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Alta do petróleo e de fretes com guerra no Irã eleva custos e sustenta preços do minério, diz Vale

Alta do petróleo e de fretes com guerra no Irã eleva custos e sustenta preços do minério, diz Vale

Reuters

29/04/2026

Placeholder - loading - Caminhão autônomo da Vale em mina de Carajás 7 de outubro de 2025 REUTERS/Jorge Silva
Caminhão autônomo da Vale em mina de Carajás 7 de outubro de 2025 REUTERS/Jorge Silva

Atualizada em  29/04/2026

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO, 29 Abr (Reuters) - A alta dos preços do petróleo ​e dos fretes marítimos em meio à guerra no Irã está elevando os custos globais de produção de minério de ferro, ameaçando a oferta de mineradoras menos competitivas e dando suporte aos preços da commodity, afirmou o vice-presidente executivo Comercial e Desenvolvimento da Vale, Rogério Nogueira, nesta quarta-feira.

Ao falar em conferência online com investidores, o executivo disse que os custos médios na indústria cresceram em um intervalo entre US$5 e US$10 por tonelada.

Segundo Nogueira, um aumento de US$10 por tonelada nos custos coloca a produção de cerca de 50 milhões de toneladas de minério de ferro no mundo em uma situação de geração de caixa negativa, afetando principalmente produtores marginais.

'Esse deslocamento (dos custos) para cima é, na verdade, assimétrico, com alguns players marginais na curva de custos sendo impactados em mais de US$10 por tonelada, o que dá algum suporte aos preços que estamos vendo hoje', afirmou Nogueira.

O cenário, então, permitiu que os preços do minério subissem, disse o vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores da Vale, Marcelo Bacci, ⁠a jornalistas.

'Como existe um certo ⁠equilíbrio entre a oferta e a demanda, quando o custo sobe ​muito, o preço ‌acaba subindo porque o mercado precisa daquele volume e precisa incentivar que aquela produção venha', afirmou Bacci, em coletiva de imprensa após a conferência com investidores.

'Se o preço não tivesse subido US$10, teria 50 milhões de toneladas que estariam dando prejuízo.'

Nogueira reconheceu ainda que, por estar geograficamente mais longe da China que seus concorrentes australianos, a alta dos preços do combustível marítimo (bunker) pode deixar a Vale em desvantagem.

Entretanto, executivos da Vale explicaram que foi possível 'compensar boa ⁠parte dessa desvantagem' com um programa de hedge, que oferece proteção para o preço do petróleo Brent acima de US$80 ​por barril para cerca de 70% de sua demanda de bunker em 2026, trazendo maior previsibilidade e estabilidade para a geração de caixa.

A empresa também reduziu ​sua exposição ao mercado spot de bunker a menos de 5% neste ano, contra entre ‌25% e 30% anteriormente, além de ter ​aumentado o ⁠nível de contratação de frete da frota de navios para quase 100%, segundo executivos.

Já em relação a operações da Vale no Oriente Médio, Bacci explicou que a produção nas plantas de pelotização de Omã foi interrompida em meados de março para manutenção anual programada. Essa parada foi antecipada em função das dificuldades da região.

'A gente resolveu antecipar alguns ​trabalhos de manutenção e de adaptação da planta que iriam acontecer dentro do ano, um pouco mais para frente', disse ele, pontuando que a iniciativa não afeta a produção de pelotas prevista para o ano.

'Ela só mudou um pouco o cronograma entre trimestres. E a gente acredita que não vai ter problema para suprir o mercado de pelotas', afirmou, ressaltando que o pellet feed inicialmente destinado a Omã será redirecionado para as plantas de Tubarão, onde há capacidade ociosa.

IMPACTO NEUTRO NA OFERTA

Neste contexto, a ​guerra do Irã teve um impacto neutro sobre a oferta global de minério de ferro, uma vez que a produção de aço permanece estável.

'No Oriente Médio, especificamente, a produção de aço também está estável, porque eles estão mantendo a produção com base nos estoques de sucata e de pelotas. Isso ocorre apesar de uma contração na produção de aço bruto do Irã', disse o executivo, ressaltando que a produção de aço naquele país foi interrompida.

'Mas o restante dos nossos clientes na região continua produzindo', acrescentou.

O executivo explicou ainda que no Bahrein, uma importante planta de pelotização foi desativada diante de uma dificuldade para receber pellet feed, com a matéria-prima sendo desviada para outros mercados, principalmente China e Ásia em geral. Mas essa oferta adicional, disse Nogueira, foi compensada pela ausência de exportações do Irã de minério de ferro.

A Vale ​espera ainda que o mercado de pelotas permaneça estável, considerando o saldo líquido entre oferta e demanda por pellet feed de alto teor. 'Assim, no próximo trimestre, esperamos que os prêmios ‌das pelotas fiquem estáveis ou apresentem até uma leve alta', afirmou.

Na ⁠China, Nogueira afirmou que a produção de aço bruto está estável, de acordo com dados de institutos independentes. A utilização dos altos-fornos, segundo o executivo, está em cerca de 90%, o que a Vale considera 'extremamente positivo e elevado', disse ele.

'Ainda acreditamos e vemos a continuidade das exportações anualizadas de aço (pela China) em um nível ⁠de 100 milhões de toneladas em 2026. Infraestrutura e manufatura compensam um setor imobiliário fraco, que continua ⁠sendo, de fato, um setor desafiador para a China', afirmou.

Fora da China, Nogueira acrescentou ⁠que a Vale vê um mercado ⁠geral ​estável, apesar de variações por região. 'No geral, vemos equilíbrio entre oferta e demanda, e a perspectiva de preços também é equilibrada', concluiu.

(Reportagem de Marta Nogueira; edição de Roberto Samora)

Reuters

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