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Produção de açúcar cai 2% em 2 meses da safra do centro-sul, fabricação de etanol salta 31,55%

Produção de açúcar cai 2% em 2 meses da safra do centro-sul, fabricação de etanol salta 31,55%

Reuters

22/06/2026

Placeholder - loading - Açúcar armazenado no principal porto marítimo do Brasil, em Santos, 13 de maio de 2026. REUTERS/Alexandre Meneghini
Açúcar armazenado no principal porto marítimo do Brasil, em Santos, 13 de maio de 2026. REUTERS/Alexandre Meneghini

Atualizada em  22/06/2026

SÃO PAULO, 22 Jun (Reuters) - A produção de açúcar no centro-sul ​do Brasil registrou queda de 2% no acumulado de dois meses da safra 2026/27 em relação ao ciclo anterior, apesar de um aumento da moagem de cana-de-açúcar, já que usinas estão destinando mais matéria-prima para a fabricação de etanol, enquanto os preços do adoçante oscilam próximos de mínimas em vários anos, de acordo com dados da associação Unica publicados nesta segunda-feira.

O primeiro contrato do açúcar bruto operava em queda de cerca de 2%, a 13,30 centavos de dólar por libra-peso, por volta das 13h (horário de Brasília), apesar dos dados da Unica para a principal região produtora da commodity no mundo, com a queda do petróleo adicionando pressão em um cenário baixista. O preço oscilava perto do menor nível em quase seis anos no mercado de referência de Nova York.

A safra de ⁠cana do Brasil, ⁠maior produtor e exportador global, deverá ser a segunda ​maior da ‌história, com crescimento de 5,3% em 2026/27 ante o ciclo passado, para mais de 700 milhões de toneladas, segundo previsão da estatal Conab.

A produção de etanol no centro-sul, por sua vez, marcou um salto de 31,55% no acumulado de dois meses da safra 2026/27 em relação ao ciclo anterior, para 7,5 bilhões de litros, com usinas direcionando mais cana ⁠para a fabricação do biocombustível e também com o crescimento dos volumes do setor de etanol ​de milho.

A produção de etanol de milho atingiu 1,57 bilhão de litros no acumulado desde o início da safra, avanço ​de 8,63% na comparação com igual período do ano passado.

Com relação à ‌alocação de cana para etanol, ​as usinas ⁠direcionaram 58,58% da matéria-prima moída, ante 49,9% nos dois meses iniciais da safra passada, em detrimento do volume que foi transformado em açúcar.

Já as vendas de etanol pelas usinas do centro-sul em abril e maio totalizaram 5,66 bilhões de litros, queda de 2,1% em relação ​ao mesmo período do ano passado. Apesar da redução no acumulado da safra, a Unica citou aumento de 10% nas vendas por dia útil na segunda quinzena de maio em relação à primeira quinzena da safra, em abril.

Ao comentar os dados do aumento de produção, a Unica afirmou que levantamentos da agência reguladora ANP indicam que os preços do etanol no país estiveram mais ​vantajosos para os consumidores em relação à gasolina em todos os municípios amostrados em São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, na segunda quinzena de maio.

DADOS QUINZENAIS

A moagem de cana-de-açúcar da região centro-sul somou 41,55 milhões de toneladas na segunda quinzena de maio, queda de 13,08% em relação ao mesmo período do ano anterior, em meio a chuvas que atrapalharam a colheita em algumas regiões produtoras, informou a Unica.

A produção de açúcar atingiu 2,2 milhões de toneladas, queda de 25,62% na mesma comparação.

O dado veio abaixo de uma pesquisa da S&P Global Energy, com base em 11 analistas, que indicou queda de ​19% na produção de açúcar na segunda quinzena, para 2,4 milhões de toneladas.

Dados obtidos pelo Ministério da Agricultura junto às empresas tinham ‌apontado um recuo de 12,9% na moagem de cana ⁠na segunda quinzena de maio, além de uma redução de quase 25% na produção de açúcar, conforme publicação na semana passada.

O 'mix' de produção ficou em 44,17% para o açúcar na segunda quinzena, ante 52,18% no mesmo período do ano passado, na medida ⁠em que as usinas estão destinando mais matéria-prima para a produção de etanol, ⁠por vantagens econômicas.

A fabricação do combustível, incluindo o etanol de milho, ⁠somou 2,13 bilhões de ⁠litros ​na segunda quinzena de maio, aumento de 4,56% na comparação anual, segundo a Unica.

(Por Roberto Samora e Isabel Teles; edição de Marta Nogueira)

Reuters

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