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Vendas no varejo do Brasil renovam recorde em fevereiro mas ficam abaixo do esperado

Vendas no varejo do Brasil renovam recorde em fevereiro mas ficam abaixo do esperado

Reuters

15/04/2026

Placeholder - loading - RIOSUL Shopping Center, no Rio de Janeiro  23 de dezembro de 2025. REUTERS/Pilar Olivares
RIOSUL Shopping Center, no Rio de Janeiro 23 de dezembro de 2025. REUTERS/Pilar Olivares

Atualizada em  15/04/2026

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO, 15 ​Abr (Reuters) - O setor varejista do Brasil seguiu em expansão em fevereiro e renovou o recorde de volume de vendas da série histórica iniciada em 2000, demonstrando resiliência em meio aos juros elevados, mas o desempenho ficou abaixo do esperado por economistas.

As vendas no varejo tiveram em fevereiro alta de 0,6% na comparação com o mês anterior, acelerando em relação a avanço de 0,4% em janeiro, mas o resultado ficou abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de ganho de 1,0%.

Os dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram ainda ganho de 0,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Nessa base de comparação a expectativa era de crescimento de 1,2%..

“A perspectiva ⁠é de que ⁠o varejo perca um pouco de força ao longo do ​ano, o ‌que também impacta a atividade. Ainda assim, não esperamos uma desaceleração tão forte do PIB nos próximos meses', avaliou o C6 Bank em nota, ponderando que a 'surpresa negativa' em fevereiro ficou concentrada no segmento mais volátil de atacado de alimentos.

Analistas avaliam que o mercado de trabalho robusto deve continuar ajudando o setor varejista ⁠este ano, amortecendo o impacto dos juros ainda elevados. Além disso, o início do ano ​conta com algumas medidas de estímulo que podem ajudar o consumo, como a isenção do Imposto de ​Renda para quem ganha até R$5 mil.

'Foi possível verificar em alguma ‌medida o impacto de medidas ​adotadas ⁠no âmbito fiscal durante o ano passado e que começaram a reverberar nos indicadores mais recentes, com destaque para a isenção do pagamento de imposto de renda para fração dos trabalhadores do mercado formal', destacou Matheus Pizzani, economista do PicPay.

No ​entanto, o conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã já pressionou os preços de transportes e alimentos em março, com o IPCA avançando 0,88% no mês, taxa mais alta em cerca de um ano.

'Até o momento não tem nenhum efeito ou impacto da guerra sobre o varejo', disse Cristiano Santos, gerente da pesquisa no IBGE. 'Se ​eventualmente aparecer algo no comércio, será nos combustíveis. Os impactos nunca são restritos, mas uma guerra afeta as economias como um todo, como alimentos, transporte e custo de vida das pessoas.'

No mês passado, o Banco Central reduziu a taxa básica Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75%, mas alertou para cautela em relação aos passos à frente devido à guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro.

Entre as oito atividades pesquisadas na pesquisa do IBGE sobre o varejo, quatro apresentaram crescimento das vendas em fevereiro--Livros, jornais, revistas e papelaria (2,4%); Combustíveis e lubrificantes (1,7%); Hiper, supermercados, produtos ​alimentícios, bebidas e fumo (1,1%); e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,3%).

Houve quedas em Equipamentos e material para escritório, informática ‌e comunicação (-2,7%); Outros artigos de uso pessoal e ⁠doméstico (-0,6%); Tecidos, vestuário e calçados (-0,3%); e Móveis e eletrodomésticos (-0,1%).

De acordo com Santos, o resultado positivo neste ano foi alavancado pela “volta do protagonismo de atividades que ofertam produtos básicos do comércio, sobretudo atividades de hiper, supermercados, produtos ⁠alimentícios, bebidas e fumo, que têm um peso grande no indicador geral”.

No ⁠comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, ⁠partes e peças; material ⁠de ​construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, as vendas apresentaram ganho de 1,0% sobre janeiro.

(Edição de Isabel Versiani)

Reuters

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