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Trump ameaça sair da Otan e aumenta tensões com aliados

Trump ameaça sair da Otan e aumenta tensões com aliados

Reuters

01/04/2026

Placeholder - loading - Presidente dos EUA, Donald Trump,. no Salão Oval da Casa Branca 31 de março de 2026 REUTERS/Evan Vucci
Presidente dos EUA, Donald Trump,. no Salão Oval da Casa Branca 31 de março de 2026 REUTERS/Evan Vucci

Por John Irish e Steve Holland

PARIS/WASHINGTON, 1 Abr (Reuters) - As tensões entre os Estados Unidos ​e os aliados da aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) aumentaram quando o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que estava considerando retirar o país da aliança militar devido à recusa de seus membros europeus em enviar navios para desbloquear o Estreito de Ormuz.

A Otan, que inclui países europeus, os Estados Unidos e o Canadá, foi formada em 1949 com o objetivo de combater o risco de ataques soviéticos e tem sido a pedra angular da segurança do Ocidente desde então.

Trump disse à Reuters nesta quarta-feira que ele declararia em um discurso à nação no final do dia que ele estava 'absolutamente' considerando retirar os EUA da Otan.

'Estarei discutindo meu desgosto com a Otan', disse ele sobre o discurso. Perguntado se estava pensando em sair da Otan, ele disse: 'Oh, absolutamente, sem dúvida. Você não faria isso se estivesse no meu lugar?'

Os comentários de Trump foram feitos poucas horas depois que seu secretário de Defesa, Pete Hegseth, se recusou a reafirmar o compromisso dos EUA com a defesa coletiva da Otan, um conceito ⁠que está no centro da aliança.

Há ⁠muito tempo, os especialistas alertam que as falas que sugerem que ​os Estados Unidos ‌podem não honrar seus compromissos com a Otan podem incentivar a Rússia a testar a prontidão dos membros da aliança para fazer cumprir o Artigo 5 do pacto que a fundou, que estabelece que um ataque armado contra um Estado membro é um ataque a todos.

A França foi um dos primeiros membros europeus da Otan a reagir a comentários semelhantes de Trump ao Daily Telegraph, do Reino Unido, publicados no início do dia, nos quais Trump chamou a Otan ⁠de 'tigre de papel' e disse que estava considerando sair da aliança depois que os aliados não apoiaram a ação militar dos ​EUA contra o Irã.

'Deixe-me relembrar o que é a Otan', disse a ministra do Exército da França, Alice Rufo - embora sem abordar diretamente a ameaça de ​Trump de deixar a Otan.

'É uma aliança militar preocupada com a segurança dos territórios na área ‌euro-atlântica. Não se destina a realizar uma ​operação no ⁠Estreito de Ormuz, o que não está de acordo com o direito internacional.'

APELO À CALMA

Na Polônia, o ministro da Defesa, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, pediu calma.

'Espero que, em meio às emoções que cercam o presidente dos Estados Unidos hoje, chegue um momento de calma', disse ele. 'E por quê? Porque não existe Otan sem os Estados Unidos, e é do nosso interesse que essa ​calma aconteça. Mas também não há poder norte-americano sem a Otan.'

A Otan não fez comentários imediatos.

Um porta-voz do governo alemão, quando solicitado a reagir ao comentário de Trump, disse que a Alemanha continua comprometida com a Otan. 'Não é a primeira vez que ele faz isso e, como é um fenômeno recorrente, você provavelmente pode julgar as consequências por si mesmo', disse o porta-voz em uma coletiva de imprensa regular do governo, falando de Trump.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, disse que agiria no interesse de seu ​país, independentemente do 'barulho'. A instabilidade causada pela guerra do Irã significa que o Reino Unido deveria se concentrar em laços econômicos e de defesa mais estreitos com a Europa, disse ele.

DEFESA COLETIVA?

A guerra do Irã exacerbou as tensões entre os EUA e a Europa, que aumentaram desde o início do segundo mandato de Trump sobre tudo, desde o comércio até suas exigências de posse da Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca, integrante da Otan.

A Europa também está observando com nervosismo os esforços de Trump para intermediar o fim da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, com algumas autoridades europeias de alto escalão preocupadas com o fato de Trump parecer apoiar um acordo a favor de Moscou.

Perguntado na terça-feira se os Estados Unidos ainda estavam comprometidos com a defesa coletiva da Otan, Hegseth disse: 'No que diz respeito à Otan, essa é uma decisão ​que caberá ao presidente. Mas eu diria apenas que muita coisa foi revelada'.

'Você não tem uma grande aliança se tem países que não estão dispostos a apoiá-lo quando você precisa deles', ‌disse Hegseth.

A França se recusou a permitir que Israel usasse seu espaço ⁠aéreo para reabastecer um voo que transportava armas norte-americanas usadas na guerra contra o Irã, e a Itália negou permissão para que aeronaves militares dos EUA pousassem na base aérea de Sigonella, na Sicília, antes de seguir para o Oriente Médio, disseram fontes à Reuters. Tanto a França quanto a Itália disseram que essa era ⁠a política padrão e que nada havia mudado.

A Espanha, no entanto, disse publicamente que fechou totalmente seu espaço aéreo ⁠para os aviões dos EUA envolvidos em ataques ao Irã.

Trump também criticou repetidamente ⁠o Reino Unido por não ter se ⁠juntado ​aos Estados Unidos quando lançou a guerra.

(Reportagem adicional de Phil Stewart, em Washington; Andreas Rinke, em Berlim; Sarah Young, em Londres; Barbara Erling, em Varsóvia, e Andrew Gray, em Bruxelas)

Reuters

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