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Diplomatas estrangeiros avaliam reconhecer rapidamente ganhador da eleição no Brasil

Diplomatas estrangeiros avaliam reconhecer rapidamente ganhador da eleição no Brasil

Reuters

23/10/2026

Placeholder - loading - Soldados da Guarda Presidencial em posição de honra no Palácio do Planalto, em Brasília 2 de setembro de 2026 REUTERS/Adriano Machado
Soldados da Guarda Presidencial em posição de honra no Palácio do Planalto, em Brasília 2 de setembro de 2026 REUTERS/Adriano Machado

Por Brendan O'Boyle

BRASÍLIA, 23 Out (Reuters) - Diplomatas estrangeiros em Brasília estão avaliando reconhecer ​rapidamente quem quer que seja o vencedor do segundo turno da eleição presidencial de domingo, disseram quatro embaixadores à Reuters, com o objetivo de evitar quaisquer tentativas vindas de fora do país de declarar prematuramente a vitória de qualquer um dos candidatos.

No entanto, eles ainda não formalizaram um plano, com várias missões diplomáticas ainda discutindo com seus governos sobre a melhor forma de proceder, acrescentaram as fontes.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), que terminou o primeiro turno no início do mês na liderança, está empatado com o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 50% dos votos válidos, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira.

Dois embaixadores disseram à Reuters que temem que o presidente dos EUA, Donald Trump, ou seu governo, possam questionar o resultado caso Lula vença por uma margem estreita.

“Não me surpreenderia se Trump ou (o presidente argentino de direita Javier) Milei declarassem Bolsonaro ⁠vencedor antes mesmo das ⁠autoridades eleitorais”, disse um embaixador, acrescentando temer que tal ​cenário possa provocar ‌uma grave crise institucional.

O embaixador, que falou sob condição de anonimato devido à delicadeza do assunto, disse que não estava envolvido em discussões com outros governos.

O Departamento de Estado dos EUA e a embaixada norte-americana em Brasília não responderam às perguntas sobre se Trump se comprometeria a reconhecer o vencedor do segundo turno conforme for anunciado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do Brasil. O tribunal não respondeu a ⁠um pedido de comentário.

Um embaixador disse que sua preocupação com Trump surge após os comentários do líder norte-americano ​sobre recentes eleições na América Latina, incluindo a eleição presidencial de 2025 em Honduras. Em meio a atrasos na apuração dos votos, ​Trump alegou fraude sem apresentar provas e disse que haveria “consequências terríveis” se Honduras alterasse ‌os resultados preliminares que colocavam seu ​candidato preferido ⁠na liderança.

Um reconhecimento prematuro por parte de Trump ou de outra pessoa “poderia levar a uma crise institucional que ninguém deseja”, disse esse embaixador.

'CONFIANÇA NO SISTEMA BRASILEIRO'

Nas eleições de 2022 no Brasil, governos estrangeiros, incluindo os Estados Unidos, a União Europeia e muitos países latino-americanos, desempenharam um papel importante ao reconhecer a ​vitória de Lula sobre o então presidente Jair Bolsonaro, que se recusou a admitir a derrota durante dias.

Jair Bolsonaro, pai de Flávio, foi posteriormente condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado depois que sua derrota naquelas eleições levou seus apoiadores a invadirem violentamente as sedes dos Três Poderes.

“Nosso principal objetivo é reconhecer o resultado de uma eleição que esperamos que seja realizada de acordo com bons padrões. Temos ​confiança no sistema eleitoral brasileiro”, disse um embaixador europeu à Reuters, acrescentando que “a rapidez é a principal preocupação”.

Flávio Bolsonaro ficou à frente de Lula no primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, o que fez os mercados dispararem com o otimismo de que ele estava bem posicionado para vencer e aprovar reformas econômicas que favorecem as empresas, com a ajuda de um novo Congresso dominado por seus aliados.

Flávio mantém uma pequena vantagem sobre Lula nas pesquisas à medida que se aproxima o segundo turno, mas as pesquisas sugerem que essa vantagem está diminuindo à medida que a votação se aproxima.

“Se Lula vencer, especialmente por uma margem estreita, é inevitável que pelo menos alguns digam que a votação foi, de alguma forma, ​fraudada a seu favor”, disse um embaixador, que afirmou que esse cenário hipotético aumenta a pressão sobre as autoridades eleitorais brasileiras e os observadores internacionais para ‌que confirmem rapidamente o resultado da votação.

Oliver Stuenkel, professor da ⁠Fundação Getulio Vargas de São Paulo, disse que a eventual recusa de Trump em reconhecer rapidamente uma vitória de Lula seria um ponto baixo nas relações bilaterais.

“Acho que esse é um cenário que precisamos manter no radar”, disse.

Os embaixadores ouvidos pela Reuters expressaram confiança no processo eleitoral ⁠e nas instituições brasileiras, e afirmaram que as preocupações não se referiam a um candidato ⁠específico, mas ao possível negacionismo eleitoral, que poderia afetar a confiança já ⁠em declínio nas instituições democráticas ⁠do ​Brasil.

“Não me importa se Lula ou Bolsonaro vencer”, disse um embaixador. “O que me importa é o estado da democracia brasileira após esta eleição.”

(Reportagem de Brendan O'Boyle)

Reuters

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