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Vaticano diz que não participará do “Conselho da Paz” de Trump

Vaticano diz que não participará do “Conselho da Paz” de Trump

Reuters

18/02/2026

Placeholder - loading - Vista geral da Praça de São Pedro no Vaticano  19/10/2025    REUTERS/Claudia Greco
Vista geral da Praça de São Pedro no Vaticano 19/10/2025 REUTERS/Claudia Greco

Por Kanishka Singh

WASHINGTON, 18 Fev (Reuters) - O Vaticano ​não participará da iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamada “Conselho da Paz”, afirmou o cardeal Pietro Parolin, principal diplomata do Vaticano, na terça-feira, acrescentando que os esforços para lidar com situações de crise devem ser gerenciados pelas Nações Unidas.

O papa Leão 14, primeiro papa norte-americano e crítico de algumas das políticas de Trump, foi convidado a integrar o conselho em janeiro.

De acordo com o plano de Trump para Gaza, que levou a um frágil ⁠cessar-fogo em ⁠outubro, o conselho deveria supervisionar ​a governança ‌temporária de Gaza. Trump afirmou posteriormente que o conselho, presidido por ele, seria ampliado para lidar com conflitos globais. O conselho realizará sua primeira reunião em Washington na quinta-feira para discutir a reconstrução ⁠de Gaza.

A Itália e a União Europeia afirmaram que seus representantes ​planejam participar como observadores, uma vez que não aderiram ao conselho.

A Santa ​Sé “não participará do Conselho da Paz devido ‌à sua natureza ​particular, que ⁠evidentemente não é a de outros Estados”, disse Parolin.

“Uma preocupação”, afirmou ele, “é que, em nível internacional, deve ser acima de tudo a ONU que gerencia essas ​situações de crise. Esse é um dos pontos em que insistimos”.

Muitos especialistas em direitos humanos afirmam que Trump comandar um conselho para supervisionar os assuntos de um território estrangeiro se assemelha a uma estrutura colonial. O ​conselho, lançado no mês passado, também enfrentou críticas por não incluir um palestino.

Os países reagiram com cautela ao convite de Trump, com especialistas preocupados que o conselho possa minar a ONU. Alguns dos aliados de Washington no Oriente Médio aderiram, mas seus aliados ocidentais permaneceram afastados até o momento.

A trégua em Gaza foi repetidamente violada, com centenas de palestinos e quatro soldados israelenses ​mortos desde que começou em outubro.

O ataque de Israel a Gaza matou mais ‌de 72.000 pessoas, causou uma ⁠crise de fome e deslocou internamente toda a população de Gaza.

Vários especialistas em direitos humanos, acadêmicos e uma investigação da ONU afirmam que isso ⁠equivale a genocídio. Israel chama suas ações de ⁠autodefesa, depois que militantes liderados pelo ⁠Hamas mataram 1.200 ⁠pessoas ​e fizeram mais de 250 reféns em um ataque no final de 2023.

Reuters

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