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    Conclusão de inquérito sobre a Rússia oferece munição para reeleição de Trump

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    Por Steve Holland e Jeff Mason e Roberta Rampton

    WASHINGTON (Reuters) - A conclusão do procurador-especial Robert Mueller de que Donald Trump não se mancomunou com a Rússia para conquistar a Casa Branca em 2016 dá ao presidente norte-americano uma arma poderosa para usar contra seus oponentes democratas e um incentivo em potencial para a disputa pela reeleição em 2020.

    O entendimento de Mueller de que nem Trump nem seus assessores conspiraram com a Rússia em 2016 anula uma das principais acusações que os democratas vinham lançando contra Trump há dois anos: a de que ele não conquistou a Presidência de forma justa e limpa.

    As alegações foram um tema constante dos noticiários dos canais de TV a cabo, eclipsando o governo Trump desde o primeiro dia.

    Os democratas prometeram insistir com inquéritos parlamentares sobre a campanha eleitoral de 2016 e os negócios profissionais e pessoais de Trump. Porém, sem o fundamento consistente de um relatório Mueller com indícios de qualquer crime do presidente, agora correm o risco de parecer forçarem a barra.

    'Este é um dia de estrela dourada para Donald Trump', disse o historiador presidencial Douglas Brinkley. 'Agora os grilhões foram soltos. Ele pode demonizar a mídia e os democratas por perpetuarem o que chama de farsa. E poderá usar sua inocência como bucha de canhão na campanha'.

    A dúvida no momento é se Trump conseguirá levar um mínimo de disciplina à sua mensagem de campanha e à própria Presidência.

    A história sugere que ele terá problemas de autodisciplina. Ainda na semana passada ele se envolveu em uma batalha estranha com um homem morto ao criticar duramente o senador republicano John McCain e acusá-lo falsamente de estar no cerne de algumas das acusações de conluio de que foi alvo.

    Ele também tem mostrado a tendência de tomar decisões abruptas surpreendentes, como ocorreu na última semana, quando cancelou uma rodada de sanções contra a Coreia do Norte antes mesmo de elas serem impostas.

    Apesar das conclusões do relatório Mueller, Trump continua sendo um presidente sempre disposto a atacar todo e qualquer crítico e qualquer suposta afronta.

    'Isso foi uma manobra ilegal que fracassou', disse Trump no domingo, embora Mueller não tenha esclarecido se o magnata do setor imobiliário tentou obstruir o inquérito sobre a Rússia, que de fato encontrou muitas provas de que a Rússia interferiu na eleição de 2016.

    'Agora é a hora de voltar à ofensiva na economia e no crescimento', disse o estrategista republicano Scott Reed. 'Este é um bom momento de voltar a uma dose realmente saudável de disciplina na mensagem de todo o governo, nos departamentos e na Casa Branca. É isso que você faz quando algo assim acontece'.

    Trump, que passou o final de semana jogando golfe em Palm Beach, na Flórida, recebeu a notícia do conselheiro da Casa Branca Emmett Flood em seu retiro de Mar-a-Lago e acompanhou o noticiário de TV sobre o relatório Mueller em sua cabine no Força Aérea Um.

    Seus comentários iniciais ao reagir à conclusão de Mueller levam a crer que ele não está inclinado a deixar a investigação para trás.

    Falando aos repórteres antes de embarcar no Força Aérea Um para voltar a Washington, Trump pediu que os democratas sejam investigados, retomando a afirmação insistente de que o inquérito Mueller foi inspirado por seus adversários. Mueller foi indicado pelo Departamento de Justiça em 2017 depois que Trump demitiu o então diretor do FBI, James Comey.

    'É uma vergonha que nosso país tenha tido que passar por isso. Para ser sincero, é uma vergonha que seu presidente tenha tido que passar por isso', afirmou Trump. 'Antes sequer de eu ser eleito isso começou, e começou ilegalmente'.

    Os comentários podem prenunciar um esforço de seus apoiadores para buscar vingança pela nuvem que paira sobre a Casa Branca desde que ele tomou posse.

    'Estou interessado em seguir adiante e tentar deixar isso para trás, mas pessoas têm que pagar pelo que fizeram nos últimos dois anos', disse David Bossie, ex-assessor de campanha de Trump. 'Precisamos investigar os investigadores'.

    O porta-voz da Casa Branca, Hogan Gidley, disse que Trump não planeja pedir ao seu secretário de Justiça que inicie uma investigação sobre os rivais políticos do presidente.

    O caminho de Trump rumo à reeleição continua perigoso. Analistas dizem que ele provavelmente precisará vencer no Michigan, Pensilvânia e Wisconsin, como fez em sua vitória improvável em 2016, e os democratas já estão investindo nestes Estados do Meio-Oeste do país.

    Trump dará um sinal sobre sua mensagem de campanha na noite de quinta-feira, quando comandará um evento 'Torne a América Grande Novamente' no Michigan.

    Escrito por Thomson Reuters

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