Ação da Casas Bahia despenca após pedido de recuperação judicial envolvendo dívidas de R$17,3 bi
Ação da Casas Bahia despenca após pedido de recuperação judicial envolvendo dívidas de R$17,3 bi
Reuters
17/08/2026
Atualizada em 17/08/2026
Por Michael Susin
17 Ago (Reuters) - As ações da Casas Bahia desabavam nesta segunda-feira após o grupo varejista pedir recuperação judicial, citando a deterioração das condições financeiras da companhia, afetadas pelo ambiente macroeconômico desafiador.
A medida judicial impacta pagamentos de aproximadamente R$17,3 bilhões a bancos, fundos de investimento, seguradoras, fornecedores, além de aluguéis e dívidas trabalhistas.
Por volta de 12h40, as ações recuavam 21,2%, a R$0,52, tendo chegado a R$0,42 no pior momento, com um tombo de 36,4%.
No fato relevante sobre o pedido, a companhia apontou patamares elevados de taxas de juros, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro, além da não concretização de alternativas de liquidez que vinham sendo estruturadas, como componentes para a piora das suas finanças.
'Nesse cenário de liquidez restrita, o ajuizamento do pedido de recuperação judicial mostra-se necessário e configura mais um passo na direção da reestruturação financeira da companhia, buscando preservar a continuidade das atividades empresariais, proteger a geração de valor futuro e viabilizar uma solução ordenada para o equacionamento de suas obrigações', afirmou.
O pedido protocolado no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo também inclui algumas de suas filiais. O conselho de administração da empresa aprovou pedido para a convocação de uma assembleia geral extraordinária para a data mais breve possível para deliberar sobre o tema.
A Casas Bahia ressaltou que, durante o curso do processo de recuperação, a companhia pretende 'manter suas operações em todos os seus canais existentes, priorizando o atendimento a seus clientes e consumidores, sem interrupções relevantes, e nos níveis de qualidade e serviço atualmente existentes'.
'Nos últimos anos, fizemos um trabalho importante de transformação da companhia. Reduzimos de forma relevante o endividamento financeiro, melhoramos nossa estrutura de capital, avançamos em eficiência e fortalecemos a geração de caixa. Mas precisamos reconhecer que essa evolução, embora crucial, não foi suficiente diante de um cenário de crédito mais restritivo, juros elevados e consumo pressionado', afirmou o presidente-executivo da empresa, Renato Franklin, em nota à imprensa.
'A realidade mudou e, junto ao nosso conselho de administração, tomamos decisões para adequar a companhia a essa nova realidade', acrescentou.
'Em uma perspectiva mais ampla para o setor varejista, destacamos que o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia menciona a dificuldade de obter linhas de crédito de curto prazo para financiar o capital de giro, além de um mercado de crédito mais restrito, como alguns dos fatores que contribuíram para a deterioração de sua situação financeira', apontaram analistas do JPMorgan.
'Embora essa situação não seja aplicável de forma generalizada a todas as varejistas, acreditamos que empresas que precisem refinanciar passivos de curto prazo e financiar necessidades de capital de giro podem enfrentar condições de crédito desafiadoras, especialmente aquelas com balanços mais pressionados e níveis mais elevados de alavancagem,' acrescentaram em relatório a clientes.
Na madrugada de domingo, a companhia havia reportado um prejuízo de mais de R$10 bilhões no segundo trimestre, que relacionou ao impacto de um plano de redimensionamento de sua operação, que incluiu o fechamento de 298 lojas para lidar com o momento mais difícil.
Também anunciou o início de uma nova etapa do seu plano de transformação, que, além do fechamento de lojas, inclui reorientação dos canais digitais, adequação dos estoques e do capital de giro, redução estrutural de custos, despesas e investimentos, gestão da liquidez e redução do custo financeiro, alternativas de estrutura de capital e liquidez.
'A estratégia daqui em diante é operar uma companhia menor, mais seletiva e concentrada nas atividades capazes de gerar retorno e caixa. Isso significa preservar as operações com maior capacidade econômica, adequar custos e investimentos ao novo nível de atividade, melhorar o giro de estoques e reduzir a necessidade de capital empregado', acrescentou Franklin.
A companhia também anunciou a renúncia do diretor jurídico e tributário, Fábio Spina, e dos conselheiros Jackson Schneider e Rogério Calderón Peres. A empresa afirmou que Spina permanecerá como consultor.
(Por Michael Susin em Barcelona, com reportagem adicional e edição de Paula Arend Laier)
Reuters

