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UE dá início à implementação do acordo com o Mercosul visando mitigar golpe comercial dos EUA

UE dá início à implementação do acordo com o Mercosul visando mitigar golpe comercial dos EUA

Reuters

30/04/2026

Placeholder - loading - Presidentes José Raúl Mulino (Panamá), Rodrigo Paz (Bolívia), Antonio Costa (Conselho Europeu), Ursula von der Leyen (Comissão Europeia), Santiago Pena (Paraguai), Javier Milei (Argentina),  Yamandu O
Presidentes José Raúl Mulino (Panamá), Rodrigo Paz (Bolívia), Antonio Costa (Conselho Europeu), Ursula von der Leyen (Comissão Europeia), Santiago Pena (Paraguai), Javier Milei (Argentina), Yamandu O

Por Philip Blenkinsop e Francesco Canepa

BRUXELAS, 30 Abr (Reuters) - A União Europeia e ​o Mercosul implementam nesta sexta-feira seu controverso acordo de livre comércio que a UE, em particular, espera que beneficie exportadores e acalme os críticos, mesmo que não possa compensar totalmente o golpe das tarifas dos EUA.

Os apoiadores europeus, incluindo Alemanha e Espanha, dizem que o acordo ajudará a compensar o impacto das tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump, e reduzirá a dependência da China em relação a minerais essenciais. A França e outros críticos argumentam que o acordo aumentará as importações de carne bovina e açúcar baratos e prejudicará os agricultores nacionais, enquanto ambientalistas dizem que ele acelerará a destruição das florestas tropicais.

De qualquer forma, economistas alertam que os ganhos econômicos desse acordo e de outros concluídos nos últimos meses pela UE serão modestos e provavelmente não compensarão totalmente a perda de comércio com os EUA.

O Parlamento Europeu, que precisa aprovar o acordo, votou em janeiro por contestá-lo no tribunal superior da UE, cuja decisão ⁠pode demorar até dois ⁠anos, mas a Comissão Europeia decidiu aplicar provisoriamente o acordo ​a partir de ‌1º de maio.

Defensores esperam que o maior acordo da história da UE em termos de redução de tarifas, que levou 25 anos para ser negociado, beneficie rapidamente os exportadores da UE para que, quando a assembleia da UE for votar, talvez daqui a dois anos, as vantagens sejam claras.

TRUMP GERA CORRIDA POR ACORDOS COMERCIAIS

Além do Mercosul, a UE se apressou em concluir acordos comerciais com Índia, Indonésia, Austrália e México ⁠desde a reeleição de Trump.

Os acordos ajudam a fortalecer o livre comércio em um momento em que as tarifas ​de Trump e as restrições chinesas às exportações de minerais essenciais prejudicam uma ordem global baseada em regras.

O bloco europeu também espera que ​os acordos ajudem a compensar um declínio nas exportações para os Estados Unidos de 15% ‌ou mais e um impacto no ​PIB de ⁠cerca de 0,3% somente neste ano.

Entretanto, Carsten Brzeski, chefe global de Macro da ING Research, disse que é difícil ver as novas relações comerciais substituindo os Estados Unidos.

'Em termos simples, o PIB per capita dos EUA é de longe maior do que o desses novos parceiros comerciais', disse ele.

A Comissão Europeia estimou que o ​acordo com o Mercosul aumentará o PIB da UE em 0,05% em 2040, enquanto o acordo com a Índia, que a UE apelidou de 'mãe de todos os acordos', poderia acrescentar 0,1% ao PIB, de acordo com o Instituto Kiel para a Economia Global.

Esses benefícios também estão a pelo menos uma década de distância, quando os acordos serão totalmente implementados, enquanto a dor das tarifas de Trump é imediata.

CHINA JÁ ESTÁ LÁ

As empresas da UE também enfrentarão uma ​concorrência acirrada nesses mercados, onde os rivais chineses vêm marcando presença de forma constante há duas décadas.

'O elefante na sala é a China', disse Lucrezia Reichlin, professora de economia da London Business School.

'E não se trata apenas de tarifas. Se observarmos o que a China fez na Ásia e na África, veremos que se trata de investimentos e da transição energética também.'

Maximiliano Mendez-Parra, principal pesquisador do ODI Global, disse que muita coisa mudou desde que ele foi coautor de um relatório para a Comissão Europeia em dezembro de 2020 que previa um aumento de 0,1% no PIB da UE com o acordo UE-Mercosul. Desde então, a China aumentou as vendas de veículos e máquinas, itens que a UE deseja exportar, disse Mendez-Parra.

As reduções tarifárias devem ajudar as empresas ​da UE a competir de forma mais eficaz contra os preços frequentemente baixos dos produtos chineses, mas os desafios estão aumentando.

A China já começou a tarefa de ‌compensar as tarifas dos EUA, relatando um superávit comercial recorde de ⁠quase US$1,2 trilhão em 2025, liderado pelo crescimento das exportações para mercados fora dos EUA.

O Global Trade Alert estimou que as tarifas dos EUA fizeram com que cerca de US$150 bilhões das exportações chinesas fossem redirecionadas, com os países da Asean absorvendo mais de US$70 bilhões de produtos chineses ⁠adicionais e com aumentos acentuados também para a América Latina, África Subsaariana e Golfo.

Portanto, embora os ⁠acordos comerciais da UE devam ajudar, a UE não compensará a perda ⁠de exportações dos EUA sem olhar ⁠para ​dentro. Cerca de 60% das exportações da UE são de um país da UE para outro e um mercado único mais eficiente e competitivo poderia facilmente compensar.

Reuters

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