 3,7933%.
Reuters

