BCE mantém taxas de juros, mas alta em setembro continua em jogo
BCE mantém taxas de juros, mas alta em setembro continua em jogo
Reuters
23/07/2026
Atualizada em 23/07/2026
Por Balazs Koranyi e Francesco Canepa
FRANKFURT, 23 Jul (Reuters) - O Banco Central Europeu manteve as taxas de juros como esperado nesta quinta-feira, mas deixou em aberto a possibilidade de um novo aumento em setembro já que um novo salto nos preços da energia ameaça manter a inflação bem acima da meta de 2%.
O BCE elevou os juros em junho e indicou que mais aumentos estariam por vir, mas uma série de dados favoráveis sobre preços, salários, atividade econômica e expectativas de inflação nas semanas seguintes tornou menos urgente um novo movimento imediato.
No entanto, o retorno dos preços do petróleo a quase US$100 por barril com a retomada dos confrontos entre os Estados Unidos e o Irã continua pressionando o BCE, e investidores financeiros e economistas de mercado preveem um movimento na próxima reunião do banco para impedir que o choque energético desencadeie uma espiral de preços mais ampla.
Os preços do gás natural, que permaneceram relativamente mais baixos nos últimos meses, também estão agora em seu nível mais alto em mais de três anos, aumentando as pressões sobre os preços.
“Está ficando mais caro para as empresas adquirir insumos e, por isso, elas preveem aumentar seus preços de venda”, disse a presidente do BCE, Christine Lagarde, em sua coletiva de imprensa habitual após a decisão.
“Embora a evolução da inflação subjacente tenha permanecido contida, os efeitos completos do choque energético ainda não se manifestaram”, disse ela, acrescentando que, quanto mais tempo os preços da energia permanecerem altos, maior será a probabilidade de que efeitos de segunda ordem da inflação se espalhem pela economia.
Lagarde disse que algumas autoridades do BCE levantaram a questão durante as discussões sobre se um aumento seria justificado, mas que, no fim a decisão de manter os juros foi tomada por unanimidade.
O Federal Reserve e o Banco da Inglaterra, que anunciarão suas decisões sobre os juros na próxima semana, também estão avaliando o momento certo para possíveis aumentos nos próximos meses.
No caso do BCE, os investidores apostam em quase mais três aumentos das taxas de juros, com o primeiro já totalmente precificado até outubro e o segundo até fevereiro do ano que vem.
No entanto, essa precificação reflete mais os preços da energia do que os fundamentos econômicos, e a maioria dos economistas consultados pela Reuters afirma que a zona do euro, composta por 21 países, precisará de um aperto monetário muito menor para conter a inflação, que poderá oscilar em torno de 3% nos próximos meses, acima da meta de 2%.
A principal razão pela qual o BCE pode se dar ao luxo de ser paciente é que os efeitos de segunda ordem do aumento dos preços da energia ainda não se concretizaram.
Os altos custos da energia tendem a elevar o preço de todos os bens e serviços e acabam forçando os trabalhadores a exigir salários mais altos, desencadeando uma espiral inflacionária de salários e preços.
Mas o crescimento salarial continua diminuindo, o mercado de trabalho está relativamente fraco — especialmente na Alemanha, a maior economia do bloco — e as empresas pesquisadas pelo BCE preveem pressões salariais ainda mais moderadas.
Reuters

