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Crédito suplementar tem que ser aprovado até meio de junho para não prejudicar fluxo de pagamento, diz Mansueto

Crédito suplementar tem que ser aprovado até meio de junho para não prejudicar fluxo de pagamento, diz Mansueto

Reuters

29/05/2019

Placeholder - loading - Mansueto Almeida, em evento em São Paulo 7/2/2019 REUTERS/Stefani Inouye
Mansueto Almeida, em evento em São Paulo 7/2/2019 REUTERS/Stefani Inouye

Atualizada em  29/05/2019

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, afirmou nesta quarta-feira que o projeto do governo que pede um crédito suplementar para seguir cumprindo a regra de ouro neste ano precisa ser aprovado pelo Congresso até meados de junho, entre os dias 14 e 16, para não prejudicar o fluxo de pagamento de nenhum dos gastos envolvidos.

Encaminhado aos parlamentares em março, o projeto de lei sobre o tema solicitou crédito de 248,9 bilhões de reais para este ano, incluindo 201,7 bilhões de reais para benefícios previdenciários, 30 bilhões de reais para o pagamento de Benefício de Prestação Continuada (BPC), destinado a idosos e deficientes em condição de miserabilidade, e 6,6 bilhões de reais para 'inclusão social por meio do Bolsa Família, do Cadastro Único e da articulação de políticas sociais'.

O restante do crédito foi pedido para indenizações e restituições do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), e outras subvenções econômicas, como para o Programa de Sustentação do Investimento (PSI).

Em coletiva de imprensa nesta quarta, Mansueto afirmou que a solução para o projeto está sendo construída politicamente, mas reconheceu que o governo anterior --do qual fazia parte-- achava que a tramitação do projeto seria mais fácil, por envolver gastos socialmente sensíveis.

A equipe do então presidente Michel Temer calculou o buraco para a regra de ouro em 2019 e, no projeto orçamentário anual, separou uma série de gastos nesse montante, atrelando sua execução ao aval dos parlamentares, a ser pedido pelo próximo presidente eleito.

Nesta quarta-feira, o Tesouro atualizou seus cálculos e apontou que a insuficiência para a regra de ouro em 2019 é vista agora em 146,7 bilhões de reais, ante 110,4 bilhões de reais no relatório anterior, de março.

Mansueto reconheceu que o Congresso pode decidir aprovar os 146,7 bilhões de reais, em vez dos 248 bilhões originalmente pedidos, mas ressaltou que, nesse caso, também será necessário que os parlamentares mudem a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA) vigentes.

EXCEÇÕES À REGRA DO TETO

Mansueto também afirmou que, em solução costurada junto ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do orçamento impositivo trará também uma solução para que o governo pague à Petrobras após a renegociação dos termos da cessão onerosa sem, com isso, infrigir a regra do teto de gastos.

Outras duas exceções para a regra do teto também estarão na PEC do orçamento impositivo: a divisão de recursos com Estados e municípios do bônus de assinatura do leilão do excedente do pré-sal e um compartilhamento, junto aos entes regionais, do fundo social do pré-sal.

Nos dois casos, ainda não está decidido quanto será destinado aos Estados e municípios, tampouco qual será o critério adotado para tanto.

Na avaliação do secretário do Tesouro, afrouxar a regra do teto de gastos para além dessas mudanças implicaria perder a única âncora fiscal hoje existente.

Durante a coletiva, Mansueto afirmou ainda que o Plano de Equilíbrio Fiscal (PEF) para Estados foi finalizado pelo Tesouro há três semanas e que deve ser encaminhado ao Congresso 'nesta semana, no mais tardar na próxima'.

Questionado sobre eventual empréstimo de fundos constitucionais diretamente a Estados, medida que nem sendo ventilada por governadores como um socorro possível, Mansueto afirmou que a iniciativa não está no Ministério da Economia e que o debate 'é muito mais junto à Casa Civil'.

Reuters

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