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TRÊS MESES DE EXERCÍCIO JÁ PODEM MELHORAR O HUMOR

Estudo com adultos de 45 a 65 anos também encontrou alterações em indicadores relacionados à formação de neurônios no cérebro

Bruna Valle

21/09/2026

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Pesquisa encontrou melhora do humor e alterações em marcadores ligados à saúde após três meses de exercícios

Não é preciso esperar anos para perceber alguns efeitos da atividade física no cérebro. Um estudo clínico realizado com adultos de meia-idade encontrou melhora significativa do humor após apenas três meses de exercícios.

A pesquisa foi conduzida por cientistas do King's College London e acompanhou 52 pessoas saudáveis, entre 45 e 65 anos. Além de avaliar aspectos emocionais e cognitivos, os pesquisadores procuraram identificar possíveis alterações biológicas relacionadas ao funcionamento do hipocampo, região do cérebro envolvida principalmente com memória e aprendizagem.

Os resultados foram publicados na revista científica npj Aging.

O que mudou depois de três meses

Dos participantes, 27 fizeram uma combinação de exercícios aeróbicos e de resistência três vezes por semana durante três meses. Os outros 25 formaram um grupo de comparação, sem participar do programa de atividade física.

Ao final do período, quem se exercitou apresentou melhora significativa em indicadores relacionados ao humor em comparação com o grupo de controle.

Por outro lado, os pesquisadores não encontraram melhora significativa no desempenho cognitivo nas tarefas aplicadas durante o estudo.

Para a equipe, isso pode indicar que diferentes benefícios do exercício aparecem em ritmos distintos. Mudanças relacionadas à cognição, especialmente aquelas envolvendo o hipocampo, podem depender de mais tempo de treinamento ou de uma rotina de exercícios mais intensa.

Programa combinou exercícios aeróbicos e de resistência realizados três vezes por semana

Efeito observado em células ligadas ao cérebro

Uma das partes mais interessantes da pesquisa envolveu o sangue dos participantes.

Os cientistas coletaram amostras do grupo que praticou exercícios e utilizaram o soro em experimentos com células-tronco do hipocampo humano em laboratório. O objetivo era observar se havia algum sinal de alteração na capacidade dessas células de participar do processo de formação de novos neurônios.

Os resultados mostraram mudanças nesse comportamento celular após o período de exercícios. Os pesquisadores interpretam os achados como um possível sinal de que a atividade física interfere em mecanismos relacionados à neurogênese no hipocampo.

Isso, no entanto, não significa que o estudo tenha contado novos neurônios sendo produzidos diretamente no cérebro dos participantes. Os indicadores foram obtidos por meio de exames e experimentos laboratoriais e funcionam como medidas indiretas.

Por que o hipocampo é importante?

O hipocampo está diretamente envolvido em processos de memória e aprendizagem e é uma das regiões do cérebro adulto que mantém células-tronco capazes de dar origem a novos neurônios.

Com o envelhecimento, alterações nessa região podem afetar funções cognitivas e estão associadas a doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.

Os pesquisadores acreditam que o exercício possa influenciar esse sistema de maneira complexa. Uma das hipóteses levantadas é que a atividade física ajude a preservar uma espécie de reserva de células-tronco para que elas possam ser utilizadas posteriormente, em vez de estimular uma produção imediata e contínua de novos neurônios.

Próximos passos

O estudo também mostrou que a resposta ao exercício não foi igual para todos os participantes. Em algumas pessoas, foram observadas mudanças simultaneamente no humor, no desempenho cognitivo e nos indicadores biológicos avaliados.

Os cientistas agora pretendem investigar quais mecanismos moleculares estão por trás dessas diferenças e entender se períodos mais longos de atividade física podem produzir efeitos também sobre a cognição.

Por enquanto, a pesquisa acrescenta evidências sobre a relação entre exercício e saúde cerebral, mas os resultados não permitem concluir que três meses de atividade física sejam suficientes para melhorar a memória ou aumentar diretamente a produção de neurônios em adultos.

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