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Bolsonaro defende indicação de Kassio Nunes ao STF e chama ataques de covardia

Bolsonaro defende indicação de Kassio Nunes ao STF e chama ataques de covardia

Reuters

02/10/2020

Placeholder - loading - 01/09/2020 REUTERS/Adriano Machado
01/09/2020 REUTERS/Adriano Machado

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro fez uma defesa veemente de seu indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o desembargador Kassio Nunes, e reafirmou que não irá mudar a indicação, apesar das críticas de apoiadores, especialmente da ala evangélica.

'Está mantido o nome dele. A menos que tenha um fato novo gravíssimo contra ele, que tudo indica que não tem, eu revi muito a vida dele. Ele vai para o Supremo. Agora, é uma covardia o que estão fazendo com ele', reclamou o presidente em conversa com apoiadores ao sair do Palácio da Alvorada.

O presidente reclamou de informações que estão sendo usadas nas redes contra o desembargador e criticou duramente o pastor Silas Malafaia, antigo aliado --sem citar seu nome-- a quem chamou de covarde pelas acusações feitas a Nunes.

'Essa infâmia que essa autoridade lá do Rio de Janeiro está fazendo contra o Kassio é uma covardia. Até porque ele queria que eu colocasse um indicado por ele', reclamou. 'Com todo respeito o presidente sou eu. Eu não tenho cabeça dura não. Eu volto atrás em decisões minhas. Mas essa decisão é crucial para mim.'

Em vídeos postados em suas redes sociais, Malafaia classificou de 'absurdo vergonhoso' a indicação de Nunes.

'Meu presidente, com todo o respeito, como é que o senhor vai indicar um cara para o STF nomeado por Dilma, amigo da petralhada, com posições socialistas. É uma decepção geral. O senhor está colocando um camarada que atende o centrão, o PT e a esquerda', afirmou.

Encabeçado pelas críticas de Malafaia, apoiadores de Bolsonaro foram às redes sociais para reclamar da nomeação do desembargador e dizer que não iriam mais votar em Bolsonaro em 2022.

'Estou chateado sim, pessoal que me apoia dizendo 'não voto mais'. Não tem problema é um direito dele, até não ir votar. Agora essa autoridade do Rio de Janeiro queria que indicasse o dele. Lamento uma autoridade que diz que tem Deus no coração, dói mais ainda', disse o presidente.

Malafaia pretendia ver indicado ao STF o juiz federal William Douglas dos Santos, evangélico, e que tinha inicialmente apoio do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente. O pastor chegou a levar outros evangélicos a uma audiência com Bolsonaro em que foi apresentado o nome de Santos, mas o presidente nunca chegou a concordar com a indicação.

Apesar ter dito diversas vezes que pretendia indicar um ministro 'terrivelmente evangélico', Bolsonaro decidiu deixar a promessa para a segunda vaga que terá direito, em 2021, com a aposentadoria de Marco Aurélio Mello.

Reuters

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