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BRASIL OCUPA POSIÇÃO DE DESTAQUE NA INOVAÇÃO DA AMÉRICA LATINA

Ranking internacional avalia 139 economias e mostra onde o país se destaca em pesquisa e negócios e quais obstáculos ainda limitam seu avanço

Bruna Valle

09/10/2026

Placeholder - loading - Índice Global de Inovação de 2026 coloca o Brasil entre os destaques da América Latina e aponta áreas em que o país ainda precisa transformar pesquisa em resultados econômicos
Índice Global de Inovação de 2026 coloca o Brasil entre os destaques da América Latina e aponta áreas em que o país ainda precisa transformar pesquisa em resultados econômicos

A capacidade de inovar não depende apenas de criar novas tecnologias. Também envolve transformar conhecimento científico em negócios, atrair investimentos, desenvolver empresas e fazer com que as descobertas cheguem ao mercado.

É essa combinação de fatores que ajuda a explicar por que alguns países mantêm a liderança global, enquanto outros ainda buscam converter seu potencial em resultados.

Na edição de 2026 do Índice Global de Inovação, divulgado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), a Suíça aparece em primeiro lugar pelo 16º ano consecutivo, seguida por Suécia e Estados Unidos.

O levantamento compara 139 economias e reúne indicadores relacionados à pesquisa, ao ambiente empresarial, à infraestrutura, ao conhecimento e à produção tecnológica.

O Brasil ocupa a 53ª posição no ranking mundial e aparece em segundo lugar na América Latina e no Caribe, atrás do Chile. O resultado coloca o país entre os principais polos de inovação da região, mas também evidencia uma questão importante: como aproveitar melhor a estrutura científica e empresarial já existente para ampliar a produtividade e a competitividade?

Quem lidera a inovação mundial

O grupo das dez economias mais bem colocadas reúne países europeus, asiáticos e norte-americanos. Depois de Suíça, Suécia e Estados Unidos, aparecem Coreia do Sul, Singapura, Reino Unido, Países Baixos, Finlândia, Dinamarca e China.

A presença de países asiáticos entre os primeiros colocados mostra a força de ecossistemas que conectam pesquisa, indústria, capital e desenvolvimento tecnológico. A China, na décima posição, é a única economia de renda média entre as dez primeiras.

Embora o topo da classificação permaneça relativamente estável, o relatório identifica avanços de países que vêm ampliando sua presença na economia do conhecimento. Índia, Vietnã, Turquia, Filipinas, Marrocos e Indonésia estão entre os que ganharam espaço ao longo da última década.

Suíça, Suécia e Estados Unidos lideram o Índice Global de Inovação de 2026

Onde o Brasil mostra força?

O desempenho brasileiro é sustentado por uma combinação de mercado interno amplo, atividade científica, empreendedorismo e desenvolvimento de ativos intangíveis, como marcas e propriedade intelectual.

Entre os indicadores destacados pela OMPI estão a atividade relacionada a marcas registradas, na qual o Brasil ocupa a oitava posição, e os pagamentos por propriedade intelectual, em 13º lugar.

O país também apresenta resultados relevantes em investimentos de capital de risco em estágios avançados e na atividade de empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento.

Esses números sugerem que o Brasil tem recursos importantes para desenvolver soluções e transformar conhecimento em atividade econômica. O desafio é fazer com que essas vantagens se espalhem por mais setores e regiões, em vez de ficarem concentradas em determinados centros e segmentos.

São Paulo aparece entre os polos globais

A inovação também tem uma dimensão geográfica. Além de comparar países, o índice acompanha cidades e regiões metropolitanas que concentram inventores, produção científica e investimentos em empresas de tecnologia.

Nesse recorte, São Paulo ocupa a 49ª posição entre os principais polos de inovação do mundo em 2026. A presença da cidade reforça seu papel como centro brasileiro de pesquisa, tecnologia e empreendedorismo, conectando universidades, empresas e iniciativas que buscam transformar ideias em produtos e serviços.

No ranking de polos, Shenzhen–Hong Kong–Guangzhou aparece em primeiro lugar, seguida por Tóquio–Yokohama e San José–São Francisco. A classificação considera a concentração de atividade científica, inventores e negócios financiados por capital de risco.

O que ainda impede um salto maior

O relatório também aponta obstáculos que ajudam a explicar por que o Brasil não ocupa uma posição mais alta na classificação geral. A produtividade do trabalho aparece na 94ª posição, enquanto o ambiente de negócios está em 129º lugar. A disponibilidade de profissionais formados em ciências e engenharia também é uma fragilidade, com o país na 101ª posição nesse indicador.

Outro ponto é a participação do setor privado em pesquisa e desenvolvimento. Para avançar, não basta produzir conhecimento: é necessário fortalecer a ligação entre universidades, centros de pesquisa, empresas e investidores, além de criar condições para que novos produtos e processos cheguem ao mercado.

Essas diferenças mostram que inovação é um sistema. Um país pode ter pesquisadores qualificados, empresas criativas e um mercado amplo, mas ainda encontrar dificuldades para transformar esses recursos em ganhos consistentes de produtividade.

A próxima etapa é transformar conhecimento em resultados

O Índice Global de Inovação oferece uma visão mais ampla do que uma simples lista de países. Ao combinar indicadores de recursos e resultados, permite observar não apenas quem lidera, mas também quais fatores ajudam a explicar o desempenho de cada economia.

Para o Brasil, o segundo lugar regional e a presença de São Paulo entre os polos globais são sinais de capacidade instalada. O avanço futuro, porém, dependerá de aproximar ainda mais ciência, empreendedorismo, investimento e ambiente de negócios.

A oportunidade está em fazer com que a inovação deixe de ser uma força concentrada em alguns setores e se torne um motor mais abrangente de produtividade, competitividade e desenvolvimento econômico.

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