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Vendas no varejo do Brasil têm em abril maior queda em quase 4 anos

Vendas no varejo do Brasil têm em abril maior queda em quase 4 anos

Reuters

16/06/2026

Placeholder - loading - Posto de gasolina no Rio de Janeiro 18 de março de 2026. REUTERS/Pilar Olivares
Posto de gasolina no Rio de Janeiro 18 de março de 2026. REUTERS/Pilar Olivares

Atualizada em  16/06/2026

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO ​PAULO/RIO DE JANEIRO, 16 Jun (Reuters) - A atividade de combustíveis pressionou o varejo brasileiro em abril e as vendas totais do setor registraram a queda mais intensa em quase quatro anos, em meio a uma política monetária ainda restritiva.

Em abril as vendas tiveram queda de 1,5% na comparação com o mês anterior, registrando alta de 1,0% em relação ao mesmo período de 2025, mostraram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira.

A taxa mensal de contração foi a mais forte desde junho de 2022, quando houve queda ⁠de 2,8%, ⁠marcando o primeiro recuo das vendas ​neste ano.

Os ‌resultados foram bem mais fracos do que as expectativas em pesquisa da Reuters de retração de 0,6% na comparação mensal e de ganho de 1,95% na base anual...

“Os três primeiros meses, na margem, tiveram um crescimento significativo, a ponto ⁠de elevar o patamar do comércio para o nível histórico recorde. Assim, ​há um efeito de base, quando uma variação positiva a mais é de ​menor susceptibilidade”, disse o gerente da pesquisa no ‌IBGE, Cristiano Santos.

Um mercado ​de ⁠trabalho ainda forte e medidas de estímulo ao consumo vêm ajudando o setor varejista mesmo diante da taxa de juros elevada, com a Selic atualmente em 14,5%, e do aumento de ​preços como consequência da guerra no Oriente Médio. O BC anuncia sua nova decisão sobre a Selic na quarta-feira.

No primeiro trimestre, o consumo das famílias cresceu 1,0%, acelerando ante o trimestre anterior, de acordo com dados do PIB divulgados pelo IBGE no ​mês passado.

Em abril, entre as oito atividades do varejo pesquisadas pelo IBGE, seis apresentaram retração nas vendas -- Combustíveis e lubrificantes (-6,2%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-4,6%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-4,5%), Móveis e eletrodomésticos (-0,8%), Tecidos, vestuário e calçados (-0,1%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-0,1%).

Na outra ponta, Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,3%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (1,1%) tiveram ganhos em abril.

“Houve um rebatimento geral no ​indicador. O que estava puxando o índice para cima nos meses anteriores foi o que ‌justamente caiu em abril. O ponto é ⁠que, se antes um consumo mais intensivo em bens não essenciais vinha sustentando a alta, agora essas mesmas atividades devolveram o crescimento”, disse Santos.

No comércio varejista ampliado, ⁠que inclui as atividades de veículos, motos, partes e ⁠peças; material de construção e atacado de ⁠produtos alimentícios, bebidas e ⁠fumo, ​o volume de vendas recuou 0,7% em abril frente ao mês anterior.

(Edição de Isabel Versiani)

Reuters

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