TOFU GANHA DESTAQUE EM ESTUDO QUE COMPARA 20 FONTES DE PROTEÍNA
Análise da Universidade de Cambridge colocou alimentos vegetais nas primeiras posições, mas os pesquisadores ressaltam que a classificação reúne critérios diferentes e não substitui as necessidades in
Bruna Valle
26/10/2026
Na hora de escolher uma fonte de proteína, o valor nutricional é apenas parte da história. O custo para colocar o alimento na mesa e os impactos de sua produção também podem fazer diferença.
Uma análise liderada por um pesquisador da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, reuniu esses fatores em uma classificação de 20 alimentos e colocou o tofu no primeiro lugar, à frente de opções como frango, peixe, ovos, carne bovina e queijos.
O levantamento utilizou um sistema chamado BPI Score, criado para comparar os benefícios para a saúde e os efeitos ambientais de diferentes fontes de proteína, considerando também o preço e a disponibilidade dos produtos. Depois do tofu, as melhores pontuações foram obtidas pelas sementes de chia, pelos feijões e pela quinoa.

Tofu ficou em primeiro lugar em uma análise que considerou saúde, custo e impacto ambiental (Getty Images)
O que fez o tofu chegar ao primeiro lugar?
O tofu é produzido a partir da soja e fornece os nove aminoácidos essenciais, substâncias que o organismo precisa obter pela alimentação. No estudo, o alimento também se destacou pelos baixos níveis de sódio e gordura saturada, além de apresentar bom desempenho nos critérios ambientais.
A análise considerou fatores como a emissão de gases de efeito estufa, a poluição da água, o uso do solo e o consumo de água doce. Para tornar a comparação mais equilibrada, os impactos foram calculados com base na quantidade de cada alimento necessária para fornecer 100 gramas de proteína.
Nesse modelo, o tofu alcançou 36 pontos de um total possível de 40. O resultado não significa que ele seja superior em todos os aspectos nutricionais a qualquer outro alimento, mas que teve o melhor desempenho geral dentro dos critérios definidos pelos pesquisadores.
Como o ranking foi elaborado
O sistema BPI divide a avaliação em duas grandes áreas. Uma considera os efeitos sobre o meio ambiente; a outra reúne características nutricionais e fatores que influenciam o acesso aos alimentos, como preço e disponibilidade no comércio.
Na parte nutricional, foram avaliados elementos como sódio, gordura saturada, colesterol e a presença dos nove aminoácidos essenciais. Já a análise ambiental levou em conta indicadores relacionados à produção dos alimentos e à pressão sobre os recursos naturais.
O levantamento colocou as seis primeiras opções no ranking entre os alimentos de origem vegetal. O peito de frango foi a fonte animal mais bem posicionada, em sétimo lugar, seguido pelo atum, em oitavo.
Quais alimentos ficaram entre os melhores e os últimos?
Além do tofu, sementes de chia, feijão e quinoa completaram as quatro primeiras posições. Sementes de girassol e lentilhas vieram logo depois, mostrando que diferentes alimentos vegetais podem contribuir para uma alimentação variada.
Na outra ponta da classificação, o queijo cheddar ficou em último lugar, com 13 pontos. Muçarela, carne de cordeiro e carne bovina também apareceram entre as posições finais. Isso não quer dizer que esses alimentos não tenham valor nutricional: o resultado reflete a combinação específica de saúde, custo e impacto ambiental adotada pelo estudo.
A pesquisa também não incluiu todas as fontes de proteína disponíveis. Portanto, o ranking deve ser entendido como uma comparação entre os 20 alimentos selecionados, e não como uma lista definitiva de todas as opções possíveis.


