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Veteranos da Otan dizem que Trump 'cruzou linha vermelha' ao questionar serviço no Afeganistão

Veteranos da Otan dizem que Trump 'cruzou linha vermelha' ao questionar serviço no Afeganistão

Reuters

23/01/2026

Placeholder - loading - Forças de segurança afegãs e soldado britânico em Cabul  31/5/2019    REUTERS/Omar Sobhani
Forças de segurança afegãs e soldado britânico em Cabul 31/5/2019 REUTERS/Omar Sobhani

Atualizada em  23/01/2026

Por Sam Tabahriti

LONDRES, 23 Jan (Reuters) - Veteranos de toda a ⁠Europa reagiram à sugestão do presidente dos EUA, Donald Trump, de que teriam se mantido afastados da linha de frente no Afeganistão, afirmando na sexta-feira que centenas de colegas morreram lutando ao lado das forças norte-americanas.

Políticos de alto escalão também se juntaram às críticas, com o gabinete do primeiro-ministro britânico afirmando que Trump 'errou ao minimizar o papel das tropas da Otan' durante duas décadas de guerra.

Na quinta-feira, Trump disse à Fox News que os Estados Unidos 'nunca precisaram' da aliança transatlântica e acusou os aliados de se manterem 'um pouco afastados da linha de frente' ​no Afeganistão.

'PAGAMOS COM SANGUE POR ESTA ALIANÇA'

'Esperamos um pedido ⁠de ⁠desculpas por esta declaração', disse Roman Polko, general polonês aposentado e ex-comandante das forças especiais que serviu no Afeganistão e no Iraque, em entrevista à Reuters.

Trump 'cruzou uma linha vermelha', acrescentou. 'Pagamos com sangue por esta aliança. Sacrificamos verdadeiramente nossas próprias vidas.'

O ministro dos Veteranos do Reino Unido, Alistair Carns, cujo próprio serviço militar incluiu cinco ‌missões, inclusive ao lado de tropas norte-americanas no Afeganistão, classificou as alegações de Trump ​como 'completamente ridículas'.

'Derramamos sangue, suor e lágrimas juntos. Nem todos ‌voltaram para casa', disse ​ele em ​um vídeo publicado no X.

Richard Moore, ex-chefe do serviço de inteligência britânico MI6, afirmou que, assim como muitos oficiais do MI6, atuou em ambientes perigosos com colegas da CIA 'corajosos e altamente estimados' ​e que se orgulhava de fazê-lo com o aliado mais próximo do Reino Unido.

De acordo com o tratado fundador da Otan, os membros são vinculados por uma cláusula de defesa coletiva, o Artigo 5, que considera um ataque a um membro como um ataque a todos.

Essa cláusula foi invocada apenas uma vez – após os ataques de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington. Os aliados europeus responderam juntando-se à missão liderada pelos EUA no Afeganistão.

Alguns políticos observaram que Trump evitou o serviço militar obrigatório na Guerra do Vietnã, alegando esporões ósseos nos pés.

'Trump evitou o serviço militar cinco vezes', escreveu Ed Davey, líder do Partido Liberal Democrata britânico, no X. 'Como ele ousa questionar o sacrifício deles?'

O sacrifício da Polônia 'jamais ⁠será esquecido e não deve ser diminuído', afirmou o ministro da Defesa, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz.

Os Estados Unidos ‌perderam cerca de 2.460 soldados no Afeganistão, ⁠segundo o Departamento de Defesa norte-americano. Um total de 457 militares britânicos foram mortos, de um total de mais de 150.000 que estavam em missão.

Mais de 150 canadenses foram ‍mortos, juntamente com 90 militares franceses, enquanto a Dinamarca -- que está sob forte pressão de Trump para vender sua região semiautônoma ​da ‌Groenlândia aos EUA -- perdeu 44 soldados, uma das maiores taxas de mortalidade per capita da Otan.

Reuters

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