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Contração da indústria no Brasil se intensifica em setembro com demanda fraca, mostra PMI

Contração da indústria no Brasil se intensifica em setembro com demanda fraca, mostra PMI

Reuters

01/10/2026

Placeholder - loading - Fábrica da Nestlé em Caçapava, SP 9 de setembro de 2026. REUTERS/Alexandre Meneghini
Fábrica da Nestlé em Caçapava, SP 9 de setembro de 2026. REUTERS/Alexandre Meneghini

Por Camila Moreira

SÃO PAULO, 1 Out (Reuters) - A ​atividade industrial brasileira afundou ainda mais em terreno contracionista em setembro e atingiu o nível mais baixo em quase três anos e meio, com um forte enfraquecimento da demanda, de acordo com a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgada nesta quinta-feira.

Segundo a pesquisa, a fraqueza da demanda, as pressões competitivas e a incerteza política antes das eleições presidenciais de outubro pesaram sobre as vendas, enquanto o aumento dos custos agravou o ambiente desafiador para os negócios. Ainda assim, a confiança para os próximos 12 meses melhorou em relação a agosto.

O PMI da ⁠indústria, compilado ⁠pela S&P Global, caiu a 44,8 ​em setembro, ‌de 46,3 em agosto, na maior deterioração das condições operacionais desde abril de 2023. A marca de 50 separa crescimento de contração.

O resultado levou a média trimestral a 46,2, a mais baixa desde o segundo trimestre de 2023, segundo a S&P ⁠Global.

“O único aspecto positivo nos dados do PMI foi que as empresas ​continuaram mais otimistas em relação aos próximos 12 meses, amparadas pela expectativa de que ​as condições de mercado melhorem após as eleições”, avaliou ‌Pollyanna De Lima, diretora ​associada de ⁠economia da S&P Global Market Intelligence.

A retração da produção chegou ao quinto mês consecutivo e se intensificou para o nível mais forte desde o início da pandemia de Covid-19, no começo ​de 2020. Os participantes da pesquisa associaram a queda da produção à fraqueza das vendas, ao aumento dos custos dos insumos e às incertezas relacionadas ao período pré-eleitoral.

As entradas de novos pedidos sofreram o maior ritmo de contração em quase quatro anos.

As novas encomendas do exterior ​diminuíram pelo quinto mês seguido, embora o ritmo de contração tenha desacelerado em relação a agosto. Foram relatadas vendas mais fracas para clientes na Argentina, China, México e Estados Unidos.

A indústria brasileira também reduziu em setembro o número de empregados pelo terceiro mês consecutivo, embora o ritmo dos cortes de vagas tenha sido moderado e mais brando do que em agosto.

Já os dados de preços mostraram uma retomada das pressões dos custos em setembro. Após desacelerar ​em cada um dos quatro meses anteriores, a inflação dos preços dos insumos acelerou e voltou ‌a ficar acima de sua média histórica ⁠de longo prazo. As empresas atribuíram o aumento dos custos de materiais e transporte à crise global de energia e à guerra no Oriente Médio.

Embora os fabricantes tenham voltado ⁠a elevar seus preços de venda em resposta, a ⁠concorrência e a queda das vendas limitaram ⁠seu poder de precificação, ⁠e ​a inflação dos preços cobrados enfraqueceu para o menor nível em sete meses.

(Edição de Isabel Versiani)

Reuters

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