Endividamento das famílias brasileiras fica praticamente estável em maio apesar do Desenrola
Endividamento das famílias brasileiras fica praticamente estável em maio apesar do Desenrola
Reuters
30/07/2026
Atualizada em 30/07/2026
30 Jul (Reuters) - O endividamento das famílias brasileiras diminuiu apenas ligeiramente em maio, o primeiro mês da nova etapa do Desenrola, programa de renegociação de dívidas implementado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se prepara para concorrer à reeleição em outubro.
Dados do Banco Central divulgados nesta quinta-feira mostraram que a dívida total das famílias — medida como os débitos pendentes em relação à renda acumulada nos 12 meses anteriores — recuou ligeiramente para 49,8% em maio, ante 49,9% em abril, que havia marcado o nível mais alto desde o início da série, em 2011.
Lula lançou em maio uma nova fase do Desenrola, permitindo que devedores inadimplentes que ganham até cinco salários mínimos renegociem suas dívidas.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou no início desta semana que a iniciativa, que utiliza garantias do governo para assegurar custos de financiamento mais baixos, seria prorrogada até o final de agosto.
Dados do governo mostram que mais de 3,6 milhões de contratos de dívida foram renegociados até o momento, reduzindo o valor original das obrigações de R$22 bilhões para R$4 bilhões.
O banco BTG Pactual alertou recentemente que o elevado endividamento das famílias pode se tornar um freio significativo para a economia brasileira nos próximos anos.
Economistas liderados pelo ex-diretor do banco central Tiago Berriel apontaram a relação histórica entre o aumento do endividamento das famílias e as subsequentes desacelerações no consumo e na atividade econômica, citando o acúmulo de dívidas e a recessão entre 2011 e 2016.
“Em comparação com aquele período, as famílias apresentam agora um endividamento mais elevado e maiores encargos com o serviço da dívida. A composição do crédito sem garantia se deteriorou, com uma parcela maior de modalidades de empréstimo de maior risco”, escreveram eles.
Separadamente, dados do BC mostraram que a carteira de empréstimos no Brasil cresceu 0,7% em junho em relação ao mês anterior, para R$7,4 trilhões. O crescimento anual do crédito acelerou de 9,6% em maio para 9,7%.
A concessão de empréstimos no Brasil, por sua vez, aumentou 6,5% em junho na comparação com o mês anterior.
No mês, as concessões de financiamentos com recursos livres, nos quais as condições dos empréstimos são livremente negociadas entre bancos e tomadores, tiveram alta de 6,7% em relação ao mês anterior. Para as operações com recursos direcionados, que atendem a parâmetros estabelecidos pelo governo, houve avanço de 4,9% no período.
No mês, a inadimplência no segmento de recursos livres ficou em 6,2%, repetindo a mesma taxa do mês anterior.
Já os juros cobrados pelas instituições financeiras no crédito livre ficaram em 49,8%, um aumento de 0,5 ponto percentual em relação ao mês anterior. Nos recursos direcionados, houve queda de 0,1 ponto no mês, a 12,2%.
O spread bancário, diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa final cobrada do cliente, subiu para 35,8 pontos percentuais nos recursos livres, contra 35,6 pontos no mês anterior.
(Por Marcela Ayres e Camila Moreira; edição de Roberto Samora e Bernardo Caram)
Reuters

