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    ANÁLISE-Como Biden poderia usar as políticas externa e comercial para proteger a floresta amazônica

    Placeholder - loading - Presidente dos EUA, Joe Biden, na Casa Branca 17/02/2021 REUTERS/Leah Millis
    Presidente dos EUA, Joe Biden, na Casa Branca 17/02/2021 REUTERS/Leah Millis

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    Por Anastasia Moloney e Fabio Teixeira

    BOGOTÁ/RIO DE JANEIRO (Thomson Reuters Foundation) - Agora que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, está desenvolvendo sua estratégia de combate à mudança climática no palco global, as políticas externa e comercial também poderiam ser usadas para enfrentar a questão espinhosa do desmatamento crescente na Amazônia, disseram pesquisadores e ex-autoridades.

    Um decreto emitido por Biden em janeiro para tratar da 'crise climática profunda' exige que autoridades desenvolvam um 'plano para incentivar a proteção da floresta tropical amazônica e outros ecossistemas críticos que servem como sequestros de carbono globais'.

    Durante sua campanha eleitoral, Biden também acenou com a possibilidade de mobilizar 20 bilhões de dólares para a salvaguarda da Amazônia.

    Acadêmicos de 20 universidades brasileiras e norte-americanas, juntamente com grupos ambientalistas, apoiaram um relatório do mês passado sobre como Biden deveria lidar com o Brasil, aconselhando o presidente a limitar as importações de commodities por meio de um decreto.

    Eles pediram diretrizes dos EUA para bloquear produtos ligados à destruição da floresta --principalmente carne bovina, soja e madeira-- vindos do Brasil, que abriga aproximadamente 60% da Amazônia e onde o desmatamento está aumentando.

    'Os Estados Unidos têm uma responsabilidade e contribuem indiretamente com o desmatamento no Brasil', disse Mariana Mota, coordenadora de políticas públicas do Greenpeace Brasil.

    A proteção das florestas tropicais é considerada um anteparo vital contra o aquecimento global por causa das quantidades imensas de dióxido de carbono --que aquece o planeta-- que elas absorvem.

    Mas a devastação amazônica para a agricultura, a mineração e outras atividades comerciais está erodindo sua capacidade de atuar como sequestro de carbono, alertam cientistas.

    O desmatamento da Amazônia brasileira atingiu uma alta de 12 anos em 2020, de acordo com dados do governo publicados em novembro.

    Atrelar condições que ajudariam a preservar a Amazônia a questões de política externa de interesse do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, também poderia funcionar, disseram especialistas.

    Nos últimos anos, impulsionados pelo financiamento da Noruega, países como Brasil, Colômbia e Peru pagaram centenas de milhões de dólares por emissões que seriam evitadas com a repressão do desmate ilegal na Amazônia.

    Mas Carlos Rittl, ex-secretário-executivo do Observatório do Clima, questionou a eficácia de incentivos econômicos para o Brasil, dizendo que 'não é a falta de dinheiro que impede o governo Bolsonaro de proteger a Amazônia'.

    Escrito por Reuters

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