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Volkswagen precisa de cortes profundos para se manter competitiva, diz o CEO

Volkswagen precisa de cortes profundos para se manter competitiva, diz o CEO

Reuters

21/08/2026

Placeholder - loading - Carro da Volkswagen estacionado em frente à sede da empresa em Wolfsburg, na Alemanha 9 de julho de 2026 REUTERS/Lisi Niesner
Carro da Volkswagen estacionado em frente à sede da empresa em Wolfsburg, na Alemanha 9 de julho de 2026 REUTERS/Lisi Niesner

Por Christina Amann

BERLIM, 21 Ago (Reuters) - O presidente-executivo da ​Volkswagen , Oliver Blume, alertou nesta sexta-feira que os problemas do setor automotivo só irão se intensificar nos próximos anos e que cortes profundos de custos são necessários para manter a principal montadora europeia competitiva.

Os comentários, feitos em um memorando interno da empresa visto pela Reuters, surgem em um momento em que a Volkswagen está passando pelo que é considerada a sua maior reestruturação de todos os tempos, que pode incluir desde novos cortes de 50.000 empregos até a separação de algumas divisões.

Pressionada pela agressiva concorrência chinesa que se expande para a Europa, pela queda ⁠nos lucros ⁠na China e pelas pesadas tarifas ​de importação ‌nos Estados Unidos, a Volkswagen enfrenta dificuldades com a queda nos lucros e o excesso de capacidade dispendioso na Europa.

'A situação é mais do que crítica', disse Blume no memorando, acrescentando que, embora as margens atuais de menos de 4% sejam sólidas ⁠no ambiente atual, 'elas não são de forma alguma suficientes para gerar fundos ​suficientes a longo prazo para novas tecnologias, novos produtos e nossas instalações'.

Blume, que na próxima ​semana visitará as fábricas da Volkswagen em risco ‌no âmbito do atual plano ​de ⁠reestruturação, afirmou que os custos indiretos da montadora alemã continuam mais de 30% superiores aos de empresas comparáveis, acrescentando que essa situação precisa ser combatida para que a empresa se mantenha competitiva.

O conselho ​de supervisão da Volkswagen tem reunião marcada para 4 de setembro para dar continuidade à discussão sobre os planos de reestruturação, segundo fontes familiarizadas com o assunto.

Embora o grupo não tenha quantificado oficialmente o número de cortes adicionais de empregos, fontes disseram à Reuters que podem ​chegar a 50.000, o que dobraria efetivamente as demissões em massa planejadas pelo grupo.

'O número frequentemente citado de cerca de 50.000 empregos em todo o mundo não é uma meta fixa', disse Blume, acrescentando que foi derivado do objetivo de custo da empresa em relação à concorrência e serviu 'como um indicador da escala de ação necessária'.

Em julho, a Volkswagen revelou planos para reduzir drasticamente sua linha de modelos e diminuir ainda mais sua capacidade produtiva. No início ​deste mês, as famílias controladoras da VW aumentaram a pressão sobre todas as partes interessadas e exigiram ‌esforços drásticos de reestruturação.

Quatro fábricas da ⁠Volkswagen na Alemanha — Emden, Hannover, Zwickau e Neckarsulm — não devem atingir níveis competitivos de utilização da capacidade produtiva na década de 2030, afirmou Blume. Ele, porém, ressaltou que ainda não ⁠há nenhuma decisão sobre o fechamento de fábricas específicas.

Segundo ele, ⁠houve progressos em algumas áreas, mas ainda ⁠não é suficiente, mesmo ⁠sem ​considerar a pressão dos novos concorrentes da China e suas fábricas na Europa.

(Reportagem de Christina Amann)

Reuters

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