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Cortes de custos ajudam Mercedes a estabilizar lucro, preocupações com China afetam perspectivas

Cortes de custos ajudam Mercedes a estabilizar lucro, preocupações com China afetam perspectivas

Reuters

28/07/2026

Placeholder - loading - Emblema da Mercedes-Benz no capô de um carro na Exposição Automotiva Internacional de Pequim, também conhecida como Auto China, em Pequim, China 27 de setembro de 2020 REUTERS/Tingshu Wang
Emblema da Mercedes-Benz no capô de um carro na Exposição Automotiva Internacional de Pequim, também conhecida como Auto China, em Pequim, China 27 de setembro de 2020 REUTERS/Tingshu Wang

Por Rachel More

BERLIM, 28 Jul (Reuters) - A Mercedes-Benz registrou um lucro ​maior no segundo trimestre, impulsionado por rigorosos cortes de custos, o que fez com que suas ações subissem nesta terça-feira, no entanto, a intensa concorrência chinesa prejudicou as perspectivas para as vendas de automóveis e a receita.

Os resultados representaram um raro alívio para os investidores do setor automotivo alemão, que vem sendo afetado pelo aumento dos custos com tarifas e pela intensificação da concorrência dos rivais chineses, levando a Volkswagen , a Mercedes e a BMW a acelerar os cortes.

As ações da Mercedes subiram até 5,9% após o anúncio, antes de reduzir os ganhos para uma alta de 2,58% por volta de 9h50 (horário de Brasília).

“Em um ambiente em que algumas montadoras estão soando o alarme sobre ⁠seu posicionamento competitivo, ⁠a Mercedes transmitiu uma mensagem clara e ​confiante”, disse a ‌analista da Morningstar, Rella Suskin.

A Mercedes confirmou a previsão de lucro para seu negócio principal de automóveis e registrou um retorno ajustado sobre vendas de 4,0% no segundo trimestre, acima das expectativas e confortavelmente dentro da faixa de 3% a 5%.

A rival BMW reduziu drasticamente suas perspectivas em junho, à ⁠medida que a desaceleração no mercado automotivo chinês intensificou a pressão sobre as vendas.

O lucro ​operacional da Mercedes no segundo trimestre subiu 22%, para 1,5 bilhão de euros (US$1,7 bilhão), apesar de uma ​queda de 3% na receita, impulsionado por cortes nos gastos administrativos ‌e com pesquisa e ​desenvolvimento, bem ⁠como pelos sólidos resultados de suas unidades de serviços financeiros e de vans.

A empresa também se beneficiou de um ganho de 131 milhões de euros relacionado à venda planejada de sua subsidiária de leasing, a Athlon.

Mas a montadora sediada ​em Stuttgart está longe de estar a salvo. Depois de ter sofrido pesadas perdas nas mãos de fabricantes locais no mercado chinês, outrora lucrativo, esses mesmos concorrentes chineses agora buscam cada vez mais exportar para a Europa.

A margem anual do negócio de automóveis da empresa está atualmente estimada na extremidade inferior da faixa prevista, disse o ​diretor financeiro Harald Wilhelm, com as vendas mais elevadas na Europa de veículos elétricos — cuja produção é mais cara — devendo pesar sobre o lucro.

As vendas de automóveis no segundo trimestre caíram 30% na China, o maior mercado automotivo do mundo, levando a Mercedes a descartar as previsões de vendas estáveis de automóveis e receita do grupo. Agora, a empresa espera um ligeiro declínio em ambas as frentes em comparação com o ano anterior.

As fábricas alemãs estão na mira de uma pressão intensificada por uma produção mais enxuta, informou a empresa, que se recusou a ​dar mais detalhes, pois está em negociações com representantes dos trabalhadores.

Ao mesmo tempo, a Mercedes está ampliando sua presença ‌produtiva em países mais baratos da Europa Oriental, ⁠como a Hungria — com a expansão de sua fábrica em Kecskemét — e a Polônia.

“Precisamos continuar trabalhando a todo vapor para reduzir custos, de modo que possamos permanecer competitivos nos preços de nossos produtos”, afirmou o presidente-executivo ⁠Ola Kaellenius.

Quanto às montadoras chinesas que estão entrando no mercado europeu, ele ⁠disse que o principal alvo delas atualmente são os ⁠mercados de grande volume, ⁠e ​não o segmento premium da Mercedes.

“Mas isso não é motivo para ficarmos de braços cruzados e relaxarmos.”

(Reportagem de Rachel More)

Reuters

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