Capa do Álbum: Antena 1
A Rádio Online mais ouvida do Brasil
Antena 1

Vendas no varejo do Brasil avançam em março pelo 3º mês e renovam recorde com valorização do real

Vendas no varejo do Brasil avançam em março pelo 3º mês e renovam recorde com valorização do real

Reuters

13/05/2026

Placeholder - loading - Vista do centro de São Paulo  7 de maio de 2026. REUTERS/Amanda Perobelli
Vista do centro de São Paulo 7 de maio de 2026. REUTERS/Amanda Perobelli

Atualizada em  13/05/2026

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, ​13 Mai (Reuters) - As vendas no varejo brasileiro surpreenderam e cresceram em março pelo terceiro mês seguido, renovando ao final do primeiro trimestre o recorde da série histórica iniciada em 2000 com ajuda da valorização recente do real ante o dólar.

No mês, as vendas registraram alta de 0,5% em relação a fevereiro, depois de terem avançado 0,7% em fevereiro e 0,5% em janeiro, mostraram os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, as vendas tiveram ganho de 4,0%.

Com isso, o setor encerra o primeiro trimestre com ganho de 1,2% na comparação com os três meses anteriores, melhor resultado desde o segundo trimestre de 2024 (+1,4%).

As expectativas em pesquisa da Reuters eram de estabilidade na comparação mensal e de ⁠alta de 2,75% na ⁠base anual...

“Há nesse começo de ano uma apreciação ​do real ‌frente ao dólar, e muitas empresas aproveitam o dólar mais barato para importar e fazer estoques para depois vender e fazer promoções. Foi exatamente isso que ocorreu em março”, destacou Cristiano Santos, gerente da pesquisa no IBGE.

A guerra no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo desde que começou em 28 de fevereiro, lançou uma sombra sobre ⁠o mês de março, afetando os preços de alimentos e de combustíveis e pesando no bolso ​dos consumidores.

O mercado de trabalho robusto e medidas de estímulo ao consumo, entretanto, vêm dando algum suporte ao setor ​varejista, mesmo diante da taxa de juros elevada, o que ajuda a ‌impulsionar o PIB neste começo de ​ano. ⁠Também colaborou a queda de 5,65% do dólar frente ao real no primeiro trimestre.

'A apreciação da taxa de câmbio tem diminuído os custos de segmentos mais dependentes da variação do dólar e a ampliação de programas de crédito também vêm contribuindo para o crescimento ​do setor', disse Rafael Perez, economista da Suno Research.

No mês passado, o Banco Central reduziu a taxa básica de juros Selic a 14,5%, mas pregou cautela, argumentando que precisará incorporar novas informações para definir a política monetária à frente.

O setor do varejo 'provavelmente apresentará contribuição relevante para o crescimento do PIB no 1º trimestre, o qual esperamos que avance 0,9%', disse André Valério, economista ​sênior do Inter.

Entre as oito atividades pesquisadas na pesquisa do IBGE sobre o varejo, cinco tiveram resultados positivos em março, com destaque para Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (5,7%).

Também mostraram crescimento das vendas Combustíveis e lubrificantes (2,9%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,9%); Livros, jornais, revistas e papelaria (0,7%); e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,1%).

'Mesmo com o preço mais caro, a demanda não caiu no setor de combustíveis. Com preços mais altos, a receita aumentou e, mesmo descontada a inflação, o setor tem um desempenho positivo para o volume', explicou Santos. 'Esse é o único efeito da guerra sobre o varejo.'

Móveis e eletrodomésticos (-0,9%) e ​Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,4%) tiveram perdas -- o último segmento, a maior desde junho de 2024. A atividade de Tecidos, ‌vestuário e calçados ficou estável.

'Essa queda forte de hipermercados ⁠tem a ver com a inflação mais alta de produtos. A alimentação em domicílio está mais alta, e isso aparece nas vendas dos mercados e hipermercados', explicou Santos. 'Há este ano também uma mudança de hábito, em que as pessoas estão aumentando ⁠seus gastos com bens de maior valor. As pessoas estão comprando mesmo com ⁠juros altos.”

No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de ⁠veículos, motos, partes e peças; ⁠material ​de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, o volume de vendas aumentou 0,3% em março sobre o mês anterior.

Reuters

Compartilhar matéria

Mais lidas da semana

 

Carregando, aguarde...

Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência.