AUSTRÁLIA TIRA MÚSICAS DE IA DAS PARADAS
NOVA REGRA DA ARIA EXCLUI FAIXAS GERADAS PRINCIPALMENTE POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
João Carlos
25/08/2026
A indústria musical australiana decidiu traçar uma linha mais clara entre criação humana e conteúdo sintético. A partir do ranking publicado na sexta-feira, 28 de agosto, gravações produzidas integralmente ou principalmente por inteligência artificial deixam de ser elegíveis para as paradas oficiais da ARIA, principal associação da indústria fonográfica do país.
A medida, no entanto, não representa uma proibição nacional. As faixas ainda podem ser lançadas, disponibilizadas em plataformas digitais e tocadas pelas rádios. A restrição vale para os ARIA Charts e também impede que gravações consideradas inelegíveis concorram aos prêmios organizados pela entidade.
O que muda na prática
Músicas que utilizam IA apenas como ferramenta de apoio continuam aceitas, desde que sejam consideradas “substancialmente feitas por humanos”. A nova regra também exige que as gravações não estejam envolvidas em suspeitas de manipulação de reproduções ou posições nos rankings.
A ARIA poderá retirar faixas das paradas, alterar colocações e até cancelar certificações ou reconhecimentos concedidos anteriormente. Artistas e representantes, porém, terão o direito de apresentar provas e contestar uma eventual exclusão.
A discussão ganhou força depois que uma versão de “Like a Prayer”, clássico de Madonna, produzida pelo DJ australiano Josh Fawaz, tornou-se a música mais tocada pelas rádios do país em julho. A gravação também alcançou o quarto lugar em duas paradas da ARIA. Mais tarde, a ficha da faixa passou a informar que os vocais e a bateria haviam sido gerados com IA.
A decisão australiana acompanha uma iniciativa internacional da IFPI, que estabeleceu princípios semelhantes para mais de 20 programas de rankings musicais. O Brasil também aparece entre os mercados que devem aplicar esses critérios por meio da parada administrada pela Pro-Música.
A mensagem da indústria é direta: a inteligência artificial na música pode continuar entrando no estúdio como ferramenta, mas, nas paradas oficiais, a criação humana ainda precisa ocupar o centro do palco.


