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Apenas um em cada três norte-americanos apoia guerra contra o Irã, mostra pesquisa Reuters/Ipsos

Apenas um em cada três norte-americanos apoia guerra contra o Irã, mostra pesquisa Reuters/Ipsos

Reuters

27/07/2026

Placeholder - loading - Pessoas caminham perto de um outdoor em um prédio em Teerã 27 de julho de 2026 Majid Asgaripour/WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental) via REUTERS
Pessoas caminham perto de um outdoor em um prédio em Teerã 27 de julho de 2026 Majid Asgaripour/WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental) via REUTERS

Por Bo Erickson e Jason Lange

WASHINGTON, 27 Jul (Reuters) - Apenas um em cada três norte-americanos ​apoia a guerra contra o Irã, o índice mais baixo registrado em uma pesquisa Reuters/Ipsos desde os primeiros dias do conflito, que já dura cinco meses, com a maioria dos entrevistados afirmando que o presidente Donald Trump não conseguiu explicar seus objetivos.

A pesquisa, realizada de sexta a domingo, também mostrou que o índice de aprovação do presidente republicano subiu para 37%, um aumento de três pontos em relação ao mês passado, quando seu índice igualou o mais baixo de sua Presidência.

Trump tem apresentado objetivos variáveis para o conflito, como ajudar os iranianos a derrubar seus líderes, neutralizar a capacidade de mísseis balísticos do Irã e impedir que o país obtenha uma arma nuclear. A pesquisa revelou que 69% dos norte-americanos — incluindo quatro em cada dez republicanos — acham que Trump não “explicou claramente os objetivos do envolvimento militar dos EUA no Irã”.

A porta-voz da Casa Branca Olivia Wales disse que Trump não tomará decisões com base em “pesquisas de opinião voláteis” e reiterou a determinação do presidente em impedir que o Irã venha a adquirir uma arma nuclear. “O que mais importa para o ⁠povo norte-americano é ter um comandante-chefe ⁠que tome medidas ousadas para garantir sua segurança”, disse Wales.

A aprovação ​do conflito tem ‌ficado abaixo de 40% desde que os EUA e Israel lançaram ataques em 28 de fevereiro — um contraste marcante com os primeiros meses de outros conflitos recentes.

Embora cada um tenha tido um contexto diferente, a Guerra do Iraque, de 2003 a 2011, contou com o apoio de cerca de 70% dos norte-americanos em seus primeiros meses. Durante os primeiros dias da Guerra do Afeganistão, que durou de 2001 a 2021, cerca de 90% do país apoiava a guerra, de acordo com pesquisa ⁠da Gallup.

“NÃO FAÇO IDEIA” DO MOTIVO DA GUERRA DOS EUA

A desaprovação pública da guerra está pesando sobre Trump e seu Partido ​Republicano às vésperas das eleições de meio de mandato de novembro, quando os aliados do presidente defenderão maiorias estreitas no Congresso dos EUA.

“Não está claro por que ​começamos uma guerra contra eles. Não faço ideia”, disse Alex Womack, um especialista aposentado em reparos de ‌turbinas de Stockbridge, na Geórgia, que se ​tornou republicano ⁠em parte porque gostou da forma como o presidente republicano George H.W. Bush lidou com a Guerra do Golfo em 1991.

Womack, que serviu no Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA durante aquele conflito, disse que seu apoio a Trump diminuiu por causa da guerra. “Pessoalmente, não acho que ele esteja se saindo muito bem”, afirmou.

Até o momento, 18 soldados norte-americanos morreram no conflito, ​enquanto milhares morreram no Irã e no Líbano, onde combatentes aliados ao Irã enfrentaram as forças israelenses.

A guerra provocou um aumento acentuado nos preços da gasolina, um golpe para as finanças de muitos norte-americanos. Os preços da gasolina estão em média pouco acima de US$4 por galão (3,8 litros) em todo o país, ante cerca de US$3 por galão pouco antes do início da guerra, em 28 de fevereiro.

“Isso pressiona o partido de inúmeras maneiras, todas elas negativas”, disse Alex Conant, estrategista político republicano e porta-voz da Casa Branca durante a ​Presidência de George W. Bush. “Autoridades da Casa Branca vêm dizendo desde janeiro que precisam vencer os debates econômicos. É difícil vencer esses debates quando se está claramente focado na política externa.”

Os eleitores registrados como independentes na última pesquisa Reuters/Ipsos afirmaram que preferiam o candidato democrata ao Congresso em vez do republicano, por 36% a 20%. A pesquisa também revelou que os eleitores independentes preferiam os democratas aos republicanos em relação à política econômica.

TRUMP PROMETEU FICAR FORA DE GUERRAS

Durante a campanha para a eleição presidencial de 2024, Trump afirmou que manteria os EUA fora de conflitos prolongados. Inicialmente, ele estimou que a guerra contra o Irã duraria de quatro a cinco semanas. Ele se irritou com comparações a outras guerras, incluindo a Guerra do Vietnã, que durou duas décadas e custou a vida a mais de 58 mil soldados norte-americanos.

Rhyan Anderson, um eleitor independente de Fairburn, na Geórgia, que ​votou em Trump em 2024, disse que acha que Trump deveria se concentrar nos problemas internos, em vez de ajudar Israel ou outros aliados.

“O que mais me importa é que ele se ‌concentre nas pessoas que realmente estão no país”, disse Anderson, que tem ⁠dois empregos nas áreas de segurança e coleta de dados e afirmou ter votado no democrata Joe Biden em 2020. “Sei que temos aliados e coisas do tipo, mas há muitas pessoas aqui que realmente precisam de ajuda.”

Desde meados de março, a pesquisa Reuters/Ipsos tem perguntado aos entrevistados se eles apoiam ou se opõem a ataques militares contra ⁠o Irã. Naquele momento, 37% disseram apoiar a guerra.

Isso se compara aos 27% de aprovação no dia em que ⁠a guerra começou, quando a pesquisa Reuters/Ipsos também ofereceu aos entrevistados a opção de ⁠escolher “não tenho certeza”, o que 29% escolheram.

A ⁠mais ​recente pesquisa Reuters/Ipsos, realizada online e em todo o país, reuniu respostas de 1.246 adultos norte-americanos e teve uma margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Reuters

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