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BCE eleva juros para nível recorde e sinaliza fim do aperto monetário

BCE eleva juros para nível recorde e sinaliza fim do aperto monetário

Reuters

14/09/2023

Placeholder - loading - Prédio do Banco Central Europeu em Frankfurt 21/07/2022 REUTERS/Wolfgang Rattay
Prédio do Banco Central Europeu em Frankfurt 21/07/2022 REUTERS/Wolfgang Rattay

Atualizada em  14/09/2023

Por Francesco Canepa e Balazs Koranyi

FRANKFURT (Reuters) - O Banco Central Europeu elevou sua taxa básica de juros a um pico recorde de 4% nesta quinta-feira e, com a economia da zona do euro abalada, sinalizou que esse provavelmente será seu último movimento na batalha de mais de um ano contra a inflação alta.

O banco central dos 20 países que compartilham o euro também aumentou suas previsões para a inflação, que agora espera que caia mais lentamente em direção à sua meta de 2% nos próximos dois anos, ao mesmo tempo em que reduziu suas expectativas para o crescimento econômico.

Isso ilustrou o dilema que o BCE enfrentou na reunião, com os preços ainda subindo a mais do que o dobro de sua meta mas com a atividade econômica enfrentando dificuldades devido aos altos custos de empréstimos e à desaceleração na China.

Diante desse cenário, o BCE enviou uma mensagem clara de que provavelmente já terminou de aumentar os juros.

'Com base em sua avaliação atual, o Conselho do BCE considera que as taxas de juros básicas atingiram níveis que, mantidos por um período suficientemente longo, darão uma contribuição substancial para o retorno oportuno da inflação à meta', disse o BCE.

A expectativa agora é de que isso ocorra mais lentamente do que na época das projeções anteriores do BCE, em junho, com a inflação passando a ser em 5,6% em 2023, 3,2% em 2024 e 2,1% em 2025.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, não descartou mais um aumento de juros se necessário e disse que as taxas terão que permanecer em níveis restritivos por algum tempo.

'O foco vai passar, à frente, para a duração. Mas isso não quer dizer --porque não podemos dizer isso agora --que estamos no pico', disse ela em entrevista à imprensa.

Lagarde reconheceu que alguns membros do BCE argumentaram contra o aumento dos juros, mas acrescentou: 'Houve uma maioria sólida de presidentes (de BCs) que concordou com a decisão que tomamos.'

Quando questionada sobre a redução pelo BCE de suas estimativas de crescimento --a expansão da zona do euro este ano foi estimada em apenas 0,7% --e se isso significa que uma recessão é agora o cenário básico, Lagarde insistiu que a desaceleração é temporária.

'A recuperação que tínhamos planejado para o segundo semestre de 2023 foi adiada', disse ela 'Estamos confiantes de que o crescimento vai acelerar em 2024.'

INFLAÇÃO

O aumento da estimativa de inflação para 2024 - o que havia sido relatado pela Reuters anteriormente - provavelmente desempenhou um papel importante nas discussões, já que os autoridades de política monetária avaliaram o risco de a inflação, atualmente ainda acima de 5%, ficar presa em um nível elevado.

O aumento de 25 pontos-base adotado nesta quinta-feira eleva a taxa que o BCE paga sobre os depósitos bancários para 4,0%, o nível mais alto desde que o euro foi lançado em 1999.

Há apenas 14 meses, essa taxa estava em uma mínima recorde de -0,5%, o que significa que os bancos tinham que pagar para manter seu dinheiro em segurança no banco central.

Reuters

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