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Brasil praticamente esgota cota de carne bovina à China e reduz abates, diz StoneX

Brasil praticamente esgota cota de carne bovina à China e reduz abates, diz StoneX

Reuters

06/07/2026

Placeholder - loading - Bovinos da raça zebu são vistos em uma fazenda em Paulínia, Brasil, em 1º de julho de 2017. REUTERS/Paulo Whitaker
Bovinos da raça zebu são vistos em uma fazenda em Paulínia, Brasil, em 1º de julho de 2017. REUTERS/Paulo Whitaker

Por Leticia Fucuchima

SÃO PAULO, 6 Jul (Reuters) - O ​Brasil já preencheu 98,5% da cota de exportação de carne bovina à China até junho, o que levou frigoríficos a reduzirem os abates devido à diminuição dos volumes a serem exportados, sobretudo no terceiro trimestre, afirmou a StoneX, em análise divulgada nesta segunda-feira.

A China, maior importador da carne bovina brasileira, implementou uma cota de 1,1 milhão de toneladas livre da tarifa mais alta de 55% para o produto do Brasil este ano, para proteger sua produção interna.

Segundo a Stonex, o ⁠Brasil ⁠já exportou 98,5% desse volume, considerando ​os embarques ‌que começaram a ser feitos no fim do ano passado, em novembro, até 30 de junho deste ano. Levando em conta os dados de internalização da China -- ou seja, a carne que efetivamente já desembarcou ⁠no país --, o Brasil havia preenchido 72% da cota até 30 ​de junho.

Com isso, o saldo brasileiro deve ser preenchido até agosto, contando ​os cerca de 45 dias entre o ‌embarque no Brasil e ​a ⁠chegada à China.

'Há uma expectativa de maior oferta (de carne bovina) no mercado interno, também possibilidades de remanejamento de oferta, mas a primeira reação da indústria foi diminuir os ​abates', disse Larissa Barboza Alvarez, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Ela acrescentou ainda que o atingimento da cota da China foi o motivo pelo qual frigoríficos começaram as férias coletivas em massa no Mato Grosso nos últimos ​dias.

As exportações brasileiras de carne bovina atingiram níveis recordes no primeiro semestre de 2026, totalizando 1,705 milhão de toneladas embarcadas e US$9,85 bilhões em receita, informou nesta segunda-feira a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), citando dados oficiais do governo.

Boa parte da aceleração dos embarques ocorreu em função das cotas chinesas definidas para 2026, disse a StoneX, acrescentando que as exportações à China devem retornar no ​quarto trimestre, dado o início da cota de 2027.

Além do Brasil, a Austrália também ‌já esgotou sua cota de exportação ⁠à China, de modo que 'os principais fornecedores deixam de abastecer o mercado chinês a partir de meados do 3º trimestre', apontou o relatório.

'Argentina, Uruguai ⁠e Estados Unidos ainda têm espaço relevante em suas ⁠cotas, mas restam dúvidas quanto à ⁠capacidade de preenchê-las, ⁠dada ​a disponibilidade mais limitada desses players para exportação'.

(Por Letícia Fucuchima; edição de Marta Nogueira)

Reuters

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