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Apesar de crescimento acima do esperado, dados do PIB impõem viés de baixa a projeções para a atividade

Apesar de crescimento acima do esperado, dados do PIB impõem viés de baixa a projeções para a atividade

Reuters

01/09/2026

Placeholder - loading - Pessoas caminham em frente a uma loja em rua comercial no centro de São Paulo, em 4 de dezembro de 2014. REUTERS/Paulo Whitaker
Pessoas caminham em frente a uma loja em rua comercial no centro de São Paulo, em 4 de dezembro de 2014. REUTERS/Paulo Whitaker

Por Camila Moreira

SÃO PAULO, 1 Set (Reuters) - A economia do Brasil cresceu ​um pouco mais do que o esperado no segundo trimestre, mas a abertura dos dados acende um sinal de alerta e impõe viés de baixa para a já esperada desaceleração no segundo semestre ao destacar a pressão da política monetária ainda restritiva e do endividamento das famílias e empresas, de acordo com analistas.

O crescimento da agropecuária garantiu um crescimento maior do que o esperado do Produto Interno Bruto entre abril e junho, com alta de 0,5% sobre o trimestre anterior, mas especialistas destacaram especificamente a fraqueza da indústria e serviços, além da queda no consumo das famílias.

'Tudo que é afetado por endividamento e política monetária restritiva veio mais fraco, ... e sugere que a gente tem um PIB em que componentes mais ligados a consumo e crédito estão patinando', disse Yihao Lin, economista da ⁠Genial Investimentos.

'Os números de ⁠hoje só confirmam expectativa de arrefecimento da economia e ​até colocam ‌em dúvida o crescimento do próximo ano', completou.

O cenário levou Lin a revisar para baixo suas projeções para os próximos trimestres -- de expansão de 0,3% no terceiro trimestre para 0,2%, e de 0,4% no quarto para 0,3%. Para 2026, a conta caiu de 1,9% para 1,8%.

Economistas esperavam uma alta de 0,4% do PIB no segundo trimestre, segundo pesquisa da Reuters.

A abertura ⁠dos dados do PIB do segundo trimestre também levou Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, a ​colocar viés de baixa em suas projeções de alta de 0,1% do PIB no terceiro trimestre e de 0% para ​o quarto.

'A análise qualitativa de fato trouxe uma pulga atrás da orelha maior ‌nas perspectivas', disse, destacando ainda ​dados anteriores ⁠do Banco Central que mostraram que, em julho, o estoque de crédito subiu apenas 0,3% e a inadimplência chegou ao maior nível da série histórica, a 6,4%.

'A parte dos dados de crédito segue apontando piora relevante e que parece que começa a conversar com o cenário ​para a economia, trazendo perspectiva de atividade estagnada no segundo semestre, com algum risco de o PIB ser negativo principalmente no terceiro trimestre', disse Rondinelli.

Fontes disseram à Reuters que o Banco Central está estudando uma série de medidas para conter o endividamento da população. O diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, afirmou nesta terça-feira que são esperadas para os próximos meses medidas relevantes para ajudar ​o sistema financeiro a lidar com endividamento em linhas de crédito de custo mais alto.

Embora o BC tenha iniciado um ciclo de afrouxamento da política monetária, a taxa básica de juros segue em patamar restritivo e deve continuar agindo negativamente sobre a economia, com a Selic atualmente em 14% diante de inflação e expectativas de inflação acima do centro da meta.

Ao quadro de crescente endividamento das famílias e empresas e de manutenção da política monetária restritiva, soma-se ainda o cenário externo com expectativa de juros mais altos e a perspectiva de um El Niño forte.

'Seguimos projetando crescimento de 1,7% para o consolidado de 2026, embora com a ressalva de que ​o cenário passa a contar com riscos cada vez mais inclinados a uma desaceleração mais aguda da economia', disse Matheus Pizzani, economista do PicPay. ‌Ele destacou o 'reflexo direto do ambiente global adverso e ⁠de seu impacto direto na condução da política monetária local, bem como a possível corrosão adicional do poder de compra das famílias em decorrência do impacto negativo do El Niño sobre a produção agropecuária e a inflação de alimentação no domicílio'.

Restam ainda ⁠as incertezas associadas à eleição presidencial de outubro. 'A dúvida é quanto espaço o BC ⁠vai ter para cortar a Selic. A eleição pode fazer com ⁠que o câmbio deprecie a ⁠depender ​do resultado, combinado ao cenário externo mais adverso. Realmente tem um cenário eleitoral que pode balançar as coisas', disse Lin.

(Edição de Isabel Versiani)

Reuters

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