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Com paradeiro desconhecido, Flávio Bolsonaro descumpre prazo do STF para entregar passaportes

Com paradeiro desconhecido, Flávio Bolsonaro descumpre prazo do STF para entregar passaportes

Reuters

27/10/2026

Placeholder - loading - Jornalistas trabalham em frente à casa do senador Flávio Bolsonaro em Brasília 27 de outubro de 2026 REUTERS/Diego Herculano
Jornalistas trabalham em frente à casa do senador Flávio Bolsonaro em Brasília 27 de outubro de 2026 REUTERS/Diego Herculano

Por Ricardo Brito e Rodrigo Viga Gaier

BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO, 27 Out (Reuters) - ​O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) descumpriu o prazo para entrega de seus passaportes determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e teve os documentos cancelados, disseram à Reuters nesta terça-feira duas fontes da Polícia Federal com conhecimento do assunto.

O paradeiro de Flávio era desconhecido, após um veículo de imprensa argentino afirmar que ele teria entrado no país e viajaria de lá para os Estados Unidos. O governo argentino disse não ter registro da entrada de Flávio.

Procurados pela Reuters, assessores e pessoas próximas ao parlamentar ou se recusaram a informar onde ele está ou afirmaram não saber seu paradeiro.

Flávio, que é alvo de investigações de lavagem de dinheiro e outros crimes no STF, foi derrotado no domingo no segundo turno da eleição ⁠presidencial pelo presidente ⁠Luiz Inácio Lula da Silva.

A decisão de Moraes obrigando ​Flávio a ‌entregar os passaportes e proibindo o senador de deixar o Brasil ocorreu no âmbito de uma investigação contra o parlamentar e um amigo dele, o advogado Willer Tomaz, por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ambos os acusados negam qualquer irregularidade.

Na segunda-feira, o senador disse em um vídeo publicado em suas redes sociais que ⁠tinha sido intimado naquela manhã a entregar os passaportes em até 24 horas, e prometeu cumprir ​a ordem. Ele falou que não deixaria o país e iria liderar a oposição contra o governo Lula.

PASSOS ​DO PAI?

O mistério em torno de seu paradeiro levantou preocupações de que ‌ele possa seguir os passos ​do pai, ⁠o ex-presidente Jair Bolsonaro, que viajou para os Estados Unidos depois de se recusar a reconhecer a derrota para Lula na eleição presidencial de 2022.

Jair Bolsonaro acabou retornando ao Brasil, mas posteriormente foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de ​golpe de Estado. Flávio ainda não reconheceu oficialmente a derrota no domingo. No dia da votação, afirmou que buscaria a anulação do resultado alegando irregularidades, mas seu partido, o PL, declarou na segunda que reconhecia a vitória de Lula.

Após notícias na imprensa argentina sobre a presença de um avião particular no Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú, na fronteira entre Argentina e ​Brasil, as autoridades argentinas inspecionaram a aeronave e sua tripulação. Segundo o comunicado, não encontraram nenhum plano de voo que listasse a família de Flávio Bolsonaro.

Um porta-voz do presidente argentino Javier Milei, aliado de Bolsonaro e que ainda não parabenizou Lula pela vitória, afirmou que “não há pedido de asilo”, recusando-se a fornecer mais detalhes.

Enquanto isso, uma autoridade da Polícia Federal afirmou que Bolsonaro não deixou o país por nenhum posto regular de controle migratório.

O influenciador de direita Paulo Figueiredo, que atua como uma espécie de porta-voz informal da família Bolsonaro, recusou-se a responder a perguntas sobre o paradeiro do senador.

“Depois de ​meses de trabalho intenso, que foi injustamente frustrado, não estou com disposição para falar com a imprensa”, afirmou em uma mensagem. “Se tiver ‌algum comentário a fazer sobre qualquer assunto, entrarei ⁠em contato.”

Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio que mora nos Estados Unidos, afirmou antes da votação que uma derrota eleitoral exigiria uma mudança de país. 'Se meu irmão não vencer, sou favorável a que ele deixe o país', disse ao podcaster ⁠Steven Crowder em 23 de outubro.

Outra fonte próxima a Bolsonaro afirmou que não ⁠conseguiu entrar em contato com ele na manhã desta terça. “Tentei ⁠falar com Flávio por telefone ⁠nesta ​manhã”, disse. “Chamou, chamou, mas ele não atendeu.”

(Reportagem adicional de Luciana Magalhão, Lucinda Elliot, Brendan O'Boyle e Oliver GriffinEdição de Pedro Fonseca)

Reuters

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