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Atividade resiliente e desancoragem de expectativas demandam juros restritivos por mais tempo, diz Galípolo

Atividade resiliente e desancoragem de expectativas demandam juros restritivos por mais tempo, diz Galípolo

Reuters

24/07/2026

Placeholder - loading - Presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo, fala durante entrevista coletiva de imprensa na sede do banco em Brasília, 26 de março de 2026. REUTERS/Adriano Machado
Presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo, fala durante entrevista coletiva de imprensa na sede do banco em Brasília, 26 de março de 2026. REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  24/07/2026

24 Jul (Reuters) - O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ​avaliou nesta sexta-feira que a economia e o mercado de trabalho no Brasil estão resilientes, reforçando que o cenário atual, que inclui expectativas de inflação desancoradas, demanda juros em patamar restritivo por mais tempo.

'Os sinais que a gente tem da economia brasileira são ainda de uma economia com o mercado de trabalho bastante resiliente, uma atividade econômica que se mostra ainda resiliente, e a preocupação adicional das expectativas (de inflação), que já estavam parcialmente desancoradas, e desancoram ainda um pouco mais', disse em participação no evento Expert XP 2026, promovido pela XP, em São Paulo.

'Isso obviamente é uma preocupação adicional que nos recomenda permanecer com uma taxa de juros ⁠num patamar ⁠restritivo por um período mais longo.'

O boletim Focus ​do BC ‌mostra que o mercado espera uma inflação de 4,20% em 2027, contra 4,15% um mês atrás, com expectativa em 3,78% para 2028, ante 3,70% há um mês.

Galípolo afirmou que o BC tem se colocado dependente de dados, buscando tomar tempo para analisar o cenário e enxergar 'tendência de maneira ⁠mais clara' antes de tomar decisões.

'A gente vai seguir acompanhando os dados com a ​convicção de que o cenário atual demanda taxas de juros em patamar restritivo', disse.

A Selic está atualmente ​em 14,25% ao ano, e o Comitê de Política Monetária (Copom) ‌se reunirá novamente no ​início de ⁠agosto para discutir uma nova taxa. No mercado, os investidores estão posicionados de forma majoritária para uma nova redução de 25 pontos-base, mas há dúvidas sobre a continuidade deste processo de cortes nos meses seguintes, em parte ​por conta da disparada do petróleo.

O presidente do BC afirmou que a autarquia acompanha os desdobramentos das variações de preços do petróleo dia a dia, mas ponderou que o Brasil está melhor posicionado por ser exportador líquido da commodity, citando também o diferencial de juros em relação a outros países como uma linha ​de defesa do país.

Galípolo acrescentou que o fenômeno El Niño não tem um comportamento padrão a cada ocorrência, sendo difícil extrair uma tendência clara dos efeitos a serem observados nos próximos meses.

Ele avaliou que é 'bastante complexo' separar atualmente o que são efeitos do choque de oferta sobre a inflação e o que é fruto de uma resiliência maior da atividade econômica brasileira.

Nos últimos dias, a reaceleração dos preços do petróleo nos mercados internacionais, na esteira do conflito entre Irã e EUA, tem reforçado preocupações entre analistas sobre os efeitos ​deste choque na inflação nos países, incluindo no Brasil.

Galípolo reafirmou que o BC manterá serenidade e parcimônia em suas ‌decisões, reforçando que o Copom considera 'diversos planos ⁠de voo' para atingir a meta de inflação de 3%, inclusive com avaliações sobre possível pausa e retomada no ciclo de calibração dos juros.

Em sua decisão de juros do mês de junho, o BC ⁠indicou que combinaria momentos de pausa e retomada no ciclo da Selic ⁠para levar a inflação à meta no primeiro ⁠trimestre de 2028, um ⁠prazo ​mais longo do que o usual.

(Reportagem de Bernardo Caram; reportagem adicional de Fabrício de Castro; edição de Isabel Versiani)

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